Em um evento que celebrou o 46º aniversário do Partido dos Trabalhadores (PT) em Salvador, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reiterou a necessidade de abordar as promessas de campanha com um firme compromisso com a responsabilidade fiscal e a sustentabilidade econômica. O ministro destacou a importância de que cada proposta seja cuidadosamente avaliada para garantir sua viabilidade e evitar retrocessos, posicionando a reconstrução das contas públicas como um pilar central da atual gestão.

A Balança entre Promessas Sociais e Sustentabilidade Fiscal

Haddad ilustrou seu ponto ao citar a aprovação do aumento da isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil como um exemplo de promessa de campanha que pode ser cumprida de forma responsável, sem gerar impactos fiscais significativos. Esta medida, segundo ele, demonstra a capacidade do governo de implementar políticas sociais importantes dentro de um arcabouço de prudência econômica. O ministro enfatizou que o objetivo é honrar os compromissos eleitorais, mas sempre “do jeito certo”, priorizando a estabilidade e a solvência do Estado.

O Dilema da Tarifa Zero no Transporte Público

Contrastando com medidas de impacto fiscal neutro, Haddad trouxe à tona o complexo debate em torno da implementação da tarifa zero para o transporte público. Ele explicitou que, ao contrário de propostas como a escala de trabalho 6×1, que não acarreta despesas orçamentárias diretas, a ausência de cobrança de tarifas no transporte exige um modelo de financiamento alternativo robusto e consistente. “Como vamos financiar o transporte público se não for por tarifa?”, questionou, sublinhando a dificuldade de abdicar de uma fonte de receita tão essencial.

O ministro revelou que a equipe econômica está empenhada em desenhar cenários viáveis para essa proposta, avaliando cuidadosamente as alternativas de custeio. A inclusão da tarifa zero no plano de governo dependerá desses estudos aprofundados, que buscam assegurar a sustentabilidade do serviço sem comprometer o equilíbrio das contas públicas. O desafio reside em encontrar um mecanismo de financiamento que seja não apenas eficaz, mas também duradouro, para uma medida de tamanha envergadura social.

Compromisso Inegociável com a Credibilidade Fiscal

Ao longo de sua intervenção, Haddad reforçou que todas as ações da pasta que comanda são guiadas pela busca por uma trajetória sustentável dos indicadores econômicos, e não por “concessões para A, B ou C”. Ele afirmou que sua defesa da reorganização das contas públicas é uma postura constante e inegociável, independentemente de sua posição. Essa visão, segundo o ministro, é fundamental para garantir a credibilidade do país e assegurar a capacidade de investimento e de provimento de serviços públicos a longo prazo.

Perspectivas sobre a Herança Econômica e a Reconstrução

Fernando Haddad aproveitou a ocasião para tecer críticas à condução econômica do governo anterior. Ele argumentou que o Brasil não vive uma alternância de poder “normal”, devido às medidas adotadas pela gestão predecessora. Essa situação atípica, na sua visão, impôs um cenário complexo que impediu o país de seguir uma trajetória consistente em direção ao bem-estar social e ao enfrentamento das mazelas. O ministro salientou que o atual governo está empenhado em reverter esse quadro, buscando uma reconstrução que alinhe crescimento econômico com justiça social, sempre sob o prisma da responsabilidade fiscal.

A fala de Haddad em Salvador ressaltou a complexidade de gerir as expectativas sociais e os imperativos econômicos, reiterando o compromisso do Ministério da Fazenda em construir um futuro fiscalmente sólido, capaz de suportar as ambiciosas transformações sociais almejadas.

Fonte: https://jovempan.com.br

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