A pacata rotina de Bonfim Paulista, distrito de Ribeirão Preto (SP), foi abruptamente interrompida no último sábado (25) por uma tragédia que chocou a comunidade. Antônio dos Santos Puga, um caminhoneiro de 71 anos, perdeu a vida após uma briga com um vizinho, um conflito que, segundo a família, teve origem em reclamações sobre o barulho e a fumaça de seu veículo de trabalho. O caso, inicialmente registrado como homicídio pela Polícia Civil, mobiliza agora a busca por justiça por parte dos familiares.

O Conflito que Culminou em Tragédia

A sobrinha da vítima, Tatiele Fernanda Martins de Carvalho, revelou que o caminhão de Antônio, essencial para seu sustento, era há tempos alvo de descontentamento por parte do vizinho. As queixas frequentes, motivadas pelo ruído e pela emissão de fumaça, especialmente nos horários de saída de madrugada ou retorno tardio das viagens, criaram um histórico de tensão entre os dois. Segundo a família, o veículo estacionado próximo à residência do vizinho era o pivô de discussões anteriores.

A escalada dramática ocorreu na manhã do último sábado. Após Antônio ligar o veículo para mais uma viagem, a fumaça resultante teria invadido a residência do vizinho, que reagiu agressivamente. Segundo relatos de Tatiele, o homem utilizou uma mangueira para jogar água em Antônio, desencadeando uma luta corporal. Familiares apontam que, durante o embate, o vizinho teria segurado Antônio pelo pescoço, levando-o a uma queda que precedeu seu mal-estar fatal. A causa exata da morte, contudo, ainda depende de confirmação pericial.

A Perda de Antônio e o Clamor por Justiça

Antônio dos Santos Puga era descrito por seus entes queridos como uma pessoa de paz, dedicada ao trabalho e à família. Aos 71 anos, ele continuava ativo em sua profissão de caminhoneiro para garantir o sustento de sua esposa, que enfrenta problemas de saúde, e de seus três filhos. Sua morte prematura e violenta deixou um vazio imenso e uma dor indescritível para aqueles que o amavam, que agora se veem em uma situação de vulnerabilidade emocional e financeira.

Em meio ao luto, a família de Antônio, representada por Tatiele, clama por justiça e responsabilização. Eles expressam a firme convicção de que a briga foi a causa direta da morte do caminhoneiro e esperam que o vizinho seja devidamente punido pelo ocorrido. "Por conta de uma fumaça, tirarem a vida do meu tio?", questiona Tatiele, ressaltando o desejo de que a verdade prevaleça e o agressor pague pelo que fez.

A Resposta Policial e os Desafios da Investigação

A Polícia Militar foi acionada ao local do incidente, onde Antônio passou mal e, apesar do socorro em ambulância, veio a óbito. O vizinho foi detido em flagrante, mas, após audiência de custódia, obteve o direito de responder ao processo em liberdade. Em seu depoimento à polícia, o investigado confirmou o confronto físico com Antônio, alegando ter agido em legítima defesa. A apuração inicial foi registrada como homicídio, mas a classificação poderá ser reavaliada.

A Polícia Civil, responsável pela investigação, requisitou exame necroscópico ao Instituto Médico Legal (IML). O laudo pericial é considerado fundamental para determinar a causa oficial da morte e poderá alterar a classificação do caso, fornecendo subsídios técnicos cruciais para a justiça. Um complicador para a investigação foi a forte chuva que impedia a realização da perícia no local no momento da ocorrência, levantando a preocupação de que possíveis evidências pudessem ter sido comprometidas e a necessidade de diligências adicionais para esclarecer os fatos.

Enquanto a família de Antônio dos Santos Puga lida com a dor da perda e a busca por justiça, a Polícia Civil de Ribeirão Preto prossegue com as diligências. A expectativa é que o resultado dos exames periciais traga clareza aos fatos e permita que as responsabilidades sejam devidamente apuradas, garantindo que o desfecho dessa trágica briga receba uma resolução justa e transparente para todos os envolvidos.

Fonte: https://g1.globo.com

Share.

Comments are closed.