O cenário político mexicano foi agitado por uma série de eventos em torno de Rubén Rocha Moya, governador do estado de Sinaloa, que anunciou seu segundo afastamento do cargo em um curto período. A decisão, comunicada no último sábado (22), ocorre em meio a graves acusações de vínculos com o narcotráfico por parte dos Estados Unidos e um notável distanciamento da presidente recém-eleita, Claudia Sheinbaum, que criticou publicamente o governista.

A Reviravolta no Governo de Sinaloa

A situação de Rocha Moya tem sido marcada por uma sucessão de idas e vindas no comando de Sinaloa. Após um afastamento inicial em maio, destinado a permitir investigações por parte do Ministério Público mexicano, o governador havia surpreendido ao anunciar, na sexta-feira (21), seu retorno às funções. Contudo, essa retomada foi breve. No dia seguinte, ele divulgou em suas redes sociais um documento formalizando o pedido de uma "licença temporária em caráter indeterminado" ao Congresso do estado. Esta nova solicitação reflete a crescente pressão sobre o político, que figura em uma lista de procurados por um tribunal americano devido a supostas ligações com um cartel de drogas.

O Distanciamento da Presidência e do Partido

A presidente Claudia Sheinbaum, que havia cancelado compromissos na sexta-feira por motivos de saúde, reapareceu no sábado para se desvincular publicamente da decisão de Rocha Moya. Ela expressou forte desaprovação, criticando a "arrogância" e a priorização do "interesse pessoal" do governador acima dos interesses do México. Sheinbaum afirmou ter tomado conhecimento do breve retorno de Rocha Moya ao cargo por meio de seu perfil na plataforma X, reiterando a máxima de que "nunca nenhum interesse pessoal pode estar acima dos interesses do povo" e que "o poder sem princípios se torna arrogância; o poder sem limites, abuso". Essa postura foi ecoada por líderes parlamentares e pelo próprio partido Morena, ao qual Sheinbaum e Rocha Moya pertencem, evidenciando uma rara e significativa dissociação política.

Tensões Internas e Pressões Externas no Cenário Político

O inusitado distanciamento entre a cúpula do Morena e o governador Rocha Moya tem gerado especulações sobre possíveis atritos internos. Analistas políticos e a imprensa mexicana apontam para a proximidade de Rocha Moya com o ex-presidente Andrés Manuel López Obrador, uma figura de grande influência e mentor de Sheinbaum. O cientista político José Antonio Crespo sugere que a presidente se encontra em uma encruzilhada, lidando com pressões de seu antecessor e as demandas do ex-presidente americano Donald Trump. A mensagem de que Rocha Moya agiu isoladamente, segundo Crespo, pode ser uma tentativa de enviar um sinal a Washington, embora a credibilidade de tal afirmação junto a Trump seja questionável. O jornal El Universal, por sua vez, levantou a hipótese de "irritação" de López Obrador com Trump, após o cancelamento do visto de seu filho, questionando se o ex-presidente estaria disposto a "ir para a guerra" até mesmo contra a sucessora que ajudou a eleger.

O Alcance das Acusações Americanas e a Política de Trump

As acusações americanas não se limitam apenas a Rubén Rocha Moya. A justiça dos EUA está atualmente buscando o governador de Sinaloa e outros nove políticos do partido governista Morena por supostos laços com o narcotráfico. Essa é a primeira vez que políticos mexicanos em pleno exercício de suas funções são alvo direto de mandados de busca pela justiça americana. Donald Trump, pré-candidato republicano à presidência dos EUA, frequentemente critica o México, alegando que o país é governado por políticos ligados ao tráfico de drogas e tem insistido em oferecer apoio militar, uma oferta que Sheinbaum tem consistentemente rejeitado, reafirmando a soberania mexicana e a oposição a qualquer intervenção externa.

A situação de Rocha Moya reflete a complexa teia de desafios que a nova administração mexicana enfrenta, equilibrando as dinâmicas políticas internas, as pressões externas relacionadas ao combate ao narcotráfico e a necessidade de manter a coesão dentro de seu próprio movimento.

Fonte: https://jovempan.com.br

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