O Departamento de Guerra dos Estados Unidos revelou, na sexta-feira (23), sua Estratégia Nacional de Defesa (NDS) de 2026, um documento que formaliza um ambicioso objetivo de Washington: restaurar e consolidar a supremacia militar norte-americana em todo o Hemisfério Ocidental. Assinado pelo Secretário de Guerra Pete Hegseth, o plano delineia uma abordagem multifacetada para proteger a pátria e assegurar acesso ininterrupto a terrenos considerados estratégicos na região, marcando uma fase de maior assertividade na política externa e de defesa dos EUA.
O Corolário Trump e a Doutrina Monroe Reinventada
A base ideológica da nova estratégia está ancorada no que o documento denomina 'Corolário Trump à Doutrina Monroe'. Esta atualização da política do século XIX transcende a mera dissuasão, visando ativamente impedir que potências adversárias estabeleçam qualquer tipo de influência ou posicionem capacidades que possam ser ameaçadoras no Hemisfério. A iniciativa sinaliza um compromisso renovado dos EUA em ser o principal ator de segurança na região, adaptando princípios históricos às complexidades geopolíticas contemporâneas e projetando uma postura proativa contra qualquer ameaça percebida à sua hegemonia.
Combate ao Narcoterrorismo: Capacitação e Ação Unilateral
Um dos pilares centrais da NDS 2026 é o combate a organizações criminosas transnacionais, com foco particular nos traficantes de drogas, agora categorizados como 'narcoterroristas'. A estratégia prevê o desenvolvimento e fortalecimento das capacidades militares de parceiros regionais para degradar essas organizações. Contudo, o documento não hesita em enfatizar a prerrogativa dos EUA de agir unilateral e decisivamente, caso os governos locais não demonstrem a vontade ou a capacidade de fazê-lo. Essa postura assertiva se estende ao campo diplomático, com Washington endurecendo o tratamento a aliados. A retirada da certificação da Colômbia na luta contra as drogas, por exemplo, exemplifica a advertência de que parceiros que 'não fizerem a sua parte' poderão enfrentar consequências significativas, refletindo uma diplomacia mais exigente e menos tolerante.
A Garantia de Acesso a Terrenos Estratégicos Vitais
Outro pilar fundamental da estratégia é a salvaguarda do acesso militar e comercial exclusivo dos Estados Unidos a áreas geograficamente vitais. O Pentágono identifica nominalmente três regiões de interesse crítico: o Canal do Panamá, por sua importância para o fluxo comercial e militar interoceânico; o Golfo do México, crucial para a segurança energética e marítima; e a Groenlândia, um ponto-chave no Ártico para vigilância e defesa do território norte-americano. O documento deixa claro que o governo não pretende mais ceder influência sobre esses locais e está preparado para empregar 'opções militares confiáveis' para assegurar seu domínio inquestionável sobre essas rotas e territórios estratégicos.
Operação 'Absolute Resolve': O Precedente Maduro
A operação de captura de Nicolás Maduro, batizada de 'Absolute Resolve', serve como um exemplo contundente da aplicação da nova doutrina. Coordenada a partir de Mar-a-Lago, na Flórida, com o acompanhamento direto de Donald Trump, a ação foi precedida por meses de treinamento meticuloso em réplicas do esconderijo do líder venezuelano. A incursão, ocorrida em 3 de janeiro em Caracas, envolveu forças de elite que neutralizaram as defesas locais através de um blecaute tecnológico e o apoio de mais de 150 aeronaves, incluindo caças F-35 e bombardeiros. Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados por volta das 3h da manhã enquanto buscavam refúgio. A extração, em menos de 20 minutos, utilizou helicópteros que os transportaram inicialmente para o navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima. Subsequentemente, Maduro foi transferido para os EUA, onde enfrentará a Justiça. A procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, confirmou o indiciamento no Distrito Sul de Nova York por crimes que incluem conspiração para narcoterrorismo, importação de cocaína e posse de metralhadoras.
Reações Internacionais: A Condenação Brasileira
A ação militar dos EUA na Venezuela e a captura de Maduro geraram forte condenação internacional, com o Brasil emergindo como um dos críticos mais veementes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repudiou publicamente a operação, classificando-a como uma 'flagrante violação do direito internacional' e uma afronta gravíssima à soberania venezuelana. Em suas redes sociais, o presidente brasileiro alertou que tal ataque estabelece um 'precedente extremamente perigoso', no qual a lei do mais forte prevalece sobre os princípios do multilateralismo. Lula convocou uma reunião ministerial de emergência para discutir o tema e defendeu uma resposta veemente da Organização das Nações Unidas (ONU). Apesar de seu governo manter um distanciamento de Maduro por não reconhecer o último pleito eleitoral venezuelano, a diplomacia brasileira reiterou sua posição de defesa intransigente da soberania nacional e do direito internacional, rejeitando intervenções militares na região.
A Estratégia Nacional de Defesa de 2026 dos EUA, com seu 'Corolário Trump', sinaliza uma era de intensa reafirmação do poder militar norte-americano no Hemisfério Ocidental. Ao integrar o combate ao narcoterrorismo com a proteção de acessos estratégicos e a disposição para agir unilateralmente, Washington desenha um novo mapa de segurança regional. Essa doutrina, já demonstrada na prática com a Operação 'Absolute Resolve', promete redefinir as dinâmicas políticas e militares, mas também acende alertas sobre a soberania e o direito internacional, gerando reações contundentes e levantando questões sobre o futuro da cooperação e do multilateralismo nas Américas.
Fonte: https://jovempan.com.br

