O Trágico Acidente e Suas Consequências Devastadoras
Atropelamento e Impacto nas Vítimas
O atropelamento que resultou na morte de Guilherme da Silva Maia e deixou sua mãe gravemente ferida ocorreu em 1º de janeiro. O incidente, capturado por câmeras de segurança, teve lugar na Rua Professor Felisberto Almada, um trecho crucial de acesso à Rodovia José Fregonezi, na direção de Ribeirão Preto. As imagens revelam o momento exato em que um veículo, de forma abrupta e inesperada, saiu da pista e atingiu mãe e filho pelas costas, enquanto caminhavam pelo acostamento. A brutalidade do impacto e a vulnerabilidade das vítimas, pegas de surpresa, chocaram a comunidade e as autoridades.
Após o acidente, as vítimas foram prontamente socorridas e encaminhadas à Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas (HC-UE). Guilherme, de apenas seis anos, foi internado no Centro de Terapia Intensiva Pediátrica (CTI) em estado gravíssimo. Apesar dos esforços da equipe médica, o menino não resistiu aos ferimentos e teve sua morte confirmada neste domingo, mergulhando a família e a comunidade em luto profundo. Sua mãe, Eliene de Santana Maia, de 33 anos, também sofreu ferimentos extremamente graves, incluindo múltiplas fraturas nas pernas, na bacia, em um braço e no rosto, e segue internada, lutando pela recuperação.
A Fuga e a Apresentação do Motorista
Testemunhas presentes em um posto de combustíveis próximo ao local do acidente relataram à polícia que tentaram alertar o motorista sobre o ocorrido, mas ele ignorou os chamados e continuou sua fuga em direção a Ribeirão Preto, sem prestar socorro às vítimas. A atitude do condutor intensificou a revolta e a indignação, configurando um caso de omissão de socorro, uma das circunstâncias que mais afligem as famílias de vítimas de trânsito.
Dois dias após o atropelamento, no fim da tarde de sexta-feira, 2 de janeiro, o motorista suspeito, de 25 anos, apresentou-se à Polícia Civil. Em depoimento, ele negou ter consumido bebida alcoólica antes de dirigir, mas alegou que se distraiu com a central multimídia do veículo no momento da colisão. Além disso, o motorista afirmou que, no instante do impacto, pensou ter atingido um guard-rail e, por essa razão, decidiu ir embora sem prestar auxílio. Após prestar esclarecimentos, o condutor foi liberado, uma decisão que gerou mais questionamentos e revolta entre os moradores e a família das vítimas, que clamam por uma investigação rigorosa e justiça.
A Voz da Comunidade e a Luta por Justiça
O Grito de Alerta da População
A trágica perda de Guilherme, somada aos graves ferimentos de sua mãe, foi a gota d’água para a comunidade de Bonfim Paulista. No domingo, após a confirmação do falecimento da criança, um grupo de moradores organizou um protesto em frente a um posto de combustíveis, próximo ao local da tragédia. A manifestação, que durou cerca de uma hora, foi um grito de alerta e um pedido desesperado por justiça e segurança. Os presentes ergueram faixas, entoaram palavras de ordem e expressaram sua dor e revolta, clamando por punição ao responsável e por medidas urgentes das autoridades públicas para melhorar a segurança do trânsito na região.
A diarista Carla Renata Sanchez, uma das participantes do protesto, expressou a indignação generalizada: “É muita imprudência. A gente mora há anos aqui e nem todo mundo tem condições de um transporte, tem que descer aqui a pé e os carros não respeitam. É muita imprudência e o jeito que a gente viu que o Guilherme e a mãe foram atropelados, e ele ainda fugiu, é muita falta de respeito com a vida humana”, desabafou. Sua fala reflete o sentimento de vulnerabilidade e desamparo de pedestres que se veem obrigados a conviver diariamente com os riscos impostos por um tráfego desordenado e irresponsável.
