Em Ribeirão Preto, a paixão pelo rock transcende o entretenimento e se consolida como uma ferramenta educacional e de desenvolvimento infantil para duas famílias. Longe dos tradicionais conteúdos infantis, guitarras, baterias e clássicos atemporais do gênero musical tornaram-se pilares na formação de seus filhos. A crença de que a música, em especial o rock, pode moldar habilidades sociais, emocionais e cognitivas desde cedo, encontra eco não apenas na observação dos pais, mas também em fundamentos científicos.
Rock como Pilar: Desenvolvimento Cognitivo e Social pela Musicalização
O contato precoce com a música, defendido pelas famílias de Ribeirão Preto, é mais do que uma preferência cultural; é um estímulo poderoso para o crescimento dos pequenos. Para o diretor musical e professor da School of Rock de Ribeirão Preto, Daniel Junta, a musicalização infantil exige e desenvolve uma série de movimentos cerebrais simultâneos. Segundo ele, a interação com instrumentos e ritmos exercita a audição, a visão, a leitura e a memória de forma interligada. Esse processo, enquanto a criança toca um instrumento, não beneficia apenas o aspecto musical, mas também colabora significativamente com o estudo regular, a disciplina e a capacidade de processar múltiplas informações, fundamentais para a aquisição de novas habilidades sociais.
Thomas: Da Gestação aos Clássicos de Vinil no Cotidiano
Na casa do músico Beto Leonetti e da escritora Silvia Ueno, a imersão de Thomas, de 7 anos, no universo do rock começou antes mesmo de seu nascimento. Silvia recorda que Beto acalmava o bebê na barriga tocando rock em uma viola caipira. Após o parto, a rotina musical foi mantida, com a substituição de desenhos infantis por vídeos de shows de bandas icônicas como AC/DC, Pink Floyd e Metallica nas telas da casa. Essa vivência levou Thomas, com apenas um ano e meio, a aprender a manusear a vitrola da família, colocando cuidadosamente discos como “Dark Side of the Moon” do Pink Floyd, revelando uma destreza e apreço incomuns para sua idade.
Criatividade Acelerada e Participação Artística
A influência do rock se estendeu para além da audição passiva. Thomas, que cresceu frequentando os shows do pai, demonstrava um fascínio pela bateria, tentando reproduzir os ritmos de ídolos como Neil Peart, do Rush. Essa paixão pela música estimulou sua criatividade de maneira notável; o menino utiliza materiais recicláveis e papelão para inventar brincadeiras e até cria suas próprias palavras para cantar, evitando a solução fácil das telas de celular. A conexão familiar com a música gerou frutos profissionais: Thomas participou tocando bateria nas gravações de músicas educativas com pegada de rock and roll, produzidas por seus pais para conteúdos de educação infantil.
Eduardo: Homenagem a Ídolos e Palco no Lar
O rock também ditou o ritmo na vida de Eduardo, de 2 anos, filho da professora Nayara Kobori e do vocalista Renato Rosa. O casal, que se conheceu por meio da música (Renato é vocalista de uma banda cover de Led Zeppelin há 15 anos), escolheu o nome do filho em homenagem aos roqueiros brasileiros Edu Falaschi e Supla, ambos chamados Eduardo. Desde o nascimento, o menino mostrou facilidade para lidar com sons altos e se adaptou rapidamente ao ambiente de shows, frequentando as apresentações do pai sem se intimidar com locais cheios. Eduardo desenvolveu um gosto musical peculiar para sua pouca idade, já tendo uma banda favorita e divertindo-se ao imitar os movimentos do pai nos palcos, transformando o sofá de casa em seu próprio palco.
Ambas as experiências em Ribeirão Preto ressaltam como o rock, mais do que um gênero musical, pode ser um catalisador para o desenvolvimento infantil. Através do contato com a diversidade sonora, a complexidade rítmica e a cultura associada, Thomas e Eduardo não apenas cultivam um amor pela música, mas também aprimoram habilidades cognitivas, sociais e criativas que serão valiosas em todas as etapas de suas vidas, independentemente de escolherem seguir uma carreira musical ou não.
Fonte: https://g1.globo.com

