Em entrevista ao jornalista Erismar Tanja, presidente da ACIF também falou sobre a campanha “Franca Tem Voz” e a necessidade de fortalecer a representação política da cidade
A história de Franca, o desenvolvimento do setor produtivo e a participação da sociedade nas decisões que impactam o futuro do município estiveram entre os assuntos abordados em entrevista realizada pelo jornalista Erismar Tanja com o presidente da Associação do Comércio e Indústria de Franca (ACIF), Fernando Rached Jorge.
A conversa acontece em um momento especial para a entidade, que completou 82 anos de história no dia 18 de setembro. Fundada em 1944, a ACIF nasceu a partir da união de 130 empresários e comerciantes e, ao longo de mais de oito décadas, consolidou sua atuação na defesa dos interesses do empreendedorismo e no desenvolvimento econômico e social de Franca.
Durante a entrevista, Fernando Rached Jorge também destacou um dos principais movimentos atualmente conduzidos pela entidade: o “Franca Tem Voz”, iniciativa de caráter cívico e suprapartidário que busca ampliar o debate sobre a representatividade política de Franca e região nas esferas estadual e federal.
A proposta é chamar a atenção dos eleitores para a importância de conhecer os candidatos e considerar, entre outros aspectos, aqueles que possuem vínculo real com Franca e com as demandas da região, independentemente de partido ou posicionamento ideológico. O movimento é realizado pela ACIF em parceria com a Cocapec, Unimed Franca, GCN e Rádio Difusora.
Votos que não se transformam em representação
Um dos pontos abordados por Fernando durante a entrevista foi a dispersão dos votos dos eleitores francanos. Segundo o presidente da ACIF, parte significativa do potencial eleitoral da cidade acaba não sendo convertida em representação política local.
O cenário envolve diferentes fatores: eleitores que deixam de comparecer às urnas, votos brancos e nulos e também votos destinados a candidatos que não possuem vínculo direto com Franca.
Dados apresentados pela própria ACIF apontam que, nas eleições de 2022, 57% dos votos na disputa estadual foram considerados desperdiçados nesse conjunto de situações. Na disputa para deputado federal, o percentual chegou a 70%. Para 2026, a entidade estima cerca de 252 mil eleitores aptos em Franca, mas projeta que aproximadamente 118 mil votos sejam destinados a candidatos com base eleitoral no município.
Na entrevista, Fernando chama a atenção para um comportamento que, segundo ele, precisa ser discutido pela população: o direcionamento de votos para candidatos que, muitas vezes, não possuem qualquer relação com a cidade ou sequer estiveram em Franca.
A preocupação apresentada é que, quando os votos se dispersam, a cidade perde força para eleger representantes capazes de acompanhar de perto as demandas locais e regionais.
A ausência de um deputado federal
Outro ponto de destaque da conversa foi a ausência de um representante de Franca na Câmara dos Deputados.
Segundo informações divulgadas pela ACIF, Franca está há mais de uma década sem um deputado federal, enquanto atualmente conta com dois representantes na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Para a entidade, esse cenário limita a capacidade de articulação política da cidade e da região.
Fernando Rached Jorge ressalta que a representação política pode ter reflexos concretos na capacidade de uma cidade buscar investimentos e recursos para áreas como saúde, infraestrutura, educação, segurança e desenvolvimento econômico.
Na entrevista a Erismar Tanja, o presidente da ACIF reforça justamente essa preocupação: são recursos públicos que poderiam chegar a Franca por meio da articulação de seus representantes em Brasília, mas que, na avaliação apresentada pelo movimento, deixam de ser disputados ou direcionados para a cidade diante da falta de uma representação federal local.
A discussão, portanto, vai além da escolha individual de um candidato. O “Franca Tem Voz” procura colocar em pauta a própria capacidade de Franca transformar seu potencial eleitoral em representatividade política efetiva.
Ampliar a bancada estadual e voltar a ter representação federal
A campanha também defende a necessidade de ampliar a presença de Franca na Assembleia Legislativa e voltar a eleger um deputado federal.
Para Fernando, o debate precisa envolver toda a sociedade, permitindo que o eleitor conheça os candidatos, suas propostas e seus vínculos com a cidade antes de tomar sua decisão.
O movimento tem promovido encontros, debates e sabatinas com candidatos, justamente com o objetivo de ampliar o acesso da população às informações e estimular uma participação mais consciente no processo eleitoral. Em 2026, por exemplo, foram realizadas ações com pré-candidatos a deputado estadual e federal e, posteriormente, sabatinas com candidatos com base eleitoral em Franca e região.
A proposta do “Franca Tem Voz”, segundo seus organizadores, não é determinar ao eleitor em quem votar, mas provocar uma reflexão sobre a importância da representação política local e regional.
Uma discussão que envolve o futuro de Franca
Ao completar 82 anos, a ACIF reafirma sua trajetória de participação nas discussões relacionadas ao desenvolvimento de Franca. E a campanha “Franca Tem Voz” acrescenta uma nova frente a essa atuação: colocar a representatividade política no centro do debate público.
A entrevista realizada pelo jornalista Erismar Tanja com Fernando Rached Jorge contribui para levar essa discussão a um público ainda maior e reforça uma pergunta que passa a fazer parte da agenda da cidade:
Como transformar os milhares de votos dos eleitores francanos em uma representação política capaz de defender os interesses de Franca e região nas esferas estadual e federal?
Mais do que discutir nomes, partidos ou ideologias, o movimento coloca em evidência a importância de o eleitor conhecer as opções disponíveis, acompanhar as propostas e refletir sobre o impacto de sua escolha para o futuro da cidade.
A mensagem central do “Franca Tem Voz” é justamente essa: Franca possui eleitores, possui potencial e possui demandas. O desafio está em transformar esse potencial em voz e representatividade.

