A Polícia Civil de Goiás concluiu que a morte da corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, foi um assassinato premeditado, meticulosamente planejado pelo síndico Cleber Rosa de Oliveira, de 49 anos. O desfecho da investigação, que revelou uma emboscada fatal no subsolo de um condomínio em Caldas Novas, interior do estado, foi impulsionado por uma evidência inusitada e crucial: um vídeo gravado pela própria vítima momentos antes do ataque. As imagens, recuperadas de um aparelho celular encontrado 41 dias após o crime, desvendam os últimos instantes de Daiane, que foi alvejada com dois tiros na cabeça. Cleber Rosa de Oliveira, o síndico, encontra-se detido.
A defesa técnica de Cleber, representada pelo escritório Nestor Távora e Laudelina Inácio Advocacia Associada, informou que ainda não teve acesso integral aos documentos recém-inseridos na investigação, incluindo o relatório final policial, e só se manifestará detalhadamente após a análise completa do conteúdo.
O Vídeo Crucial: Prova da Emboscada Premeditada
A recuperação do telefone celular da corretora, que estava escondido em uma caixa de esgoto, foi um divisor de águas na investigação. As imagens e o áudio extraídos do aparelho forneceram uma narrativa clara dos eventos. O delegado André Luiz Barbosa descreveu as evidências como incontestáveis, demonstrando uma "emboscada premeditada" que levou à morte de Daiane.
O conteúdo do vídeo mostra Daiane dirigindo-se ao subsolo para verificar o disjuntor de seu apartamento, que inexplicavelmente estava sem energia. A investigação apontou que o síndico Cleber deliberadamente desligou a energia do imóvel da corretora com o objetivo de atraí-la para o local da armadilha. Daiane e o síndico já vinham acumulando divergências, especialmente após ela assumir a administração de seis imóveis de sua família que anteriormente eram gerenciados por Cleber.
O Ataque Brutal e a Cena do Crime
O áudio do vídeo registra o momento em que Daiane examina os equipamentos elétricos no subsolo, quando um barulho abrupto é ouvido, seguido por um grito da corretora e, então, silêncio. A reconstituição dos fatos pela polícia indica que Cleber aguardava Daiane no subsolo, já com luvas nas mãos e seu veículo posicionado. Ele a interceptou encapuzado, incapacitou-a e a removeu do local.
A perícia e a reconstituição da cena revelaram que Daiane não foi morta no subsolo. Um teste demonstrou que disparos de arma de fogo naquele ambiente seriam ouvidos na portaria do prédio, o que não ocorreu na noite do crime. Testemunhas relataram que a picape de Cleber deixou o condomínio com a capota fechada e retornou cerca de uma hora depois, com a capota aberta, levantando suspeitas sobre o transporte do corpo. A corretora foi executada com dois tiros na cabeça em outro local, antes de seu corpo ser descartado.
A Versão do Síndico Versus as Provas Periciais
Em depoimento, Cleber Rosa de Oliveira teria confessado o crime, mas alegou que a arma disparou acidentalmente, atingindo Daiane na cabeça, após ela o atacar. Contudo, a perícia forense refutou essa versão, confirmando que a vítima foi atingida por dois disparos. Além disso, a análise do local do crime, mesmo com o uso de luminol para detectar vestígios mínimos de sangue, encontrou pouca quantidade, o que é incompatível com a alegação de um tiro acidental durante uma briga, reforçando a tese de que a execução ocorreu em outro lugar.
Desaparecimento, Encontro do Corpo e Envolvimento Familiar
Daiane Alves de Souza desapareceu em 17 de dezembro, após descer ao subsolo de seu prédio em Caldas Novas. Câmeras de segurança registraram seus últimos momentos antes do sumiço. No trajeto até os disjuntores, no elevador, ela chegou a enviar vídeos a uma amiga, mas as comunicações cessaram abruptamente ao chegar ao destino. O corpo da corretora foi encontrado apenas em 28 de janeiro, em uma área de mata às margens da rodovia GO 213, a aproximadamente 15 km da área urbana de Caldas Novas.
No mesmo dia da descoberta do corpo, Cleber Rosa de Oliveira e seu filho, Maicon Douglas de Oliveira, foram presos. A investigação aponta que o síndico revelou ao filho ter assassinado a corretora, e Maicon passou a agir para acobertar o pai e protegê-lo de eventual suspeita. Em audiência de custódia, a Justiça manteve a prisão de ambos. A defesa de Maicon nega qualquer participação ou envolvimento dele no caso.
Próximos Passos Legais
Diante das evidências e da conclusão da investigação, o delegado responsável encaminhará o inquérito ao Ministério Público de Goiás. A solicitação é para que o síndico Cleber Rosa de Oliveira seja denunciado pelos crimes de homicídio doloso, com os agravantes pertinentes, e ocultação de cadáver. O caso prossegue na esfera judicial para a devida responsabilização dos envolvidos.
Fonte: https://jovempan.com.br

