A região do Vale do Paraíba e Litoral Norte enfrenta um cenário preocupante em relação à imunização contra o sarampo. Dados recentes revelam que a cobertura vacinal permanece aquém da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com a aplicação da segunda dose do imunizante sendo o ponto mais crítico. Este panorama de baixa adesão ganha contornos de urgência diante do aumento de casos da doença no estado de São Paulo, intensificando o alerta para a reintrodução do vírus na área.
Cobertura Vacinal Insuficiente e o Desafio da Segunda Dose
Nenhum dos nove municípios analisados na região atingiu o índice ideal para a segunda dose da vacina contra o sarampo, expondo uma lacuna significativa na proteção da população. Enquanto algumas cidades como Caraguatatuba, Atibaia e Caçapava conseguiram superar a meta para a primeira dose, alcançando índices acima de 95%, as taxas para a dose de reforço caem drasticamente. Por exemplo, em Ubatuba e Caçapava, a cobertura da segunda dose recua para 73,37% e 74,12%, respectivamente, evidenciando o fenômeno conhecido como abandono vacinal. Mesmo municípios mais populosos como São José dos Campos e Taubaté, apesar de apresentarem avanços recentes, ainda operam abaixo do patamar recomendado para ambas as aplicações.
O Impacto do Abandono Vacinal e a Importância do Esquema Completo
A disparidade entre a primeira e a segunda dose da vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) é um fator de grande preocupação. Segundo o médico infectologista Antonio Sérgio Mathias, a criança que recebe apenas a primeira dose adquire uma proteção parcial, insuficiente para garantir imunidade plena contra o vírus do sarampo. O esquema completo é fundamental para assegurar a proteção necessária. Mathias aponta que a principal causa para o atraso na segunda aplicação está mais ligada à sobrecarga da rotina familiar e ao esquecimento, do que propriamente à desinformação, reforçando que os responsáveis não precisam aguardar campanhas específicas; basta procurar a unidade básica de saúde para regularizar a situação vacinal dos filhos.
A vacinação é reconhecidamente a estratégia mais eficaz para a prevenção da doença, sendo oferecida gratuitamente através do Sistema Único de Saúde (SUS), o que torna ainda mais crítica a baixa adesão às doses de reforço.
Aumento de Casos no Estado e Risco de Reintrodução na Região
Embora o Vale do Paraíba não tenha registrado casos confirmados de sarampo neste ano, o estado de São Paulo contabiliza 41 ocorrências, sendo a maioria na capital. Este cenário estadual, somado à proximidade geográfica e ao intenso fluxo de pessoas entre a Grande São Paulo e as cidades do Vale, Litoral Norte e região bragantina, eleva o risco de reintrodução do vírus. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) monitora de perto a situação, mantendo o alerta ativo. Apesar dos avanços na cobertura estadual da vacina ao longo do ano, os índices gerais para ambas as doses seguem abaixo da meta de 95%, contribuindo para a vulnerabilidade da população.
Autoridades de saúde, como a secretária adjunta de Saúde de São José dos Campos, Joselma Alves, já indicaram que os registros na região metropolitana motivaram ações de reforço local, sublinhando a necessidade de proatividade para conter a circulação do vírus.
Conclusão: Um Chamado à Imunização Completa
Diante do panorama de cobertura vacinal abaixo da meta e do aumento de casos em São Paulo, torna-se imperativo que pais e responsáveis completem o esquema vacinal de suas crianças. A proteção contra o sarampo exige as duas doses da vacina tríplice viral para ser plenamente eficaz, salvaguardando não apenas a saúde individual, mas também contribuindo para a imunidade coletiva. O esforço conjunto da população e das autoridades de saúde é fundamental para prevenir a reintrodução e a disseminação do sarampo, uma doença que pode ter consequências graves, e assegurar um ambiente saudável para todos.
Fonte: https://g1.globo.com

