O Brasil reafirmou sua relevância no cenário internacional de privacidade e segurança digital ao sediar o VII Congresso Nacional dos Profissionais de Privacidade de Dados (CNPPD 2026). Realizado na UNIP Campus Norte, em São Paulo, nos dias 08 e 09 de maio, o evento reuniu uma série de especialistas de diversas nações para abordar os complexos desafios da era digital. Em um contexto de acelerada transformação tecnológica e crescente número de conflitos cibernéticos, o congresso serviu como um palco crucial para debater temas urgentes como Inteligência Artificial, proteção de dados pessoais, combate à desinformação e a fundamental soberania digital. Organizado pela APDADOS – Associação Nacional dos Profissionais de Privacidade de Dados, o encontro se estabeleceu como um dos maiores da América Latina, fomentando uma valiosa troca de experiências e estratégias entre profissionais brasileiros e seus pares internacionais.
Diálogos Globais para Desafios Sem Fronteiras
A natureza transnacional das ameaças digitais foi um ponto central nas discussões do CNPPD 2026. Ataques cibernéticos, vazamentos de dados, espionagem digital e o uso desvirtuado da Inteligência Artificial são preocupações que transcendem fronteiras, exigindo uma cooperação robusta entre países, instituições acadêmicas, empresas e especialistas. Neste espírito de colaboração, o congresso proporcionou um panorama diversificado sobre as abordagens e desafios regulatórios em diferentes partes do mundo, demonstrando a importância de uma visão integrada para o avanço da privacidade e segurança de dados em escala global.
Perspectivas Africanas: O Cenário Angolano da Proteção de Dados
Um dos painéis internacionais de destaque trouxe a experiência de Angola, apresentada pelo Eng. António Pessoa Weya, Diretor de Tecnologia da Agência de Protecção de Dados (APD). Sua palestra detalhou a evolução da Lei de Protecção de Dados Pessoais (LPDP) angolana e os obstáculos enfrentados por organizações no continente africano. A discussão sublinhou a necessidade premente de fortalecer as estruturas de governança e segurança digital em nações em desenvolvimento, enfatizando como a colaboração internacional é vital para impulsionar a privacidade de dados e resiliência digital nessas regiões.
Combate à Desinformação na Era da Inteligência Artificial
A Argentina esteve representada por Eugenio Diaz, do CECyD – Centro de Estudios en Ciberseguridad y Datos, e Gustavo Segré, da Revista Oeste, que participaram de um painel focado nos desafios da desinformação, fake news e manipulação de informações. Com o avanço das tecnologias generativas de Inteligência Artificial, a circulação massiva de conteúdos digitais impacta profundamente governos, empresas e a sociedade. Os especialistas argentinos reforçaram a urgência de regulamentações atualizadas e a criação de mecanismos eficazes de educação digital para combater campanhas de desinformação cada vez mais sofisticadas e perigosas.
Avanços e Sinergias na Proteção de Dados Latino-Americana
O Painel Internacional Chile ofereceu uma análise aprofundada do panorama de proteção de dados e cibersegurança no país, com a participação de Marcelo Drago, Presidente da AGPD Chile – Asociación de Profesionales en Protección de Datos Personales. A discussão abordou os avanços regulatórios chilenos, as dificuldades na implementação de políticas de privacidade e a imperativa integração entre proteção de dados, cibersegurança e governança digital. Este debate reafirmou que os países latino-americanos frequentemente compartilham desafios semelhantes, e que a troca de experiências regionais é fundamental para o desenvolvimento de políticas mais maduras e eficientes em toda a América Latina.
Liderança Brasileira e o Papel Estratégico de Davis Alves
Um dos nomes de destaque no congresso foi o Prof. Davis Alves, que atuou na moderação e como uma das principais referências brasileiras em proteção de dados, Inteligência Artificial e cibersegurança. Reconhecido por seu pioneirismo no Brasil, Alves foi instrumental na formação de grande parte dos Data Protection Officers (DPOs) que hoje atuam no mercado nacional. Como Presidente da APDADOS, ele lidera importantes iniciativas que visam disseminar a cultura da privacidade e fortalecer tecnicamente os profissionais da área. Sua influência se estende além das fronteiras, com projetos e pesquisas nos Estados Unidos focados em Inteligência Artificial e governança digital, conectando os debates internacionais mais avançados com as necessidades práticas enfrentadas pelas organizações brasileiras.
Fonte: https://jovempan.com.br

