O Tribunal do Júri de São Paulo proferiu uma sentença contundente nesta quarta-feira (28), condenando um homem a 27 anos e 9 meses de prisão por tentar assassinar a ex-companheira em Charqueada, interior paulista. O brutal ataque, realizado com golpes de martelo na cabeça da vítima, configurou uma tentativa de feminicídio em contexto de violência doméstica e familiar, e ocorreu sob o olhar da filha do casal, então com apenas 6 anos.

A gravidade do crime e as circunstâncias chocantes, que incluíram a confissão do réu atribuindo o ato ao 'diabo', mobilizaram a justiça. A decisão reflete o compromisso em combater a violência de gênero e proteger as vítimas, em um caso que deixou não apenas sequelas físicas permanentes na mulher agredida, mas também um profundo trauma em toda a família.

A Sentença e os Agravantes Determinantes

A pena imposta pelos jurados foi rigorosa, ultrapassando os 27 anos de reclusão. A condenação por tentativa de feminicídio foi ampliada pela presença de agravantes cruciais, que pesaram significativamente na dosimetria da pena. Entre eles, destacam-se o fato de a vítima ser mãe de uma criança e a agressão ter acontecido na presença da filha, evidenciando o impacto psicológico que o crime causou na menor.

Os jurados também consideraram o uso de meio cruel, que potencializou o sofrimento da vítima, e o recurso que dificultou sua defesa, visto que o ataque foi inesperado e violento. A Polícia Civil, durante as investigações, acessou um áudio perturbador enviado pelo agressor a familiares, no qual ele confessava o ato, alegando ter 'perdido a cabeça' após a ex-companheira mencionar outro homem, e de forma chocante, atribuindo a culpa a uma suposta influência demoníaca: 'O diabo mostrou um martelo para mim no escuro lá, eu fiz a cagada'.

A Cronologia da Agressão e a Persistência da Violência

O episódio de violência ocorreu em 12 de março de 2025 (sic), quando o homem, então com 43 anos, atacou a mulher, de 51. O casal havia mantido um relacionamento por aproximadamente 12 anos, mas já estava separado havia oito. Apesar da separação, o agressor mantinha um padrão de invadir a residência da ex-companheira sem o seu consentimento, comportamento que culminou no trágico dia.

No dia do crime, ele retornou à casa. Ao ser confrontado com a recusa da mulher em reatá-lo e a notícia de que ela havia iniciado um novo relacionamento, o homem desencadeou a agressão. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), ele desferiu múltiplos golpes de martelo na cabeça da vítima. A fúria não cessou nem mesmo após a mulher cair ao chão; as agressões continuaram até que ela ficasse inconsciente na calçada de sua própria casa. Vizinhos foram os primeiros a prestar socorro, enquanto o agressor fugiu, sendo posteriormente convencido a se entregar às autoridades.

As Marcas Indeléveis e as Sequências Permanentes

A vítima sobreviveu à brutalidade do ataque graças ao rápido atendimento médico. Socorrida em estado grave e encaminhada à Santa Casa de Piracicaba, ela foi submetida a uma complexa cirurgia devido às graves fraturas no crânio e no rosto. A recuperação foi longa e dolorosa, mas, infelizmente, não sem deixar marcas profundas.

De acordo com o MP-SP, a mulher permaneceu internada em estado delicado e agora convive com sequelas físicas permanentes que impactam diretamente sua qualidade de vida. Entre elas, destacam-se o comprometimento do lado direito do rosto, uma acentuada dificuldade para abrir a boca e uma alteração significativa na articulação temporomandibular, evidenciando o custo físico e emocional da violência sofrida.

A Relevância da Condenação no Combate ao Feminicídio

A condenação do agressor envia uma mensagem clara sobre a intolerância da justiça brasileira contra a violência de gênero. Conforme salientou o promotor Aluísio Maciel Neto ao oferecer a denúncia, 'delitos dessa natureza causam traumas e sequelas irreparáveis para familiares e amigos das vítimas, bem como provocam grande instabilidade social, comoção e medo na população em geral'.

Este veredito reforça a importância da legislação de feminicídio e a necessidade de a sociedade e as instituições se unirem para proteger mulheres e crianças da violência doméstica. É um passo significativo para garantir que atos tão bárbaros não permaneçam impunes, oferecendo um mínimo de reparação e justiça às vítimas e suas famílias, e contribuindo para a construção de um ambiente mais seguro para todos.

Fonte: https://g1.globo.com

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