Geraldo Alckmin, aos 73 anos, ocupa atualmente o cargo de vice-presidente da República, empossado em janeiro de 2023, e se destaca como um dos nomes centrais na chapa liderada pelo presidente Lula. Sua trajetória política, marcada por décadas de atuação em São Paulo, sofreu uma guinada significativa em 2022, quando, após um longo período no PSDB, filiou-se ao PSB para formar uma improvável, mas vitoriosa, aliança com seu antigo adversário. Médico de formação, Alckmin construiu uma carreira sólida, passando por diversas esferas do poder antes de chegar ao Planalto.
As Raízes da Carreira Política
O percurso de Alckmin na vida pública começou precocemente, aos 19 anos, em 1972, quando foi eleito vereador em Pindamonhangaba, sua cidade natal, ainda como estudante de Medicina. Filiado ao antigo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), ele demonstrou aptidão para a política, culminando na sua eleição para prefeito da mesma cidade quatro anos depois, cargo que ocupou com destaque até 1982.
Após a experiência executiva municipal, Alckmin expandiu sua atuação para os âmbitos estadual e federal. Em 1982, foi eleito deputado estadual e, em 1986, conquistou uma cadeira como deputado federal. Durante esse período, teve um papel crucial na Assembleia Nacional Constituinte, contribuindo ativamente para a redação da Constituição de 1988. No mesmo ano, foi um dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), agremiação que o acompanharia por grande parte de sua carreira.
Ascensão e Consolidação no Cenário Paulista
A década de 1990 marcou sua consolidação no cenário político de São Paulo. Em 1994, Geraldo Alckmin foi eleito vice-governador, integrando a chapa de Mário Covas. A parceria foi bem-sucedida, levando à reeleição em 1998. Durante o segundo mandato, a saúde de Covas o levou a assumir interinamente o governo em diversas ocasiões. Tragicamente, após o falecimento do governador em 2001, Alckmin ascendeu definitivamente ao comando do estado, assumindo a cadeira principal do Palácio dos Bandeirantes.
A experiência como governador interino abriu caminho para sua primeira eleição direta ao cargo em 2002, quando obteve mais de 12 milhões de votos, permanecendo no posto até 2006. Sua gestão no estado foi subsequentemente reafirmada pelo eleitorado paulista, que o reconduziu ao governo em 2010 e novamente em 2014, esta última com uma vitória expressiva no primeiro turno, superando 57% dos votos válidos. Esse período consolidou sua imagem como uma figura central e influente na política de São Paulo.
As Campanhas Presidenciais e a Reviravolta Política
Em 2006, Alckmin decidiu alçar voos maiores, deixando o governo paulista para disputar pela primeira vez a Presidência da República pelo PSDB. Naquela eleição, enfrentou Luiz Inácio Lula da Silva e chegou ao segundo turno, conquistando 39,97 milhões de votos, ou 41,64% dos válidos, no primeiro embate. No segundo turno, porém, não conseguiu reverter a vantagem do adversário, que foi reeleito com 60,83% dos votos.
Após a disputa presidencial, Geraldo Alckmin retornou à política de São Paulo, onde assumiu a Secretaria de Desenvolvimento em 2009 antes de se reeleger governador em 2010 e 2014. Contudo, em 2018, tentou novamente a Presidência, mas o cenário político havia mudado drasticamente. Sua campanha resultou em um quarto lugar, com 4,76% dos votos válidos, marcando um dos pontos mais baixos de sua influência em nível nacional.
Este resultado, somado a um novo contexto político pós-2018, culminou em uma das maiores reviravoltas de sua carreira. Após décadas como um dos pilares do PSDB, Alckmin optou por deixar o partido e, em 2022, filiou-se ao PSB. Essa mudança partidária foi o passo decisivo que abriu caminho para uma aliança considerada, até então, impensável: unir-se a Lula, seu antigo e histórico oponente nas urnas.
A Inesperada Aliança e o Retorno ao Planalto
A aproximação entre Geraldo Alckmin e Lula resultou na formação da chapa presidencial para as eleições de 2022, com Alckmin como candidato a vice-presidente. A aliança, que uniu duas figuras de campos políticos tradicionalmente opostos, foi aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral e, após uma intensa campanha, a chapa venceu Jair Bolsonaro no segundo turno. A posse ocorreu em 1º de janeiro de 2023, marcando o retorno de Alckmin ao cenário federal, desta vez como Vice-Presidente da República.
Além de suas atribuições como vice-presidente, Alckmin assumiu também o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) no início do governo. À frente da pasta, tem se dedicado a agendas estratégicas para o país, com foco em temas como incentivo à indústria, inovação, comércio exterior, competitividade e a chamada neoindustrialização brasileira. Sua atuação no MDIC e como representante do governo em negociações e agendas com o setor produtivo e em acordos internacionais, como o de livre comércio entre o Mercosul e Singapura em 2023, sublinha a relevância de seu papel na atual administração.
A trajetória de Geraldo Alckmin exemplifica a adaptabilidade e a resiliência necessárias na alta política. De vereador em Pindamonhangaba a governador por quatro mandatos em São Paulo, e, finalmente, a vice-presidente da República em uma aliança histórica com um ex-adversário, sua carreira é um testemunho de uma rara capacidade de reinvenção e de navegação por diferentes correntes ideológicas em busca de um espaço central na governança do país.
Fonte: https://jovempan.com.br

