O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reafirmou veementemente a necessidade de o Brasil consolidar uma taxa básica de juros (Selic) em patamar de um dígito, distanciando-se permanentemente dos níveis atuais, considerados excessivamente restritivos. A declaração foi feita durante um encontro do diretório nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), em Salvador, Bahia, onde o ministro também abordou as perspectivas de crescimento econômico e a postura do governo no combate à corrupção.

A Urgência dos Juros de Um Dígito

Em seu discurso, Fernando Haddad expressou preocupação com a atual política monetária, classificando o patamar da Selic como potencialmente prejudicial ao esforço fiscal do governo. Segundo o ministro, uma taxa de juros elevada pode levar a uma desaceleração econômica excessiva, gerando consequências negativas para a gestão fiscal. Ele enfatizou que a busca pelo "traçado certo" na política monetária é crucial e que o país deve aspirar a um cenário onde juros de dois dígitos sejam uma realidade do passado. Haddad mencionou que defende essa trajetória consistente para a redução da taxa desde o início de sua gestão, visando estabilizar a economia em um novo patamar.

Diálogo com o Banco Central e Metas de Crescimento

Apesar de criticar o nível da Selic, o ministro da Fazenda demonstrou compreensão pelos desafios enfrentados pelo Banco Central. Ele fez referência ao presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, seu ex-colega, indicando um reconhecimento das pressões sobre a instituição. Haddad destacou que a sinalização do último Comitê de Política Monetária (Copom) aponta para uma trajetória consistente de cortes na taxa, o que considera um passo na direção correta. O ministro expressou otimismo em relação ao desempenho econômico, projetando um crescimento anual que pode superar 2,2% a 2,4%, mesmo com as condições atuais, e mantendo a meta de 3% de crescimento médio, o dobro da média dos últimos oito anos, conforme apresentado ao presidente Lula em seu plano de governo.

Combate Institucional à Corrupção

Além das pautas econômicas, Fernando Haddad comentou sobre a postura do governo em relação ao combate à corrupção, endossando as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro ressaltou que a atual administração se destaca por combater a corrupção de maneira estritamente institucional e técnica, sem qualquer tipo de politização ou partidarização. Ele assegurou que órgãos como a Polícia Federal, o Banco Central, a Receita Federal e o Coaf atuam com total autonomia, sem interferências políticas, para conduzir suas investigações e processos. Haddad reforçou a diretriz de Lula: "Quem fez, paga", garantindo que ninguém será poupado, seja ministro, parente ou qualquer outra figura, e que todos responderão pelos seus atos, consolidando uma prática de transparência e rigor na gestão pública.

As declarações de Haddad em Salvador delineiam as prioridades do governo, que incluem a busca por uma política monetária mais favorável ao crescimento, sem negligenciar a estabilidade fiscal, e a manutenção de uma abordagem intransigente e institucional no enfrentamento de ilícitos, reforçando a integridade da administração pública.

Fonte: https://jovempan.com.br

Share.

Comments are closed.