A cidade de São Paulo aguarda ansiosamente a plena operação do Aeromovel, um inovador sistema de monotrilho projetado para revolucionar a conectividade entre a Linha 13-Jade da CPTM e os terminais do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Batizado de Aeromovel, este transporte promete uma experiência de viagem mais eficiente e direta para os milhões de passageiros que transitam pelo principal hub aéreo do país. Com um design pensado especificamente para viajantes, o veículo se diferencia dos trens convencionais pela otimização do espaço interno, priorizando a acomodação de bagagens em detrimento de um maior número de assentos, dada a natureza de seu itinerário relativamente curto dentro do complexo aeroportuário. A tecnologia subjacente ao Aeromovel baseia-se na propulsão pneumática, um sistema avançado que utiliza ar pressurizado para movimentar os veículos, garantindo eficiência energética e sustentabilidade. No entanto, apesar de sua promessa, o projeto tem enfrentado uma série de adiamentos e desafios regulatórios, mantendo os usuários dependentes de soluções provisórias desde a inauguração da estação da CPTM em 2018.
Uma nova conexão para Guarulhos
O Aeromovel, ou “people mover”, como era inicialmente conhecido, representa um marco significativo na infraestrutura de transporte do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Sua concepção visa integrar de forma fluida a malha ferroviária metropolitana diretamente aos portões de embarque e desembarque, eliminando a atual necessidade de transbordo para ônibus. Visualmente, o Aeromovel compartilha algumas semelhanças com o Expresso Aeroporto, operado pela CPTM, mas sua funcionalidade interna foi meticulosamente adaptada para atender às demandas específicas dos passageiros aéreos.
Tecnologia e design otimizados
O cerne da inovação do Aeromovel reside em seu sistema de propulsão pneumática. Esta tecnologia avançada opera injetando ar pressurizado, gerado por ventiladores de alta eficiência energética, no interior da via elevada. O ar, ao ser pressurizado, empurra ou puxa uma placa de propulsão rigidamente fixada ao veículo, que desliza suavemente sobre trilhos ferroviários convencionais com rodas de aço. Circuitos de propulsão individuais criam blocos de controle exclusivos e independentes para cada veículo em movimento, assegurando precisão e segurança.
Internamente, o design do Aeromovel reflete sua finalidade. Diferentemente de um trem de passageiros urbano, que maximiza o número de assentos, este monotrilho possui menos lugares sentados. Essa escolha estratégica libera um espaço considerável para a acomodação de bagagens grandes, um requisito essencial para viajantes aéreos. Com um percurso de 2.700 metros de extensão, os três veículos foram projetados para transportar até 200 usuários cada, oferecendo um deslocamento rápido e confortável entre a estação da CPTM e os terminais do aeroporto. A primeira composição, que simboliza o avanço do projeto, foi entregue em Cumbica em março de 2024, marcando um passo importante para a fase final de testes.
Histórico de atrasos e desafios regulatórios
O projeto do Aeromovel, anunciado em 2019 pelo então governador João Doria, não esteve isento de controvérsias e obstáculos. Em seu início, o Tribunal de Contas da União (TCU) levantou questionamentos substanciais, alegando a falta de estudos aprofundados que comprovassem a viabilidade e a superioridade do modal em relação a outras opções de transporte para o aeroporto. Essas objeções levaram à paralisação das obras em setembro de 2021. Somente após o governo de São Paulo sanar as irregularidades apontadas em auditorias realizadas pelo tribunal, as construções puderam ser retomadas no ano seguinte, demonstrando a complexidade e a rigorosidade na execução de projetos de infraestrutura de grande porte.
Fiscalização e intervenção dos órgãos
Apesar da retomada, o cronograma de entrega do Aeromovel acumulou quase dois anos de atraso em relação à previsão inicial de fevereiro de 2024, tendo passado por ao menos quatro adiamentos significativos. Essa postergação tem sido alvo de intensa fiscalização por parte da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que tem a responsabilidade de zelar pelo cumprimento do contrato de concessão do Aeroporto de Guarulhos, onde a implementação do transporte está prevista.
Em outubro, uma vistoria da Anac revelou que os sistemas de automação, controle e operação do monotrilho ainda não estavam concluídos, apontando falhas consideradas graves pelos técnicos da agência e impedindo a liberação para o funcionamento público. A Anac, em resposta a esses atrasos e pendências, informou que estuda a aplicação de sanções à concessionária responsável, a GRU Airport, e exigiu a apresentação de um novo cronograma atualizado de entrega. Essa postura reflete a seriedade com que os órgãos reguladores encaram o descumprimento de prazos e a não conformidade com as exigências técnicas, buscando garantir a segurança e a eficiência do serviço antes de sua abertura ao público.
