Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (14) o lançamento da segunda fase do plano de paz idealizado pelo ex-presidente Donald Trump para a Faixa de Gaza. Esta etapa ambiciosa visa transformar fundamentalmente o enclave palestino, focando na sua desmilitarização completa e na instauração de um governo tecnocrata. A iniciativa sinaliza um avanço na proposta americana para estabilizar a região, buscando superar os conflitos persistentes e estabelecer novas bases para a governança local, sem a participação do grupo islâmico Hamas.
A Nova Etapa: Governança Tecnocrata e Desarmamento
A fase dois do plano, detalhada por Steve Witkoff, enviado especial do ex-mandatário americano e negociador da proposta, prevê uma transição crítica. Witkoff afirmou nas redes sociais que o objetivo é mover-se do cessar-fogo para a desmilitarização, a governança tecnocrática e a subsequente reconstrução. O cerne desta etapa é a criação de um governo palestino de transição, batizado de Comitê Nacional para a administração de Gaza, que será composto por tecnocratas e operará livre da influência do Hamas. Além disso, a proposta exige a desmilitarização total do território, implicando o desarmamento de todo o pessoal não autorizado, garantindo a segurança e estabilidade da região.
Uma advertência explícita foi dirigida ao Hamas: os EUA esperam o cumprimento integral das obrigações, com destaque para a devolução imediata dos restos mortais do último refém falecido. Witkoff foi enfático ao alertar para “consequências graves” caso a exigência não seja atendida, sublinhando a seriedade com que a administração americana encara a questão.
Balanço da Fase Um: Avanços e Pontos de Tensão
A primeira fase do plano, que havia sido lançada anteriormente, focava em objetivos cruciais para a mitigação do conflito. Seus pilares incluíam a implementação de um cessar-fogo, a libertação de todos os reféns mantidos pelo Hamas e a garantia de entrada de ajuda humanitária vital na Faixa de Gaza. Segundo Steve Witkoff, esta etapa permitiu a entrega de uma “ajuda humanitária histórica”, contribuiu para a manutenção do cessar-fogo e facilitou o retorno de todos os reféns vivos, bem como de 27 dos 28 falecidos.
No entanto, o balanço da fase inicial revela também desafios persistentes e contradições. Apesar dos progressos apontados pelos EUA, ataques israelenses continuaram a ceifar centenas de vidas palestinas, e a não devolução dos restos mortais do último refém pelo Hamas permanece como uma pendência crítica. Este cenário complexo sublinha as dificuldades inerentes à implementação do plano e a fragilidade do processo de paz na região. O enviado de Trump aproveitou para expressar gratidão ao Egito, Turquia e Catar, reconhecendo seu papel fundamental como mediadores entre Israel e Hamas.
O Futuro da Governança e o Desarmamento do Hamas
A composição exata do governo de transição para a Faixa de Gaza, o Comitê Nacional, ainda não foi divulgada pelos Estados Unidos. Sabe-se, contudo, que essa estrutura será supervisionada por um Conselho de Paz, que terá como presidente o próprio Donald Trump, conferindo-lhe uma supervisão direta e influente no processo. Este arranjo levanta questões sobre a autonomia e a aceitação local de tal governança.
Um dos pontos mais sensíveis e intrincados da segunda fase é o desarmamento do Hamas. Em declarações anteriores, o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, havia sinalizado uma possível flexibilidade nesse requisito. Em dezembro, Rubio indicou que o desarmamento poderia ser parcial, e não necessariamente total, desde que o grupo islâmico palestino fosse efetivamente incapacitado de representar uma ameaça futura a Israel. Essa nuance adiciona uma camada de complexidade às negociações e à própria definição de “desmilitarização” no contexto do plano.
Perspectivas e Desafios Adiante
A segunda fase do plano de paz de Donald Trump para Gaza representa uma tentativa audaciosa de redefinir o futuro político e de segurança da região. Ao propor uma governança tecnocrata e a desmilitarização completa, os Estados Unidos buscam estabelecer um novo paradigma. Contudo, a efetivação dessas metas dependerá crucialmente da adesão de todas as partes, incluindo a cooperação do Hamas e a capacidade de superar as profundas divisões e desconfianças que historicamente permeiam o conflito. A complexidade do desarmamento do Hamas e a necessidade de reconstrução em larga escala garantem que o caminho para a paz em Gaza continuará a ser árduo e repleto de desafios.
Fonte: https://jovempan.com.br

