Uma recente pesquisa do instituto Nexus, divulgada nesta quarta-feira (11), lança luz sobre a complexidade do debate em torno da jornada de trabalho 6×1 no Brasil. O levantamento revela um forte apoio popular à mudança, mas com uma condição irredutível: a manutenção integral do salário. Os dados apontam para uma sociedade que almeja mais equilíbrio entre vida profissional e pessoal, contanto que sua estabilidade financeira não seja comprometida. O estudo oferece um panorama detalhado da percepção pública, do impacto do conhecimento sobre o tema e das nuances políticas envolvidas na discussão.
A Preferência Condicionada: O Salário no Centro do Debate
A pesquisa do Nexus evidencia que <b>73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala de trabalho 6×1</b>, desde que essa alteração não implique em qualquer tipo de redução salarial. Essa porcentagem expressiva sublinha o desejo por uma reforma na estrutura da jornada de trabalho que beneficie o trabalhador sem penalizá-lo financeiramente. Contudo, quando o cenário hipotético inclui a diminuição dos rendimentos, o apoio despenca drasticamente, com apenas 28% dos entrevistados se mostrando favoráveis à mudança. Em uma avaliação mais abrangente, desconsiderando a questão salarial, a aprovação geral pela iniciativa ainda é majoritária, atingindo 63%, enquanto 22% se posicionam contra.
Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, comentou sobre essa dicotomia, explicando que a sensibilidade ao salário é um reflexo direto da realidade econômica de grande parte da população. Muitos brasileiros vivem com orçamentos apertados e dependem integralmente de seus rendimentos mensais, o que torna qualquer proposta de redução salarial inviável e, consequentemente, impopular, mesmo que a ideia principal da jornada de trabalho seja vista com bons olhos.
Informação e Engajamento: O Desafio do Conhecimento Público
Apesar de ser um tema amplamente discutido no país, o nível de compreensão sobre a proposta de fim da escala 6×1 ainda é baixo. O levantamento revela que 62% dos entrevistados já ouviram falar sobre o assunto, mas uma parcela muito menor, <b>apenas 12%, afirma entender bem o projeto</b> em suas implicações e detalhes. Um número significativo, 35%, sequer teve contato com a proposta, indicando uma lacuna considerável na disseminação de informações claras e acessíveis.
Interessantemente, a pesquisa estabelece uma correlação direta entre o nível de conhecimento e o apoio à medida. Entre aqueles que demonstram uma boa compreensão do projeto, a aprovação atinge 71%. Em contrapartida, entre os que nunca ouviram falar da proposta, o apoio cai para 55%, sugerindo que um maior esclarecimento poderia gerar um engajamento ainda mais robusto da população em torno do tema.
Divisões e Convergências: O Cenário Político-Social
A percepção sobre o fim da jornada 6×1 também apresenta variações de acordo com a orientação política dos entrevistados, embora o apoio se mantenha majoritário em diferentes espectros. Entre os eleitores de Lula em 2022, 71% se declararam favoráveis à medida, enquanto 15% foram contra e 15% não souberam ou não quiseram responder. Já entre os eleitores de Bolsonaro em 2022, o apoio foi de 53%, com 32% se posicionando contra e 15% optando por não responder. Os dados mostram que, embora haja uma diferença na intensidade do apoio, a proposta encontra simpatia em ambos os lados do espectro político, indicando um desejo de mudança que transcende barreiras ideológicas específicas.
Metodologia da Pesquisa Nexus
O estudo foi realizado pelo instituto Nexus entre os dias 30 de janeiro e 05 de fevereiro, abrangendo 2.021 pessoas com idade a partir de 16 anos. Os entrevistados foram selecionados em todos os 27 estados do Brasil, garantindo uma representatividade nacional. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%, assegurando a robustez dos resultados apresentados.
Em suma, a pesquisa Nexus ressalta a vontade clara dos brasileiros por uma transformação nas regras da jornada de trabalho, buscando um modelo mais justo e equilibrado. Contudo, essa aspiração é intrinsecamente ligada à segurança financeira, tornando a não redução salarial uma condição sine qua non para a aceitação de qualquer mudança. O desafio, portanto, reside em formular propostas que atendam a essa demanda social sem desconsiderar a imprescindível proteção da renda do trabalhador, ao mesmo tempo em que se investe na informação para que a população compreenda a fundo as implicações de tais reformas.
Fonte: https://jovempan.com.br

