Larissa de Souza Batista, jovem que era considerada foragida pela Justiça, foi detida na manhã desta quarta-feira (15) em um hotel na cidade de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Ela é a principal suspeita de arquitetar e executar um plano para assassinar o namorado, Adenilon Ferreira Parente, utilizando açaí envenenado com 'chumbinho' em fevereiro deste ano. A prisão preventiva foi decretada após o Ministério Público formalizar a denúncia por tentativa de homicídio qualificado, mesmo com a vítima, que sobreviveu ao ataque, ainda manifestando crença na inocência da parceira.
Prisão e Desdobramentos Judiciais
A captura de Larissa ocorreu após dias de busca, já que ela estava foragida desde a última segunda-feira (13). Naquela data, a Justiça acatou o pedido do Ministério Público (MP) e emitiu um mandado de prisão preventiva contra ela. O MP concluiu, após intensas investigações da Polícia Civil, que a jovem só não conseguiu consumar o crime devido a fatores externos que fugiram ao seu controle. A denúncia formal contra Larissa é por tentativa de homicídio qualificado, com agravantes como o emprego de meio cruel, uso de veneno e um recurso que dificultou a defesa da vítima.
O acatamento da prisão preventiva pela Justiça se justificou não apenas pela gravidade do delito, que pode acarretar uma pena de até 30 anos de reclusão, aumentando o risco de fuga, mas também pela constatação de que a acusada possui ligações familiares em outro estado, além de indícios de tentativa de ocultar provas durante o inquérito, como o reset de seu aparelho celular dias após o incidente.
O Ataque com Açaí Envenenado e as Evidências
O episódio que culminou na prisão de Larissa aconteceu em 5 de fevereiro. Naquele dia, por volta das 16h, ela foi até uma loja de açaí na Avenida Barão do Bananal, na zona Leste de Ribeirão Preto, para buscar dois copos da sobremesa. Imagens de câmeras de segurança, tanto de vizinhos quanto do próprio estabelecimento, foram cruciais para a investigação. As filmagens mostram o casal chegando em casa de carro, com Larissa entregando um dos copos de açaí ao namorado. A polícia apurou que, ainda dentro do veículo, Larissa teria adicionado uma substância estranha ao açaí de Adenilon e, em seguida, descartado um pequeno saco plástico em via pública. A acusada, em depoimento, alegou ter apenas acrescentado leite condensado, que teria vindo à parte.
Laudos periciais posteriores confirmaram a presença de terbufós, popularmente conhecido como 'chumbinho', no copo de açaí que foi consumido pela vítima. O promotor Eliseu Berardo Gonçalves foi enfático ao afirmar a total responsabilidade de Larissa, categorizando sua ação como premeditada e intencional. A investigação revelou também que, minutos após entregar o copo ao namorado, Larissa foi até a garagem, recolheu o copo e entrou novamente na casa, indicando uma possível tentativa de manipular a cena ou o objeto do crime.
A Recuperação da Vítima e seu Dilema
Adenilon Ferreira Parente, a vítima do envenenamento, passou mal com sintomas como queimação na garganta, tontura severa, sonolência intensa e um gosto peculiar de óleo de motor de carro, horas após consumir o açaí. Por volta das 20h, o casal foi flagrado pelas câmeras da loja de açaí retornando ao local para reclamar da compra. Após isso, Adenilon precisou ser hospitalizado, mas, felizmente, se recuperou dos efeitos da substância tóxica.
Curiosamente, e apesar da gravidade do ocorrido e das robustas evidências apresentadas pela investigação policial e pelo Ministério Público, Adenilon manteve, durante parte do processo, sua convicção na inocência da namorada. Este posicionamento levantou questionamentos e adicionou uma camada complexa ao caso, contrastando com as conclusões das autoridades que apontam Larissa como a única responsável pela tentativa de homicídio.
Com a prisão de Larissa de Souza Batista, o caso de tentativa de homicídio por envenenamento entra em uma nova fase. A acusada, que negou qualquer envolvimento durante as investigações, aguardará o desenrolar do processo sob custódia. A defesa da jovem foi procurada para comentar o caso, mas não emitiu um posicionamento oficial até o momento. O desfecho dessa história, que chocou a população de Ribeirão Preto pela frieza do método e pela relação entre agressor e vítima, será acompanhado de perto pela Justiça.
Fonte: https://g1.globo.com