Expectativas e futuro da operação
Desde o dia 4 de dezembro, o Aeromovel iniciou uma fase de operação controlada, restrita a passageiros convidados e funcionários do aeroporto. Essa etapa permite a validação dos sistemas em um ambiente real, embora limitado, garantindo que todos os ajustes finos possam ser realizados antes da abertura total. Anteriormente, desde 1º de outubro, o sistema já operava em regime de simulação, sem passageiros, por oito horas diárias, acumulando mais de 15 mil testes de desempenho e segurança.
Testes e fases de implantação
O Consórcio AeroGru, responsável pela obra e pelo fornecimento dos veículos, assegura que o sistema está “totalmente funcional” e que a entrada em operação ocorre de forma faseada. Essa abordagem, que segue as recomendações de entidades certificadoras e as melhores práticas internacionais para sistemas automatizados de transporte em aeroportos de grande porte, visa garantir que todos os processos sejam acompanhados, ajustados e validados de maneira segura, gradual e controlada. A concessionária afirma que, após a conclusão das etapas finais de certificação e a fase inicial com passageiros convidados, haverá uma ampliação progressiva da capacidade do Aeromovel até que a operação plena seja atingida, beneficiando todos os usuários do aeroporto.
Enquanto a tão esperada operação plena não se concretiza, quem desembarca na Estação Aeroporto-Guarulhos da CPTM continua dependente de ônibus para chegar aos terminais. Esses veículos, que deveriam funcionar apenas de forma provisória, operam desde a inauguração da estação em 2018, evidenciando a urgência e a necessidade da plena funcionalidade do Aeromovel para desafogar o transporte terrestre e oferecer uma solução definitiva e moderna para a conectividade aeroportuária.
Conectividade em foco
O Aeromovel é mais do que um meio de transporte; é um símbolo da ambição por uma infraestrutura aeroportuária moderna e eficiente em São Paulo. Apesar dos desafios e dos atrasos enfrentados em sua trajetória, a expectativa pela sua operação plena permanece alta. A integração direta entre a CPTM e os terminais do Aeroporto de Guarulhos transformará a experiência de milhões de passageiros anualmente, oferecendo uma alternativa rápida, confortável e sustentável. A vigilância dos órgãos reguladores, como a Anac e o TCU, é fundamental para garantir que o projeto não apenas seja concluído, mas que atenda aos mais altos padrões de segurança e funcionalidade, cumprindo assim sua promessa de otimizar a mobilidade e a acessibilidade ao principal portão de entrada e saída do Brasil. O sucesso do Aeromovel será um testemunho da capacidade de superação e inovação em grandes projetos de infraestrutura do país.
Perguntas frequentes sobre o Aeromovel
O que é o Aeromovel e qual seu objetivo principal?
O Aeromovel é um sistema de monotrilho que conectará a Estação Aeroporto-Guarulhos da Linha 13-Jade da CPTM diretamente aos terminais do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Seu objetivo principal é oferecer um transporte rápido, eficiente e moderno para passageiros e funcionários, eliminando a dependência de ônibus para o translado interno no aeroporto.
Qual é a tecnologia por trás do Aeromovel?
A tecnologia do Aeromovel baseia-se na propulsão pneumática. Isso significa que o veículo é movimentado por ar pressurizado, injetado por ventiladores de alta eficiência energética na via elevada. O ar empurra ou puxa uma placa de propulsão acoplada ao veículo, que se desloca sobre trilhos.
Por que o Aeromovel teve tantos atrasos na entrega?
O projeto sofreu atrasos devido a questionamentos iniciais do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a viabilidade do modal, que levaram à paralisação das obras. Posteriormente, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) identificou pendências nos sistemas de automação, controle e operação do trem, consideradas graves e impedindo sua liberação para o público geral, acumulando quase dois anos de atraso em relação à previsão original.
Quando o Aeromovel estará disponível para o público geral?
Até o momento, o projeto segue sem uma previsão oficial de entrega para o público geral. O sistema está em fase de testes e operação controlada com passageiros convidados e funcionários. A plena operação dependerá da conclusão das etapas finais de certificação e da aprovação dos órgãos reguladores, como a Anac.
Para mais informações sobre a evolução deste importante projeto de infraestrutura e como ele impactará sua próxima viagem, acompanhe as atualizações oficiais e prepare-se para uma nova forma de chegar ao Aeroporto de Guarulhos!
Fonte: https://g1.globo.com

