A Trajetória de um Ícone

Os Primeiros Anos e a Ascensão no Forest

Robertson iniciou sua carreira profissional no Nottingham Forest em 1970, um período que se mostraria decisivo para o futuro do clube e para a sua própria ascensão como jogador. Embora talentoso, seus primeiros anos foram marcados por inconsistências e pela busca de uma posição definitiva no campo, oscilando entre o meio-campo e o ataque. A verdadeira virada em sua carreira ocorreu em 1975, com a chegada de Brian Clough e seu assistente Peter Taylor ao comando técnico do Forest, uma dupla que revolucionaria o futebol inglês e europeu nas décadas seguintes.

Sob a tutela de Clough, Robertson foi reposicionado definitivamente para a ponta-esquerda, onde sua capacidade de driblar, criar jogadas e finalizar com precisão poderia ser plenamente explorada. O treinador tinha uma fé inabalável nas qualidades do escocês, transformando-o de um jogador promissor em um artista do gramado. Sua técnica apurada, a habilidade de conduzir a bola com a perna esquerda e sua inteligência tática o tornaram um pesadelo para os defensores adversários. Clough chegou a descrevê-lo como “o Picasso do esporte”, uma alusão à sua genialidade e ao toque único que imprimia em cada jogada, comparando-o a talentos sul-americanos e italianos pela sua capacidade de improvisação e criatividade. Essa confiança e o ambiente de alta performance impulsionaram Robertson a se tornar um dos pontas mais temidos do futebol inglês e europeu, culminando em uma era de glórias sem precedentes para o Nottingham Forest.

Glórias Inesquecíveis e o Reinado Europeu

O Esplendor da Era Clough

A ascensão de John Robertson coincidiu com a mais gloriosa era do Nottingham Forest. Em 1977, sob a batuta de Clough e com Robertson em plena forma, o clube conquistou a promoção para a Primeira Divisão inglesa. Apenas uma temporada depois, em 1978, desafiando todas as expectativas, o Forest chocou o cenário futebolístico ao levantar o troféu do Campeonato Inglês, um feito notável para um time recém-promovido que acabara de retornar à elite. Robertson foi uma figura central nessa campanha histórica, com gols decisivos e assistências cruciais que pavimentaram o caminho para o título, demonstrando sua influência inegável no sucesso coletivo.

Contudo, foi na Europa que Robertson e o Forest escreveram seus nomes na imortalidade. Na temporada 1978/79, o Nottingham Forest embarcou em uma jornada que culminaria na conquista da Copa dos Campeões da Europa. Robertson desempenhou um papel vital, e seu momento de maior brilho veio na final contra o Malmö FF, em Munique. Foi dele a assistência magistral para o gol de Trevor Francis, o único da partida, que selou a primeira Copa dos Campeões para o clube, um momento que ecoa até hoje na memória dos torcedores. O feito foi tão grandioso que o Forest não se contentou. Na temporada seguinte, 1979/80, com a mesma base e a fome de vitórias intacta, o time repetiu a dose. Novamente, Robertson brilhou intensamente, marcando o gol decisivo na final contra o poderoso Hamburger SV, um chute preciso de perna esquerda que garantiu a segunda Copa dos Campeões consecutiva. Essas conquistas não apenas consolidaram o Forest como uma potência europeia, mas também cimentaram a lenda de John Robertson como um dos maiores jogadores de sua geração e um verdadeiro herói em Nottingham.

O Legado Duradouro de um Herói do Futebol

Após sua brilhante passagem pelo Nottingham Forest, Robertson teve breves períodos em outros clubes, como Derby County e Motherwell, antes de encerrar sua carreira, mas seu coração e sua imagem permaneceram eternamente ligados ao Forest. Sua morte deixa um vazio imenso no universo do futebol, especialmente entre os torcedores do Nottingham Forest e os admiradores do futebol clássico que testemunharam sua magia em campo. A família, em comunicado emocionado, destacou seu caráter gentil, amoroso, espirituoso e divertido, reforçando que, para além do herói do futebol, ele era um dedicado marido, pai e avô, cuja ausência será profundamente sentida. O legado de John Robertson transcende as estatísticas e os troféus; ele será lembrado como um símbolo de determinação, talento puro e a personificação da era de ouro de um clube que, com ele em campo, ousou sonhar e conquistar a Europa por duas vezes seguidas, inspirando gerações de jogadores e fãs a sonhar alto e a lutar por seus objetivos no esporte.

Fonte: https://www.metropoles.com

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