Uma ação coordenada das forças de segurança em Ribeirão Preto, São Paulo, resultou na recuperação de uma carga de agrotóxicos avaliada em R$ 200 mil na última segunda-feira, dia 5. A carga, que ultrapassava uma tonelada, havia sido subtraída durante um roubo a uma propriedade rural localizada na divisa entre Ribeirão Preto e Cruz das Posses, distrito de Sertãozinho. O incidente envolveu a violência contra dois funcionários da fazenda: um técnico agrícola e um motorista de caminhão, que foram mantidos reféns e forçados a colaborar com os criminosos. Pelo menos quatro indivíduos estariam envolvidos na investida criminosa. Apesar do sucesso na recuperação do material, até o momento da publicação desta reportagem, nenhum dos suspeitos foi identificado ou detido, e as investigações continuam em andamento para esclarecer os detalhes e identificar os responsáveis por este crime de grande impacto econômico e social na região.
O Roubo e a Dinâmica da Ação Criminosa
Detalhes da Invasão e Sequestro dos Funcionários
A tranquilidade da fazenda foi brutalmente interrompida na tarde de segunda-feira, quando os funcionários realizavam suas atividades rotineiras. Segundo relatos colhidos, o técnico agrícola e o motorista do caminhão estavam aplicando herbicidas nas plantações, operando maquinários agrícolas, quando foram surpreendidos por um veículo que adentrou a propriedade. De dentro do carro, emergiram aproximadamente quatro indivíduos armados, que imediatamente renderam os dois trabalhadores. A ação foi rápida e intimidatória, com os criminosos agindo de forma orquestrada para dominar as vítimas e dar início ao plano de roubo da carga valiosa.
Sob forte ameaça, o motorista do caminhão foi obrigado a assumir a direção do veículo, com um dos assaltantes a bordo da cabine. Durante o trajeto forçado em direção a uma área de mata previamente designada pelos criminosos, o motorista sofreu agressões, evidenciando a brutalidade dos bandidos. Simultaneamente, o técnico agrícola foi colocado dentro do veículo dos criminosos, um Kadett, e também foi ameaçado com arma de fogo. O terror imposto às vítimas era palpável, enquanto os criminosos buscavam garantir a execução do roubo e a fuga com os produtos químicos agrícolas, cujo alto valor de mercado atrai quadrilhas especializadas.
Ao chegarem à área isolada, os criminosos forçaram o motorista a descarregar toda a carga de herbicida do caminhão. A operação de transbordo foi realizada sob constante vigilância e novas ameaças, garantindo que as vítimas não tentassem qualquer reação. Após a completa descarga dos produtos, os assaltantes instruíram o motorista a retornar ao caminhão e partir imediatamente, com a advertência explícita de não olhar para trás. Assim que liberado, o motorista seguiu diretamente para a sede da fazenda, onde pôde relatar o ocorrido e acionar as autoridades. Enquanto isso, o técnico agrícola, que havia sido mantido no Kadett, foi posteriormente deixado em uma área rural após um percurso que incluiu passagem pelo Cristo Redentor e pelo Anel Viário, revelando a complexidade da rota de fuga dos criminosos e a tentativa de despistar a perseguição policial.
A Perseguição e a Estratégia de Recuperação da Carga
A Reação das Forças de Segurança e o Abandono dos Reféns
O alerta do roubo em andamento chegou rapidamente à Guarda Civil Metropolitana de Ribeirão Preto através da Patrulha Rural. Imediatamente, uma equipe das Rondas Ostensivas Municipais (Romu) foi acionada para dar suporte à operação de busca e recuperação. A estratégia da GCM não se limitou a patrulhas terrestres; para otimizar as chances de localização dos criminosos e da carga, drones foram mobilizados. A utilização de tecnologia aérea demonstrou ser um diferencial crucial, permitindo uma varredura mais ampla e eficaz de áreas rurais de difícil acesso, onde os bandidos frequentemente tentam se esconder ou desovar produtos roubados. Essa abordagem integrada, combinando recursos humanos e tecnológicos, foi fundamental para o desdobramento positivo da ocorrência.
A narrativa das vítimas foi essencial para guiar as ações dos agentes. O técnico agrícola conseguiu recordar detalhes importantes sobre a rota de fuga dos criminosos após ser libertado. Ele indicou que o veículo Kadett, utilizado pelos assaltantes, havia se dirigido em direção ao Cristo Redentor, onde dois dos indivíduos foram deixados. Posteriormente, o carro retornou pelo Anel Viário e, ao acessar novamente uma área rural, o técnico agrícola foi abandonado pelos outros dois integrantes do grupo, que surpreendentemente retornaram à área rural de onde haviam partido. Essas informações foram cruciais para que as equipes da GCM pudessem traçar um perímetro de busca e focar seus esforços nas regiões onde os criminosos poderiam estar.
A persistência da Guarda Civil Metropolitana resultou na localização do Kadett abandonado em uma área próxima ao Rio Pardo. Aparentemente, na tentativa de despistar a polícia, os suspeitos teriam pedido carona a uma família que pescava no local, com o intuito de retornar a Ribeirão Preto. Contudo, a estratégia de fuga não foi suficiente para evitar a recuperação da carga. A valiosa tonelada de agrotóxicos foi encontrada intacta em um bambuzal, próximo ao local onde o veículo foi abandonado. Todos os produtos foram recuperados e prontamente devolvidos ao proprietário da fazenda, representando um significativo sucesso para as forças de segurança. Apesar da vitória na recuperação do material, os criminosos conseguiram levar consigo dois telefones celulares das vítimas, que ainda não foram localizados, e permanecem foragidos, dando continuidade à investigação para a sua captura.
Combate ao Crime Rural: Ação Policial e Desafios Contínuos
A recuperação integral da carga de agrotóxicos avaliada em R$ 200 mil em Ribeirão Preto representa um êxito notável para a Guarda Civil Metropolitana e um alívio para o setor agrícola da região. Este incidente destaca a vulnerabilidade das propriedades rurais e o crescente interesse de grupos criminosos por produtos de alto valor agregado, como os insumos agrícolas. O sucesso da operação, que envolveu o rápido acionamento, a mobilização de equipes especializadas como a Romu e o uso estratégico de drones, sublinha a importância da integração de recursos e tecnologia no combate à criminalidade rural. A capacidade de resposta rápida foi fundamental para evitar um prejuízo substancial ao produtor e demonstrar a eficácia das forças de segurança na proteção do patrimônio rural.
Contudo, o fato de os quatro suspeitos não terem sido identificados ou presos ressalta os desafios persistentes na luta contra o crime organizado que atua no campo. A sofisticação das ações criminosas, que inclui o planejamento de rotas de fuga, o uso de violência contra as vítimas e a tentativa de despistar a polícia, exige uma investigação aprofundada e contínua. A polícia segue empenhada em desvendar a identidade dos assaltantes e levá-los à justiça, garantindo que atos como este não se repitam. Este episódio serve como um lembrete da necessidade de reforçar as medidas de segurança nas propriedades rurais e de manter a vigilância constante, bem como a colaboração entre a comunidade e as forças policiais para coibir essas ações e garantir a tranquilidade dos produtores e trabalhadores do campo.
Fonte: https://g1.globo.com

