A cidade de São Paulo amanheceu nesta terça-feira, 4 de junho, sob o impacto de uma paralisação dos ferroviários, que atinge diretamente as Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Em resposta à greve, o governo do estado de São Paulo, sob a gestão Tarcísio de Freitas, prontamente ativou um robusto plano de contingência, com o objetivo de minimizar os transtornos para os milhares de passageiros que dependem diariamente do transporte público ferroviário.
O conjunto de medidas emergenciais abrange desde o reforço em outras modalidades de transporte até a otimização das operações remanescentes, buscando garantir a mobilidade dos cidadãos paulistas diante da interrupção parcial dos serviços essenciais de trem.
Reforço e Operação Parcial no Sistema Metroferroviário
Para mitigar os efeitos da greve, o Metrô de São Paulo antecipou a abertura de suas estações para as 4h da manhã, em um esforço coordenado para absorver a demanda extra. As linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata iniciaram suas operações mais cedo. Paralelamente, a CPTM conseguiu manter uma operação parcial em duas das linhas afetadas: a Linha 11-Coral funciona entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Guaianases, e a Linha 12-Safira opera entre Brás e Engenheiro Goulart. Contudo, a Linha 13-Jade, que inclui o Expresso Aeroporto, permanece totalmente sem circulação. Em contraste, as linhas 7-Rubi, 8-Diamante e 9-Esmeralda, administradas pela iniciativa privada, juntamente com a Linha 10-Turquesa, operam normalmente, sem registro de interrupções.
Otimização da Capacidade e Fluxo de Passageiros
A Linha 3-Vermelha, vital para a integração com as áreas afetadas, recebeu composições adicionais e implementou manobras intermediárias em pontos estratégicos para ampliar a oferta de viagens nos trechos de maior procura. Para reduzir o tempo de espera nas plataformas, trens vazios podem ser direcionados a estações com grande concentração de usuários. Além disso, o efetivo de funcionários foi significativamente reforçado em estações-chave como Corinthians-Itaquera, Tatuapé, Brás e Palmeiras-Barra Funda, visando orientar os passageiros e organizar o fluxo de embarque e desembarque.
Plano de Apoio PAESE: Ônibus como Alternativa Emergencial
Como parte fundamental do plano de contingência, a CPTM acionou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (PAESE), mobilizando uma frota de 128 ônibus para atender aos passageiros das linhas paralisadas ou com operação reduzida. Na Linha 11-Coral, os veículos do PAESE realizam o percurso completo entre Estudantes e Corinthians-Itaquera. Para a Linha 12-Safira, o transporte alternativo é oferecido no trecho entre São Miguel Paulista e Calmon Viana. Já os usuários da Linha 13-Jade contam com ônibus fazendo a ligação entre as estações Aeroporto-Guarulhos e Engenheiro Goulart, garantindo uma opção de deslocamento nessas rotas críticas.
Ações de Segurança e Monitoramento Integrado
A segurança e a fluidez do trânsito também foram priorizadas. A Polícia Militar intensificou o patrulhamento preventivo nas proximidades das estações ferroviárias, terminais de transporte e demais áreas de grande circulação de pessoas, visando prevenir ocorrências e garantir a ordem pública. Adicionalmente, o policiamento de trânsito foi reforçado nas regiões mais impactadas pela paralisação, buscando minimizar os congestionamentos e facilitar o fluxo de veículos. Todas essas ações são acompanhadas em tempo real pelo Centro Integrado de Operações Coordenadas (CIOC), que opera a partir do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), permitindo uma resposta ágil e coordenada a qualquer eventualidade.
Greve Mantida Apesar das Negociações e Decisão Judicial
Apesar dos esforços de negociação por parte do governo de São Paulo com os representantes da categoria, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil optou por manter a paralisação. Diante da persistência da greve, a CPTM recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que proferiu uma decisão determinando a manutenção de 80% do efetivo durante os horários de pico e 60% nos demais períodos de operação. Em caso de descumprimento desta determinação judicial, foi estipulada uma multa diária de R$ 400 mil ao sindicato responsável pela greve.
Reivindicações da Categoria e Compromissos Governamentais
Durante uma reunião realizada na segunda-feira, 3 de junho, o governo estadual reafirmou seu compromisso em preservar os postos de trabalho dos ferroviários e manifestou a disposição para discutir as reivindicações da categoria. Entre as pautas apresentadas pelos trabalhadores, destacam-se a absorção de empregados por outros órgãos estaduais, a incorporação da Estrada de Ferro Campos do Jordão pela CPTM e a inclusão dos ferroviários no Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe). Em nota oficial, o governo lamentou a manutenção da greve, ressaltando o prejuízo que a paralisação causa ao deslocamento de milhares de trabalhadores, estudantes e demais usuários que dependem diariamente do sistema ferroviário para suas atividades.
A situação segue sendo monitorada de perto pelas autoridades, enquanto o plano de contingência continua ativo para assegurar, na medida do possível, o funcionamento dos serviços essenciais e minimizar os impactos da paralização no cotidiano da capital paulista.
Fonte: https://g1.globo.com

