Uma pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou uma diferença notável na expectativa de vida entre homens e mulheres no Brasil. De acordo com as Tábuas Completas de Mortalidade de 2024, a expectativa de vida ao nascer para as mulheres alcançou 79,9 anos, enquanto para os homens ficou em 73,3 anos.

Essa disparidade de 6,6 anos, evidenciando uma vantagem significativa para as mulheres, reflete diferentes dinâmicas sociais e de saúde entre os gêneros. Apesar de ambos os grupos terem apresentado um aumento na longevidade em comparação com 2023, com a média geral do país atingindo 76,6 anos, a expectativa de vida das mulheres permanece superior em todas as faixas etárias analisadas.

A pesquisa aponta que a principal razão para essa diferença não reside em fatores biológicos, mas sim na violência. O estudo destaca uma discrepância alarmante na população adulta jovem. Na faixa etária entre 20 e 24 anos, a probabilidade de um homem morrer é 4,1 vezes maior do que a de uma mulher da mesma idade. Esse fenômeno, conhecido como “sobremortalidade masculina”, é impulsionado por causas externas, como homicídios, acidentes de trânsito e suicídios.

Essa perda precoce de vidas masculinas impacta a média geral da expectativa de vida dos homens. A análise histórica demonstra que, a partir da década de 1980, com a aceleração da urbanização, as mortes violentas passaram a impedir que a expectativa de vida masculina crescesse no mesmo ritmo que a feminina.

Mesmo ao analisar a população que sobreviveu à juventude e alcançou a terceira idade, as mulheres continuam a viver mais. Para aqueles que completam 60 anos em 2024, a expectativa é viver, em média, mais 24,2 anos para as mulheres, em comparação com 20,8 anos para os homens. Isso significa que uma mulher de 60 anos tem a perspectiva de ultrapassar os 84 anos de idade, enquanto um homem tende a chegar aos 80.

Essa vantagem persiste mesmo em idades mais avançadas. Aos 80 anos, as mulheres têm uma projeção de viver mais 9,5 anos, enquanto os homens têm uma sobrevida estimada de 8,3 anos.

Os dados de 2024 também demonstram uma recuperação da saúde pública após a crise sanitária da Covid-19. Em 2021, a expectativa de vida feminina havia recuado para 76,4 anos e a masculina para 69,3 anos. O retorno ao crescimento da longevidade para ambos os sexos é atribuído à redução da mortalidade geral e infantil, impulsionada por melhorias no saneamento, vacinação e atenção básica à saúde ao longo das últimas décadas.

Fonte: jovempan.com.br

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