O ex-presidente Jair Bolsonaro foi submetido a mais uma intervenção médica nesta segunda-feira (29), desta vez visando o bloqueio do nervo frênico esquerdo, responsável pelo controle do diafragma. O procedimento, realizado no Hospital DF Star, em Brasília, integra uma série de tratamentos para um persistente quadro de soluços e outras condições de saúde. Após a operação, a equipe médica se pronunciou, descrevendo o estado do ex-chefe do Executivo como “estável” e indicando uma possível alta hospitalar para a próxima quinta-feira, 1º de janeiro, caso não haja intercorrências. Este é o terceiro procedimento significativo pelo qual Bolsonaro passa desde sua internação na véspera de Natal, evidenciando a complexidade de seu quadro clínico e a necessidade de monitoramento contínuo por parte dos especialistas.
Os Procedimentos Recentes e o Estado Atual de Saúde
Intervenção para Bloqueio do Nervo Frênico Esquerdo
A mais recente intervenção pela qual o ex-presidente Jair Bolsonaro foi submetido envolveu o bloqueio do nervo frênico esquerdo. Essa técnica, considerada em casos de soluços severos e prolongados, tem como objetivo interromper os sinais nervosos que causam as contrações involuntárias do diafragma, aliviando o sintoma que tem sido uma das principais queixas de saúde. Segundo o cirurgião-geral Claudio Birolini, que acompanha o caso, o procedimento é delicado e exige um período de observação rigoroso. A expectativa é que Bolsonaro permaneça sob monitoramento intensivo por 48 horas após a intervenção para que a equipe médica possa avaliar os resultados da técnica e monitorar o surgimento de eventuais complicações pós-operatórias, garantindo a segurança e a eficácia do tratamento adotado para controle dos soluços.
Observação e Próximos Exames
O acompanhamento da saúde do ex-presidente não se limitará ao período de observação pós-procedimento. A agenda médica inclui a realização de uma endoscopia digestiva alta, agendada para ocorrer entre terça-feira (30) e quarta-feira (31). Este exame é crucial para investigar possíveis causas subjacentes aos problemas digestivos e outros desconfortos relatados, garantindo uma avaliação mais completa do sistema gastrointestinal. A realização da endoscopia complementa o diagnóstico e orienta os próximos passos no tratamento, reforçando a abordagem multidisciplinar que tem sido empregada pela equipe do Hospital DF Star para gerenciar o complexo quadro clínico de Bolsonaro, buscando identificar e tratar a raiz de seus problemas de saúde.
A Batalha Contra a Apneia do Sono
Além dos procedimentos relacionados aos soluços e exames digestivos, a equipe médica dedicou atenção especial ao distúrbio do sono do ex-presidente. No domingo (28), Bolsonaro refez o exame de polissonografia, um estudo aprofundado que analisa a qualidade do sono e a presença de apneia. Os resultados foram alarmantes, revelando uma “apneia de sono severa”, com a ocorrência de aproximadamente 50 episódios de interrupção da respiração por hora, muitos deles de padrão obstrutivo. Para mitigar essa condição, que pode acarretar sérios riscos cardiovasculares e neurológicos, o ex-presidente utilizará, durante seu período de internação, um equipamento específico projetado para manter as vias aéreas superiores desobstruídas, promovendo um sono mais regular e seguro. Este tratamento é fundamental para a recuperação geral de Bolsonaro e para a prevenção de futuras complicações associadas à apneia grave, um fator que exige manejo contínuo para sua saúde a longo prazo.
Histórico Médico e Complicações Adicionais
Crises Hipertensivas e o Gerenciamento da Pressão
A saúde cardiovascular do ex-presidente tem sido um ponto de preocupação constante durante sua hospitalização. O cardiologista Brasil Caiado relatou que Jair Bolsonaro apresentou um “pico hipertensivo” no sábado (27), o que levou à imediata duplicação da dosagem de sua medicação anti-hipertensiva. No entanto, a instabilidade da pressão arterial persistiu. Durante o procedimento de bloqueio do nervo frênico esquerdo, realizado nesta segunda-feira, Bolsonaro experimentou outra crise hipertensiva, exigindo atenção médica redobrada. A equipe só permitiu sua saída do centro cirúrgico aproximadamente uma hora após a intervenção, aguardando a estabilização da pressão e a resposta adequada aos medicamentos administrados. Este histórico ressalta a necessidade de um controle rigoroso da hipertensão, uma condição que, se não gerenciada adequadamente, pode comprometer a recuperação de outros problemas de saúde e aumentar os riscos gerais, sendo um desafio adicional no tratamento de Bolsonaro.
O Caminho das Cirurgias: Da Véspera de Natal ao Nervo Frênico Direito
A atual internação de Jair Bolsonaro, que se iniciou na véspera de Natal, tem sido marcada por uma sequência de procedimentos cirúrgicos e intervenções. Em 25 de dezembro, o ex-presidente foi submetido a uma cirurgia para correção de alças intestinais. A intervenção foi necessária devido a uma fraqueza da parede abdominal, que estava causando desconforto significativo e apresentava riscos de obstrução intestinal. A equipe médica informou que o procedimento transcorreu “sem intercorrências” e teve uma duração aproximada de três horas, sendo um passo fundamental para resolver as complicações gastrointestinais. Subsequentemente, no sábado, ele foi novamente levado ao centro cirúrgico para uma segunda intervenção: o bloqueio do nervo frênico direito. Este procedimento, similar ao realizado nesta segunda-feira no nervo esquerdo, demonstra a extensão e a persistência do problema de soluços, que tem exigido abordagens consecutivas para seu controle. A série de operações destaca a complexidade e a urgência das condições que levaram o ex-presidente a buscar tratamento hospitalar.
Prognóstico Médico e Contexto Institucional da Internação
Com a realização do bloqueio do nervo frênico esquerdo e a observação de 48 horas em curso, a equipe médica do Hospital DF Star mantém um prognóstico cautelosamente otimista para o ex-presidente Jair Bolsonaro. A expectativa de alta hospitalar para 1º de janeiro, um feriado de Ano Novo, é um indicativo de que os profissionais de saúde estão confiantes na estabilização de seu quadro após os múltiplos procedimentos. No entanto, a vigilância sobre a apneia do sono, as crises hipertensivas e o processo digestivo permanece alta, e qualquer intercorrência pode alterar o cronograma. A sequência de intervenções sublinha a natureza multifacetada dos desafios de saúde enfrentados por Bolsonaro, que incluem não apenas as consequências diretas do atentado sofrido em 2018, mas também condições como a apneia severa e a hipertensão, que demandam gerenciamento contínuo e integrado. A hospitalização de Bolsonaro ganhou um contexto institucional adicional no início da semana passada, quando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou sua saída da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para que pudesse receber o devido tratamento médico. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, resultado de sua condenação em um processo relacionado a uma trama golpista. Essa circunstância peculiar adiciona uma camada de complexidade à sua internação, transformando um evento de saúde pessoal em um tema de relevância pública e institucional, monitorado de perto por autoridades e pela sociedade.
Fonte: https://jovempan.com.br

