A morte da técnica em radiologia Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, em Embu das Artes, Grande São Paulo, ganha contornos cada vez mais sombrios e complexos. O laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML) revelou detalhes chocantes sobre o falecimento da jovem, ocorrido no último domingo (6), apontando não apenas um ferimento fatal por arma de fogo na cabeça, mas também a presença de <b>19 outras lesões espalhadas pelo seu corpo</b>. O principal suspeito é seu marido, o soldado da Polícia Militar Vinicius Silva, de 26 anos, que está preso enquanto a Polícia Civil investiga o caso como feminicídio, já tendo afastado a hipótese de suicídio inicialmente alegada por ele.

Revelações Periciais: Além do Disparo Fatal

O documento pericial, crucial para a elucidação do crime, descreve a existência de diversas lesões externas no corpo de Larissa. Foram identificadas equimoses e escoriações em áreas como pálpebras, mão, pés, joelhos, perna e quadril. A presença desses múltiplos machucados intriga a investigação, que agora busca determinar quando e como essas 19 lesões foram causadas, adicionando uma camada de violência que precede ou acompanha o disparo fatal.

A Dinâmica do Disparo e a Contradição da Versão Inicial

Detalhes cruciais da análise balística derrubaram a versão de suicídio apresentada pelo PM Vinicius. O Instituto de Criminalística (IC) concluiu que o tiro que vitimou Larissa não foi disparado à queima-roupa, mas sim a uma certa distância, atingindo-a pelas costas enquanto ela estava em pé. A trajetória da bala, que cruzou da esquerda para a direita, tornou a tese de autoextermínio ainda menos provável, especialmente considerando que Larissa era destra. A causa da morte foi traumatismo craniano provocado por ferimento de arma de fogo, sendo a pistola usada no crime pertencente a Vinicius e encontrada sob o corpo da vítima.

Novas Ferramentas na Reconstituição do Crime

Para aprofundar a investigação, peritos da Polícia Técnico-Científica realizaram uma nova perícia no imóvel do casal na última sexta-feira (11). Nesta etapa, foram empregadas tecnologias avançadas: um scanner 3D foi utilizado para reproduzir o ambiente detalhadamente, permitindo a análise precisa de posições, alturas e a trajetória exata do disparo. Além disso, o luminol, substância que revela vestígios de sangue não visíveis a olho nu, foi aplicado para identificar possíveis outras evidências que possam complementar o cenário do crime e corroborar as provas.

O Depoimento do PM e as Acusações Familiares

No dia da morte, Vinicius chamou a polícia e alegou que, após um pedido de separação feito por ele, Larissa teria se apossado de sua arma e cometido suicídio. Contudo, essa versão é veementemente contestada pela família da vítima. Parentes de Larissa relataram aos investigadores um histórico de ciúmes excessivos, comportamento possessivo, agressões e ameaças por parte do policial. Adicionalmente, levantaram a suspeita de motivação patrimonial, visto que Larissa havia recebido imóveis de herança e sua morte poderia resultar na transferência desses bens para Vinicius, embora o policial negue as acusações.

A Irmã do Suspeito sob Investigação por Fraude Processual

A complexidade do caso se estende à irmã de Vinicius, Thamires Matias, de 19 anos, que também está sendo investigada por suspeita de fraude processual. A divergência entre os depoimentos dos irmãos — Vinicius afirmando que Thamires não estava na residência e Thamires declarando que sim — levantou suspeitas. Em decorrência disso, ela foi alvo de busca e apreensão e entregou seu celular para perícia. A investigação aponta que estavam na casa, no momento dos fatos: Larissa, Vinicius, o filho de dois anos do casal e a própria Thamires.

A Polícia Civil aguarda os resultados completos dos exames periciais para confirmar as versões e, então, prosseguir com os interrogatórios formais e possíveis indiciamentos de Vinicius e Thamires pelos crimes investigados. O caso segue em aberto, com as autoridades empenhadas em esclarecer a verdade por trás da trágica morte de Larissa Morata.

Fonte: https://g1.globo.com

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