Uma jovem de 19 anos em Ribeirão Preto, São Paulo, foi brutalmente agredida por seu ex-namorado, Carlos Eduardo Galdino, de 21 anos, na portaria do condomínio onde reside. O incidente chocante, ocorrido na manhã de 25 de dezembro, Dia de Natal, por volta das 7h40, segundo registros de câmeras de segurança, trouxe à tona a alarmante persistência da violência doméstica. A vítima, cuja identidade não foi revelada por questões de segurança, relatou que a agressão foi desencadeada por um motivo trivial: sua demora em responder a uma mensagem enviada por Galdino na noite anterior. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Ribeirão Preto, que já solicitou uma medida protetiva de urgência. Galdino, que não aceitava o fim do relacionamento, ocorrido há cerca de um mês, está atualmente procurado pela polícia.
A Cronologia da Violência e Seus Detalhes Chocantes
O Estopim de uma Mensagem e a Brutalidade no Condomínio
O cenário da agressão foi a portaria de um condomínio no bairro Florestan Fernandes, em Ribeirão Preto. A jovem, que se preparava para ir a uma padaria com amigas que já estavam a caminho, havia parado para descansar em um banco enquanto aguardava. Foi nesse momento que Carlos Eduardo Galdino surgiu. De acordo com o relato da vítima, a fúria do ex-namorado havia sido despertada pela ausência de uma resposta imediata a uma mensagem de Natal enviada na noite anterior. A jovem explicou que a bateria de seu celular descarregou, e ela só conseguiu responder por volta das 6h da manhã do dia seguinte, o que, aparentemente, foi suficiente para Galdino iniciar uma série de ofensas verbais. Ao avistar o ex-namorado se aproximando, a vítima tentou desesperadamente se abrigar dentro do prédio, correndo para a segurança do interior do condomínio. No entanto, Galdino conseguiu forçar a entrada, chutando a porta com veemência.
Uma vez dentro, as câmeras de segurança registraram a sequência brutal de agressões. O homem desferiu chutes, socos e puxões de cabelo contra a jovem, em uma demonstração de violência desmedida. Além da agressão física, Carlos Eduardo quebrou o aparelho celular da ex-namorada, um objeto que, segundo ela, era crucial para seu trabalho e foi pago com grande esforço. Durante o ataque, ele também proferiu uma série de insultos degradantes, chamando-a de “puta” e “vagabunda”, apesar de a vítima reiterar que sua rotina de trabalho em um shopping, das 14h às 22h, e seus compromissos familiares a impediam de ter qualquer conduta que justificasse tais acusações. A jovem enfatizou que Galdino “sabe que eu não merecia isso” e que não deu “motivo pra ele fazer isso”. Um detalhe adicional reportado pela vítima foi a acusação de omissão por parte de uma funcionária da guarita, cuja ação ou inação não foram detalhadas na ocorrência.
Um Histórico de Abuso e a Recusa em Aceitar o Fim
Padrões de Controle e o Sofrimento Silencioso
O incidente no dia de Natal não foi um fato isolado, mas o ápice de um relacionamento de dois anos marcado por um padrão de controle, humilhações e possessividade. A vítima relembrou os episódios de sofrimento que enfrentou nas mãos de Galdino, descrevendo o terror de “nunca imaginar que ia passar por isso”. Ao longo do relacionamento, a jovem foi submetida a humilhações frequentes e infidelidades, com o ex-namorado mantendo contato com outras mulheres. Essa dinâmica de poder e desrespeito era uma constante, minando a autoestima e a segurança da vítima, que relata ter sofrido bastante. Os ciúmes e a possessividade de Carlos Eduardo eram evidentes e se manifestavam em atitudes desiguais: ele se irritava quando a jovem seguia outras pessoas nas redes sociais, mas ele mesmo mantinha esse comportamento.
De acordo com a vítima, o comportamento agressivo de Galdino se intensificou nos últimos tempos, especialmente após o término do relacionamento, há um mês, período que já havia sido precedido por outra separação temporária. Essa escalada de agressividade, ciúmes e possessividade, com o ex-namorado proferindo frases como “você vai ser só minha”, culminou na brutal agressão. A jovem expressou que ele “ficou desse jeito, mais agressivo, mais possessivo, esse negócio de ciúmes, só me xingava”. Esse histórico revela não apenas um relacionamento disfuncional, mas um ciclo de violência psicológica que precedeu a violência física, indicando a recusa do agressor em aceitar o término e a perda de controle sobre a vida da ex-companheira. A persistência dessa mentalidade possessiva é um fator alarmante que frequentemente precede e intensifica os casos de violência doméstica e de gênero.
A Resposta das Autoridades e o Desafio da Combate à Violência Contra a Mulher
O caso da agressão em Ribeirão Preto foi imediatamente registrado como boletim de ocorrência por lesão corporal e violência doméstica. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) confirmou que a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Ribeirão Preto está à frente da investigação, agindo prontamente ao solicitar uma medida protetiva de urgência para a vítima. Essa medida é crucial para garantir a segurança da jovem, impedindo que o agressor se aproxime ou mantenha contato. No entanto, até o momento da última atualização, Carlos Eduardo Galdino ainda não havia sido localizado nem detido pela polícia, que o considera foragido. A defesa do suspeito não foi localizada para se manifestar sobre as acusações.
Este triste episódio em Ribeirão Preto serve como um lembrete contundente dos desafios enfrentados na luta contra a violência de gênero no Brasil. A agressão, motivada por um pretexto fútil – a demora em uma resposta de mensagem – ressalta a natureza insidiosa da possessividade e do controle que muitas vezes precede a violência física. A coragem da vítima em denunciar e relatar os abusos é fundamental para que casos como este não fiquem impunes. A atuação da Delegacia de Defesa da Mulher e a implementação de medidas protetivas são instrumentos essenciais, mas a eficácia dessas ações depende da rápida localização e responsabilização dos agressores. A sociedade, em seu conjunto, precisa se engajar na conscientização e no combate a todas as formas de violência contra a mulher, reforçando a importância da denúncia e do apoio às vítimas para que a justiça seja feita e a segurança das mulheres seja, de fato, uma prioridade.
Fonte: https://g1.globo.com

