O governo do Rio de Janeiro, através de seu governador em exercício, Ricardo Couto, anunciou a intenção de desapropriar um terreno pertencente à refinaria Refit. A medida surge como uma estratégia para mitigar parte da colossal dívida tributária da empresa com o Estado, uma informação inicialmente veiculada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e subsequentemente confirmada pelo Estadão. A Refit, por sua vez, optou por não se manifestar sobre o assunto até o momento.
Dívida Monumental e a Proposta de Desapropriação
A proposta do executivo fluminense visa utilizar a propriedade da refinaria como forma de abater, ao menos parcialmente, os débitos fiscais acumulados. Embora a intenção seja clara, o governo não forneceu detalhes sobre o processo de aquisição compulsória ou uma estimativa do valor do terreno, indicando que os trâmites específicos ainda estão em fase de elaboração. A Refit é reconhecida como uma das maiores devedoras de impostos do Rio de Janeiro, figurando no topo da lista dos contribuintes com pendências financeiras significativas.
O passivo da refinaria não se restringe apenas ao Estado do Rio, onde as investigações apontam para uma dívida de R$ 9,4 bilhões. Em uma análise mais ampla, a Refit é considerada a maior devedora do país, somando pendências com Estados, municípios e a União, que totalizam a impressionante cifra de R$ 55 bilhões. Esse histórico de inadimplência fiscal está no centro de investigações há anos, focando especialmente em alegações de sonegação fiscal.
Operação Sem Refino: Fraude e Lavagem de Dinheiro
A Refit e seu proprietário, Ricardo Magro, são alvos de uma complexa investigação da Polícia Federal batizada de Operação Sem Refino. O cerne da apuração reside em um esquema bilionário de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Ricardo Magro, apontado como o mentor das irregularidades, está com mandado de prisão em aberto e é atualmente considerado foragido da Justiça, não tendo sido localizado pela PF durante a deflagração da operação.
As investigações sugerem que Magro teria orquestrado a criação de um intrincado emaranhado de empresas e fundos de investimentos, utilizados para mascarar as verdadeiras origens e destinos das operações financeiras, ocultando a sonegação. A autorização para a Operação Sem Refino partiu diretamente do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), evidenciando a gravidade e a abrangência do caso que movimenta as esferas judicial e policial do país.
Implicações Políticas e Controvérsias
A Operação Sem Refino transcendeu o âmbito empresarial, alcançando figuras proeminentes do cenário político. O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), foi um dos alvos de buscas e apreensões, com a Polícia Federal sustentando que ele teria tentado beneficiar a refinaria. A PF alega que Castro articulou um refinanciamento de dívidas que poderia ter reduzido em até 95% os débitos da Refit com o Estado.
A empresa, entretanto, nega ter sido beneficiada por tal programa, e o ex-governador refuta veementemente qualquer ilícito. Cláudio Castro afirma estar à disposição da Justiça para prestar todos os esclarecimentos necessários, expressando convicção em sua conduta íntegra. Além de Castro, o senador Ciro Nogueira (Progressistas), que atuou como ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro, também foi citado nas investigações. A PF indicou que um fundo de investimentos ligado à Refit teria efetuado um pagamento de R$ 14,5 milhões a uma empresa de propriedade da família do parlamentar.
Adicionalmente, Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, ex-secretário da Casa Civil na gestão de Ciro Nogueira, é apontado pela PF como receptor de R$ 1,3 milhão de uma entidade também vinculada à Refit. O senador, por sua vez, defende-se afirmando que o pagamento se refere à venda de um terreno, realizada de forma regular e devidamente declarada aos órgãos competentes, negando qualquer irregularidade na transação.
Conclusão
A iniciativa de desapropriação por parte do governo do Rio de Janeiro contra a Refit é um movimento significativo na tentativa de reaver valores bilionários em impostos devidos, inserida em um contexto maior de investigação federal por crimes fiscais e lavagem de dinheiro. Com desdobramentos que atingem importantes figuras políticas, o caso da refinaria Refit continua a ser um foco de atenção, prometendo novas revelações e discussões sobre a responsabilidade fiscal e a transparência nas relações entre o setor público e o privado.
Fonte: https://jovempan.com.br

