A cidade de Sangão, em Santa Catarina, foi palco de um crime brutal que chocou a comunidade local: o assassinato da estudante Joviana Evelyn Iankovski, de 19 anos, por seu namorado, José Gustavo Rabelo, de 21. O caso, revelado pela Polícia Civil, ganhou contornos ainda mais macabros quando veio à tona que, após cometer o feminicídio, Rabelo se passou pela vítima em mensagens enviadas à mãe dela, em uma tentativa fria e calculista de ocultar o crime e enganar os familiares.
Joviana estava desaparecida desde a quinta-feira, 6 de junho, quando sua mãe acionou as autoridades após a filha sair de casa e não retornar. O que a família não sabia é que, naquele mesmo período, José Gustavo já havia tirado a vida da jovem e estava arquitetando uma farsa digital para simular que Joviana ainda estava viva, prolongando a angústia e a incerteza de todos que a procuravam.
A Farsa Digital: Mensagens Enganosas e a Ocultação do Corpo
A estratégia de José Gustavo para mascarar o assassinato começou nas primeiras horas da sexta-feira, 7 de junho. Utilizando o Instagram, ele enviou uma mensagem à mãe de Joviana, fingindo ser a filha, com a justificativa de que havia esquecido o carregador e estava sem bateria. Essa foi a primeira de uma série de comunicações que se estenderiam por todo o fim de semana, com o intuito de simular a presença e o bem-estar da estudante, enquanto seu corpo era mantido em segredo.
Durante o sábado, 8, e o domingo, 9, as mensagens falsas continuaram. Em uma delas, enviada via WhatsApp à sogra, José Gustavo, ainda se passando por Joviana, alegava ter conseguido um carregador e que só retornaria para casa na noite da segunda-feira, 10. Ele também chegou a afirmar que Joviana havia passado mal por conta de bebida e obtido um atestado médico para o dia. Quando a mãe questionou a presença das roupas de trabalho da filha em casa, a resposta, vinda do perfil da vítima, foi evasiva: “passo aí cedinho” e “essa semana vou passar toda em casa”. Paralelamente a essa teia de mentiras digitais, José Gustavo mantinha o corpo de Joviana enrolado em um edredom dentro do próprio quarto, na casa onde vivia com a mãe e a avó, alegando que era comum isolar o cômodo.
O Desaparecimento e a Descoberta da Verdade
A persistência da família de Joviana foi crucial para desvendar a farsa. Lívia Iankovski, irmã da vítima, começou a desconfiar da situação e, na manhã de segunda-feira, ligou repetidamente para José e enviou uma mensagem contundente, ameaçando acionar a polícia. A pressão e o cerco das autoridades e da família se intensificaram, levando o namorado a uma atitude inesperada.
Na tarde do mesmo dia, José Gustavo apresentou-se voluntariamente à polícia. Em depoimento, ele confessou ter assassinado Joviana. A confissão pôs fim à angustiante busca pela jovem e revelou a extensão da crueldade e da tentativa de ocultação do crime. José Gustavo foi então levado ao Presídio de Tubarão, formalmente acusado pelo crime de feminicídio.
Um Relacionamento Conturbado e o Motivo do Feminicídio
O relacionamento entre Joviana e José Gustavo, que durava cerca de cinco meses e teve início em uma festa de amigos em comum, era descrito por familiares como “muito conturbado”. A irmã da vítima, Lívia, relembrou um episódio em julho, quando o casal havia terminado e José seguiu Joviana de moto enquanto ela conversava com uma amiga, evidenciando um comportamento possessivo e controlador.
Segundo o delegado Murilo Silveira da Cunha, a motivação para o crime teria sido ciúmes. Durante a virada de quinta para sexta-feira, após uma discussão intensa, Joviana teria flagrado mensagens no celular de José com outras mulheres, especialmente durante um período em que eles estiveram separados. Quando a jovem tentou deixar a residência do namorado, ele a seguiu e aplicou um golpe de “mata-leão”, que resultou em sua morte. Em seguida, o agressor colocou o corpo da vítima na cama e permaneceu na casa, iniciando a fase da ocultação.
Desdobramentos Legais e a Versão da Defesa
Após a confissão e prisão de José Gustavo Rabelo, os procedimentos legais seguiram. Na tarde da terça-feira, 11 de junho, ele passou por audiência de custódia, onde a justiça decretou sua prisão preventiva. A medida garante que o acusado permaneça detido enquanto o processo judicial avança, dada a gravidade do crime de feminicídio.
A defesa de José Gustavo, por sua vez, manifestou condolências à família da vítima e afirmou que a família do acusado não tinha conhecimento dos fatos antes da manhã de segunda-feira, quando José relatou o ocorrido. Segundo os advogados, os familiares o levaram imediatamente à delegacia, sem qualquer tentativa de fuga ou ocultação. Eles argumentam que as circunstâncias da residência, como a dificuldade auditiva da mãe do acusado e o hábito de José de manter o quarto fechado em períodos de descanso, contribuíram para que não houvessem suspeitas sobre o que estava acontecendo. A defesa também informou que José Gustavo trabalhava como atendente em uma loja de materiais elétricos e energia solar e havia aberto uma microempresa de serviços de entrega rápida meses antes do crime.
Conclusão
A trágica morte de Joviana Evelyn Iankovski e a subsequente tentativa de encobrir o crime por meio de uma elaborada farsa digital lançam luz sobre a complexidade e a brutalidade da violência de gênero. O caso de Sangão ressalta a importância da atenção aos sinais de relacionamentos abusivos e a vigilância da comunidade e das autoridades para que crimes como o feminicídio sejam investigados e punidos com a devida rigorosidade. José Gustavo Rabelo aguardará julgamento sob prisão preventiva, enquanto a memória de Joviana e a dor de sua família permanecem, marcando uma comunidade com a triste lembrança de um amor que se transformou em tragédia.
Fonte: https://jovempan.com.br

