O governo federal, por meio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou nesta quarta-feira uma iniciativa estratégica para mitigar a escalada dos preços dos combustíveis no país. A proposta central visa readequar a incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre esses produtos, em uma tentativa de conter a pressão inflacionária. A medida surge em um cenário de alta volatilidade, impulsionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela iminente ameaça de uma paralisação dos caminhoneiros, desencadeada pela recente elevação do diesel.
Diálogo com os Estados para Estabilizar o Mercado
A discussão sobre a alteração do ICMS nos combustíveis será o ponto principal da reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), órgão que congrega os secretários de Fazenda de todos os estados e do Distrito Federal, sob a presidência do próprio ministro Haddad. Embora os detalhes da proposta não tenham sido antecipados, o ministro assegurou que as ações para reduzir os preços não comprometerão a saúde fiscal das unidades federativas, destacando que a arrecadação estadual já tem sido positivamente impactada por iniciativas federais de combate à sonegação.
Haddad ressaltou que operações como a “Carbono Oculto”, focadas na fiscalização do setor de combustíveis, e a nova Lei do Devedor Contumaz, se adaptada às legislações estaduais, contribuem significativamente para o aumento da arrecadação. Segundo ele, este é um “dado positivo, que a arrecadação aumenta sem que o imposto aumente”, indicando uma base para negociações com os estados sem prejuízo orçamentário para estes entes federados.
As Medidas Federais e o Apelo à Colaboração Estadual
A iniciativa do Ministério da Fazenda complementa esforços anteriores do governo federal. Na semana passada, já havia sido implementada a zeragem temporária do PIS e da Cofins sobre o diesel, uma ação direta para aliviar o custo. Contudo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sublinhou a limitação dessas intervenções sem a cooperação dos estados, apelando por “boa vontade” dos governadores para que o benefício chegue efetivamente ao consumidor final. A perspectiva federal é de que um esforço conjunto é essencial para uma estabilização duradoura dos preços.
A Posição dos Estados e o Debate sobre o Repasse ao Consumidor
Apesar do apelo federal, os estados mantêm uma postura de resistência em relação à redução do ICMS sobre combustíveis. O Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) manifestou, em nota, que a experiência passada demonstra que cortes tributários nesse setor nem sempre se traduzem em preços menores na bomba para o consumidor. O Comsefaz argumenta que tais medidas podem gerar uma “perda dupla” para a população: a manutenção dos preços elevados somada à diminuição de recursos para o financiamento de políticas públicas essenciais.
Combate à Especulação e Fiscalização Reforçada
Em paralelo às discussões tributárias, o governo federal também intensificou as ações de fiscalização para coibir práticas abusivas no mercado de combustíveis. Foram estabelecidas medidas permanentes de transparência e controle, com a Agência Nacional de Petróleo (ANP) encarregada de definir os critérios objetivos para identificar a abusividade nos preços. Adicionalmente, a Polícia Federal abriu um inquérito para investigar irregularidades e garantir que as reduções de impostos federais sejam, de fato, repassadas aos consumidores.
Fernando Haddad criticou veementemente a ação de especuladores, que, segundo ele, têm se aproveitado do cenário de incerteza gerado pelo conflito internacional. Ele observou que, mesmo com a gasolina não sofrendo alterações de preço pela Petrobras e com a compensação federal no diesel via PIS/Cofins, alguns agentes do mercado não repassaram as reduções ou mantiveram os preços elevados de forma injustificada. Essa especulação, de acordo com o ministro, prejudica a economia popular e demanda uma resposta firme por parte das autoridades.
Perspectivas para a Estabilização do Setor
A complexa teia de fatores que influenciam os preços dos combustíveis no Brasil, desde o cenário global até a dinâmica tributária interna, exige uma abordagem multifacetada. A proposta de Haddad para o ICMS, somada às medidas federais de desoneração, fiscalização e combate à especulação, reflete um esforço coordenado para mitigar os impactos sobre os consumidores e a economia. O desfecho das negociações no Confaz e a efetividade das ações de controle serão cruciais para determinar o sucesso dessa estratégia em um dos setores mais sensíveis da economia nacional.
Fonte: https://jovempan.com.br

