Compradores de imóveis da Construtora Pafil em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, enfrentam uma situação de grande frustração e prejuízos financeiros devido a atrasos significativos na entrega de seus apartamentos. Adquiridos na planta, esses empreendimentos, localizados em diferentes pontos da cidade, apresentam ritmo lento nas obras ou estão completamente paralisados, transformando o sonho da casa própria em um pesadelo de incertezas e planos adiados. A dificuldade de comunicação com a construtora agrava o cenário, deixando os clientes sem respostas claras e com a sensação de abandono.
Detalhes das Reclamações e Impactos para Clientes
As denúncias de descumprimento de prazos se estendem por diversas regiões de Ribeirão Preto, afetando desde estruturas em fase inicial de construção até torres que deveriam estar prontas para morar. A paralisação ou lentidão das obras gera não apenas perdas financeiras diretas, mas também um impacto profundo no planejamento de vida dos compradores.
Zona Norte: Promessas Não Cumpridas
No Jardim Heitor Rigon, Zona Norte, edifícios situados na Avenida Ernesto Guevara Lã Serna, que tinham previsão de entrega para abril, permanecem visivelmente inacabados. A estrutura carece de janelas, as sacadas estão desprotegidas e a portaria ainda não foi finalizada. Paulo Sérgio da Silva, um dos compradores, adquiriu seu apartamento em abril de 2023, com data contratual para outubro de 2025. Ele investiu R$ 35 mil no imóvel e, diante da falta de progresso e de retorno da construtora, acionou a Justiça em junho, buscando a rescisão do contrato e a devolução integral dos valores pagos. A situação representa uma perda de capital que poderia ser investido de outra forma.
Zona Sul: Preocupações e Incapacidade de Planejamento
Na Zona Sul, o cenário não é diferente. No Jardim Olhos d'Água, em um residencial com três blocos, imagens aéreas revelam que apenas um deles exibe algum avanço significativo. Gabriele de Oliveira, que planejava casar e mudar-se para o local em fevereiro com seu noivo, expressa a incerteza que paira sobre seus planos. A auxiliar administrativa Simone Souza, que adquiriu um imóvel no mesmo empreendimento em 2024 com promessa de entrega em 2025 e já quitou o valor, relata que a obra foi parada sem qualquer aviso ou justificativa. Outro empreendimento na Zona Sul, localizado no cruzamento das Avenidas Professor João Fiúsa e Caramuru, também é alvo de queixas. Previsto para iniciar em 2024, as atividades só começaram no início deste ano e foram interrompidas após apenas cinco meses. Clientes desses empreendimentos relatam ter desembolsado entre R$ 30 mil e R$ 80 mil de entrada, além das parcelas de financiamento, para imóveis com previsão contratual de conclusão em junho de 2027, com tolerância de até dezembro de 2027.
A Busca por Justiça e Reparação
Diante da persistência dos atrasos e da falta de solução amigável, um número crescente de clientes tem recorrido à Justiça. O advogado Felipe Tonelli, que representa ao menos 50 compradores prejudicados pela Pafil, explica as duas principais vias de ação judicial disponíveis. Os clientes podem optar por uma indenização mensal, calculada em 1% do valor total pago pelo imóvel, referente ao período em que não puderam usufruir da propriedade. Alternativamente, é possível solicitar a rescisão do contrato, exigindo a devolução integral de todos os valores gastos, incluindo taxas e multas contratuais, buscando assim ressarcimento completo pelos prejuízos.
O Posicionamento da Construtora Pafil
Em resposta às acusações, a Construtora Pafil emitiu esclarecimentos sobre a situação de seus empreendimentos, apresentando justificativas para os desafios enfrentados nos cronogramas e detalhando os próximos passos para as obras.
Obras na Avenida Caramuru e Cronograma Contratual
Especificamente sobre o empreendimento 'Fiúsa 016', na Avenida Caramuru, a Pafil Empreendimentos informou que a retomada das obras está programada para setembro de 2026. A construtora defende que este projeto se encontra dentro do prazo contratual vigente, que estipula a conclusão em junho de 2027, com uma tolerância de 180 dias, estendendo o limite até dezembro de 2027. Sendo assim, a empresa afirma que não há, contratualmente, um atraso caracterizado para este empreendimento.
Contexto e Justificativas para os Atrasos
De modo geral, a construtora atribui os impactos observados nos cronogramas a diversos fatores. Entre eles, destacam-se questões relacionadas à contratação da operação de financiamento junto à Caixa Econômica Federal, que inclui trâmites de liberação de recursos. Além disso, a Pafil menciona condições gerais de fornecimento de insumos, materiais e serviços como um complicador. A empresa ressalta que o envolvimento da Caixa no financiamento amplia o controle e a segurança para os compradores, indicando uma supervisão externa sobre o andamento dos projetos.
Situação dos Demais Empreendimentos na Zona Sul
Quanto aos outros empreendimentos da Zona Sul que foram alvo de reclamações, a assessoria da Pafil detalhou seus status. Um dos residenciais apresenta 87% das obras concluídas e segue com andamento normal. Os outros dois empreendimentos, com 65% de execução física, têm suas obras agendadas para serem retomadas no decorrer do mês atual, segundo a construtora, buscando minimizar os impactos dos atrasos anteriores e cumprir os novos cronogramas estabelecidos.
A situação dos compradores da Pafil em Ribeirão Preto ilustra a complexidade e os riscos inerentes à aquisição de imóveis na planta. Enquanto a construtora apresenta justificativas e planos de retomada, os clientes continuam a sentir o peso dos atrasos em suas finanças e planejamentos de vida, muitos deles buscando reparação legal. O caso evidencia a necessidade de maior transparência e comunicação eficaz entre construtoras e consumidores, bem como a importância da fiscalização dos contratos para garantir que os sonhos da casa própria não se transformem em uma fonte de transtornos e incertezas prolongadas.
Fonte: https://g1.globo.com

