Desde 2021, Flávia Moraes, aos 56 anos, ocupa a diretoria executiva da Professional Bull Riders (PBR) Brasil com uma meta audaciosa: transformar a montaria em touros no segundo esporte mais assistido do país. A grande barreira para alcançar esse objetivo, segundo ela, não reside na performance dos atletas, mas na falta de reconhecimento público. Mesmo com o sucesso internacional de muitos competidores brasileiros, a modalidade ainda é desconhecida pela maioria da população, uma lacuna que a PBR Brasil, sob sua gestão, busca incansavelmente preencher.

Uma Trajetória Forjada no Coração do Rodeio

Flávia Moraes possui uma imersão profunda e rara no universo do rodeio, participando ativamente desde 1989. Sua jornada começou ao lado de Adriano Moraes, que se tornaria o primeiro tricampeão mundial da modalidade. Por quase quatro décadas, ela gerenciou a carreira do atleta, negociando patrocínios, acompanhando contratos e atuando como ponte essencial com a PBR, a renomada liga americana que representa a elite da montaria em touros globalmente. Essa experiência visceral, que a levou 'do fundo dos bretes à diretoria executiva', confere a Flávia uma perspectiva única e um diferencial estratégico na condução da operação brasileira da liga.

A PBR Brasil, que celebrará 20 anos no país em 2026, encerrou recentemente sua temporada 2025/2026 na tradicional Festa do Peão de Barretos (SP). Flávia Moraes destaca que a competência de sua gestão advém do estudo constante, do acompanhamento das tendências do esporte e, principalmente, do conhecimento prático do 'chão de fábrica'. Sua motivação é dar continuidade ao legado de Adriano Moraes, focado na valorização dos competidores, do esporte e de toda a cultura do rodeio.

Elevando os 'Heróis Anônimos': A Missão da PBR Brasil

Um dos pilares da gestão de Flávia Moraes é a valorização dos competidores, considerados por ela 'heróis anônimos' do Brasil. Essa premissa vai além das recompensas financeiras, abrangendo desde a qualidade da hospedagem em eventos até a forma como a mídia retrata os profissionais do rodeio. O objetivo é dignificar a imagem dos atletas e do esporte como um todo, destacando os feitos de campeões brasileiros tricampeões mundiais, como Silvano Alves, José Vitor Leme e o próprio Adriano Moraes.

A Retomada e Profissionalização Financeira do Circuito

A história recente do rodeio brasileiro, na visão de Flávia, é marcada por um auge na década de 1990, quando as premiações no país superavam as dos Estados Unidos. Contudo, seguiu-se um longo período de retração, um 'hiato' no qual as estruturas foram diminuídas e, em alguns casos, 'sucateadas', impactado também pela ausência de Adriano Moraes, que competia nos EUA. A recuperação é um fenômeno mais recente, impulsionado pelo cenário pós-pandemia e, segundo ela, liderado pela PBR, que se tornou o 'carro-chefe' desse movimento, aumentando as premiações e melhorando o tratamento dos competidores.

A temporada que se encerrou em Barretos é um reflexo dessa profissionalização, com 34 etapas realizadas em seis estados (São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), distribuindo um total de mais de R$ 3,5 milhões em prêmios. A final nacional em Barretos, por exemplo, ofereceu cerca de R$ 750 mil em recompensas, incluindo R$ 450 mil em dinheiro e uma picape de R$ 300 mil para o campeão. João Paulo Velasco, vencedor da temporada, acumulou R$ 890,8 mil entre etapas, bônus e o valor do veículo.

Embora o dinheiro se concentre no topo – os dez primeiros do ranking dividiram aproximadamente R$ 2,014 milhões, ou 57% do total distribuído pela liga, com Velasco recebendo um quarto desse montante –, essa estrutura sinaliza a crescente valorização e profissionalização do esporte no país.

Inovação e Expansão Midiática: Os Pilares do Crescimento

O processo de modernização e profissionalização da PBR Brasil é evidente também na arena. A tecnologia empregada pelos juízes, que utilizam tablets para registrar as notas diretamente em um servidor internacional da liga, é um exemplo claro. As informações são instantaneamente acessíveis globalmente, reforçando a seriedade e transparência do circuito.

A estratégia de visibilidade inclui um forte investimento em mídia. Entre março e agosto, 12 etapas foram transmitidas ao vivo por um canal esportivo de TV por assinatura, totalizando mais de 100 horas de conteúdo ao vivo, complementadas por reprises e um programa semanal. Essa abrangência midiática é crucial para levar a montaria em touros a um público mais amplo e concretizar a ambição de Flávia Moraes.

A Transição de Poder e a Visão Futura

A virada decisiva na estrutura da PBR Brasil ocorreu em outubro de 2021, quando a matriz americana transferiu a administração integral da operação para a empresa no país. Esse movimento abriu caminho para Flávia Moraes assumir a diretoria executiva, com Adriano Moraes mantendo-se como presidente. Os primeiros eventos sob essa nova gestão foram lançados em dezembro daquele ano, dando início ao calendário da temporada de 2022.

Com uma liderança que combina profunda vivência de arena e uma visão estratégica de negócios, Flávia Moraes está pavimentando o caminho para um futuro onde a montaria em touros não será apenas uma paixão de nicho, mas um esporte reconhecido e admirado por todo o Brasil, elevando seus competidores ao status de verdadeiros heróis nacionais.

Fonte: https://g1.globo.com

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