Exigências por Melhorias e Segurança
A jardineira Bruna Cassiano, também presente na manifestação, reforçou a gravidade da situação. Ela descreveu o trânsito na região como “muito ruim” e ressaltou os perigos enfrentados, inclusive por crianças. Bruna, que faz o percurso a pé todos os dias para levar o filho à escola, clama por soluções mais eficazes. “Aqui tinha que ter no mínimo um pontilhão para as crianças poderem atravessar”, reivindicou, apontando uma das principais demandas da comunidade: infraestrutura segura para pedestres, especialmente em áreas de grande fluxo de veículos e onde escolas estão localizadas. A ausência de passarelas ou travessias elevadas força os pedestres a se arriscarem em meio a carros em alta velocidade, expondo-os a riscos iminentes de acidentes.
Problemas Estruturais do Trânsito e Soluções Propostas
Vias Perigosas e Falta de Infraestrutura Adequada
O trecho onde Eliene e Guilherme foram atropelados não é um ponto isolado de perigo. A região é alvo constante de reclamações por parte dos moradores, que alertam para a insuficiência da estrutura viária frente ao crescimento acelerado dos bairros no distrito de Bonfim Paulista. Com o aumento populacional e a expansão urbana, as vias existentes, muitas delas projetadas para um fluxo menor ou para características de rodovia, tornaram-se inadequados para atender tanto aos veículos quanto às pessoas que se deslocam a pé. Em inúmeros pontos, como o local do trágico acidente, não há sequer um espaço adequado e seguro para que os pedestres possam transitar, forçando-os a caminhar em acostamentos ou na beira da pista, em contato direto com o tráfego.
Rodrigo Paschoaloto, advogado especialista em trânsito, analisa que o fato de a Rodovia José Fregonezi cortar uma área urbana já exige, por si só, adaptações significativas para garantir a segurança dos pedestres. Tais adaptações vão muito além da simples sinalização. “Aqui, só a placa indicando a travessia do pedestre já está errada. Porque não pode se colocar faixa de passagem para pedestres em uma rodovia. Tem que fazer a transposição de uma outra forma que não seja no mesmo nível. Não pode um veículo a 60 km/h, 80km/h, encontrar um pedestre atravessando. Vai provocar acidentes tanto para o carro quanto para o pedestre”, explica o especialista. Ele enfatiza a necessidade de calçamentos próprios, passarelas ou outras formas de travessia que separem fisicamente os pedestres do fluxo de veículos de alta velocidade, um contraste gritante com a realidade vivenciada em Bonfim Paulista.
Clamor por Fiscalização e Melhorias Urgentes
Luiz Cesar Gomes da Silva, fiscal de patrimônio em um shopping e morador da região, confirma os riscos diários, principalmente devido à alta velocidade dos carros. “Procuro andar pelo acostamento e procuro sempre olhar dos dois lados da avenida, que é bem movimentada. É muito perigoso”, descreve. Ele relata a dificuldade para atravessar a pista, muitas vezes precisando esperar até 20 minutos devido ao tráfego intenso. Suas observações ecoam as demandas da comunidade por mais fiscalização, melhor sinalização e um planejamento viário mais eficiente. “Poderia ter mais fiscalização. Tinha uma rotatória, eles cortaram e colocaram bem lá em cima [em outro trecho]. Deveria ter mais sinalização. Para quem atravessa esse pedaço aqui de manhã é muito trânsito. Quem pega essa avenida [rodovia] para atravessar para o outro lado não consegue atravessar”, complementa, ilustrando o caos diário enfrentado pelos pedestres.
O vendedor Nathan Rafael também se queixa das condições precárias para pedestres, apontando como agravantes a presença constante de veículos grandes, como ônibus e caminhões, que passam muito perto, e a iluminação deficitária durante a noite. “Não tem uma forma que não seja atravessando pela pista, o que deixa sempre mais perigoso ainda para a gente. (…) Ônibus, caminhão que passa, sempre passa muito perto, sempre deixando risco para o pedestre, cada vez com mais medo de passar”, reclama. A comunidade de Bonfim Paulista, unida pela dor da perda e pela urgência de garantir a segurança de seus cidadãos, exige que as autoridades respondam com ações concretas e transformadoras para evitar que tragédias como a de Guilherme e sua mãe voltem a se repetir. A pressão popular é um chamado direto para que a segurança no trânsito se torne uma prioridade absoluta na agenda pública.
Fonte: https://g1.globo.com

