Um caso de perseguição envolvendo um professor da Escola Técnica Estadual (Etec) de Cubatão, litoral de São Paulo, resultou no afastamento do docente após um ex-aluno utilizar um método inusitado para desvendar a autoria de mensagens com teor sexual. O jovem, que cursou a instituição entre 2023 e 2024, descobriu a identidade do assediador ao simular uma transferência Pix de apenas um centavo para um número desconhecido, que revelou o nome do professor. A Polícia Civil já está investigando o caso, enquanto o Centro Paula Souza (CPS), responsável pela Etec, confirmou o afastamento preventivo do envolvido.
As Primeiras Mensagens e a Descoberta Inusitada
As primeiras mensagens de cunho sexual, descrevendo o estudante como “lindo” e “gostoso”, começaram a chegar via WhatsApp em maio de 2023, durante o último ano do jovem na Etec. Inicialmente, o estudante não deu grande importância aos contatos anônimos, mas a insistência e a natureza das mensagens o motivaram a buscar uma forma de identificar o remetente. Foi então que ele pesquisou métodos para descobrir o proprietário de um número de telefone e encontrou a sugestão de simular uma transferência Pix.
O procedimento é simples: ao tentar enviar qualquer valor (mesmo que simbólico, como R$ 0,01) para uma chave Pix cadastrada como número de telefone, o aplicativo de pagamentos exibe o nome completo do titular da conta antes da confirmação final. Para a surpresa do ex-aluno, o nome que apareceu na tela era o de um de seus professores. Diante da chocante revelação, o jovem bloqueou o contato imediatamente.
A Persistência do Assédio e a Busca por Ajuda Institucional
Ainda que o primeiro contato tenha sido bloqueado, a perseguição não cessou. Meses após a primeira descoberta, o ex-aluno recebeu novas mensagens do mesmo teor, desta vez de outro número desconhecido. Suspeitando que se tratava da mesma pessoa, ele repetiu o procedimento de simulação Pix e, mais uma vez, confirmou que o autor das mensagens era o mesmo professor. Desta vez, o jovem decidiu formalizar a denúncia diretamente à direção da Etec de Cubatão.
A instituição de ensino, ao receber a denúncia, realizou uma verificação interna e constatou que a parte do Cadastro de Pessoa Física (CPF) vinculada à chave Pix correspondia aos dados cadastrais do docente. O estudante foi então orientado a registrar um Boletim de Ocorrência (BO) e a formalizar a denúncia em um canal oficial do governo estadual. Contudo, a formalização completa da denúncia não foi concluída de imediato.
A Escalada para a Polícia
Apesar das denúncias e bloqueios, o assédio persistiu. No último domingo (7), o ex-aluno foi novamente contatado, agora por meio do aplicativo Telegram, por um número que trazia o nome do professor. As mensagens continuavam com teor sexualmente sugestivo, o que levou o jovem a finalmente registrar o Boletim de Ocorrência. No registro policial, ele destacou que a insistência nos contatos, apesar das repetidas tentativas de bloqueio, tem causado constrangimento, desconforto e uma constante sensação de insegurança.
As Respostas Institucionais e a Investigação em Curso
Em resposta aos acontecimentos, o Centro Paula Souza (CPS) emitiu uma nota informando o afastamento cautelar do professor de suas atividades até a conclusão de uma apuração preliminar do caso. O CPS afirmou que, ao tomar conhecimento dos fatos, a direção da Etec de Cubatão prestou acolhimento ao ex-aluno e o orientou sobre os próximos passos legais. A denúncia já foi encaminhada para a Controladoria Geral do Estado, órgão responsável por investigar condutas irregulares de servidores públicos.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) confirmou que o caso está sob investigação pelo 3º Distrito Policial (DP) de Cubatão. A pasta ressaltou que diligências estão sendo realizadas para o total esclarecimento dos fatos e que detalhes adicionais serão preservados para garantir a autonomia do trabalho policial. O Centro Paula Souza, por sua vez, reiterou seu repúdio a “toda e qualquer forma de assédio dentro e fora de suas unidades”, destacando a existência de uma Comissão Permanente de Orientação e Prevenção contra o Assédio Moral e Sexual, dedicada à capacitação de profissionais e à conscientização da comunidade acadêmica sobre o respeito irrestrito aos direitos civis.
Conclusão
O caso em Cubatão expõe a vulnerabilidade de ex-alunos diante de situações de assédio e a criatividade necessária para desvendar a identidade de agressores em meios digitais. A coragem do jovem em buscar a verdade e denunciar a perseguição é fundamental para que as instituições, como o Centro Paula Souza e a Polícia Civil, possam atuar com a rigorosidade necessária. A comunidade acadêmica agora acompanha o desenrolar das investigações e as medidas que serão tomadas para garantir um ambiente seguro e livre de assédio para todos.
Fonte: https://g1.globo.com

