A Argentina encerrou o ano de 2025 com um marco significativo em sua trajetória econômica, registrando superávit fiscal primário e financeiro pelo segundo ano consecutivo. A notícia, confirmada pelo ministro da Economia, Luis Caputo, não apenas sublinha um período de crescente disciplina fiscal, mas também destaca que o país conseguiu superar as metas estabelecidas em seu programa com o Fundo Monetário Internacional (FMI), sinalizando uma robusta recuperação nas contas públicas e um reforço na credibilidade econômica nacional.
Desempenho Fiscal Histórico e Consolidado
Conforme divulgado pelas autoridades econômicas, o setor público nacional alcançou um superávit primário de 11,77 trilhões de pesos e um superávit financeiro de 1,45 trilhão de pesos ao final de 2025. Esses valores representam, respectivamente, cerca de 1,4% e 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) argentino. O feito é ainda mais notável ao considerar que é a primeira vez desde 2008 que a Argentina obtém dois anos consecutivos de superávit financeiro em base caixa. Este resultado foi alcançado mesmo após o pagamento integral dos serviços da dívida pública, demonstrando um compromisso firme com a solvência financeira do país.
Superação dos Compromissos com o FMI
A performance fiscal argentina não apenas atingiu, mas ultrapassou as expectativas delineadas no acordo com o FMI. A meta nominal de superávit primário acordada após a primeira revisão do programa era de aproximadamente 10,4 trilhões de pesos. O país superou esse objetivo em cerca de 1,3 trilhão de pesos, reforçando a confiança na gestão econômica. Embora a meta indicativa do FMI em termos de PIB fosse de 1,6%, ligeiramente acima dos 1,4% registrados, a avaliação predominante no mercado e entre analistas financeiros é de que o compromisso será considerado cumprido na próxima revisão, prevista para fevereiro, dada a significativa superação em termos nominais.
Disciplina Orçamentária e Manutenção Social
A conquista do superávit é reflexo de uma rigorosa política de controle de gastos. O ministro Caputo informou que o gasto primário em 2025 foi 27% menor em termos reais na comparação com 2023. Essa redução orçamentária foi estratégica e não comprometeu o apoio aos segmentos mais vulneráveis da população. Ao contrário, o governo conseguiu preservar e até ampliar programas sociais essenciais, como o Auxílio Universal por Filho e o Cartão Alimentar, cujos gastos apresentaram um crescimento real de 43% entre dezembro de 2023 e dezembro de 2025, evidenciando uma gestão que combina austeridade com responsabilidade social.
A Dinâmica Fiscal de Dezembro
Apesar do balanço anual amplamente positivo, o mês de dezembro de 2025 registrou um déficit primário de 2,88 trilhões de pesos e um déficit financeiro de 3,29 trilhões de pesos. Contudo, essa ocorrência é vista como alinhada à sazonalidade dos gastos públicos, onde despesas tendem a ser mais elevadas no final do ano, e não obscurece o desempenho consolidado que levou ao superávit pelo segundo ano consecutivo. O resultado de dezembro reflete a dinâmica típica do fechamento de contas do setor público.
O duplo superávit fiscal e a superação das metas do FMI representam um passo crucial para a estabilização econômica da Argentina e para a restauração de sua credibilidade internacional. Esses resultados reforçam a trajetória de ajuste fiscal e consolidam um cenário de maior previsibilidade para os investidores e para a própria população, pavimentando o caminho para um crescimento sustentável e a mitigação dos desafios econômicos persistentes que o país enfrenta.
Fonte: https://jovempan.com.br

