A Justiça de São Paulo deu um novo e significativo rumo à investigação da morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos. A decisão, proferida nesta terça-feira, estabelece que o caso, anteriormente tratado como morte suspeita, seja agora apurado sob a ótica de feminicídio. Gisele foi encontrada sem vida em sua residência, no bairro do Brás, região central da capital paulista, em fevereiro, com um ferimento a bala na cabeça. A mudança na classificação da ocorrência se dá após novos elementos e um pedido judicial que reconhece a natureza grave do delito.
Redirecionamento Judicial: Da Suspeita ao Tribunal do Júri
A juíza Giovanna Christina Colares, atendendo a uma solicitação motivada pela própria natureza do crime em análise, determinou a redistribuição do processo. Com esta medida, a investigação sairá de sua esfera inicial e será encaminhada para uma Vara do Tribunal do Júri. Esta instância judicial é a competente para julgar crimes dolosos contra a vida, o que reforça a gravidade da nova classificação e indica uma reviravolta na percepção judicial sobre os eventos que levaram à morte da policial.
O Laudo de Exumação e as Novas Evidências Periciais
Um elemento crucial para a reclassificação do caso surgiu de um laudo de exumação. Na última sexta-feira (6), a Justiça havia determinado a exumação do corpo de Gisele, e o relatório pericial subsequente revelou achados que contradizem a hipótese inicial de suicídio. Peritos constataram lesões contundentes na face e na região cervical da vítima, descritas como marcas compatíveis com pressão digital e escoriações por unhas (estigma ungueal). Notavelmente, o documento pericial também indicou a ausência de lesões típicas de defesa, um dado que lança dúvidas sobre a versão de um ato autoimposto.
Contexto da Morte e Versão Inicial do Marido
A tragédia ocorreu em 18 de fevereiro, no apartamento que Gisele compartilhava com seu marido, o também policial Geraldo Neto. Segundo o relato inicial de Geraldo, a morte teria sido resultado de um suicídio ocorrido momentos após uma discussão entre o casal, na qual ele teria proposto a separação. Ele afirmou que, enquanto tomava banho, ouviu um disparo e, ao verificar, encontrou Gisele já baleada no chão. Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio, mas a pressão da família de Gisele, que alegava abusos e violência por parte do marido, levou à primeira alteração na classificação, de suicídio para morte suspeita, antes da atual determinação judicial.
Posicionamento da Defesa e Próximos Passos na Investigação
A defesa de Geraldo Leite Rosa Neto, ao ser procurada, informou não ter tido acesso ao novo laudo de exumação. Em manifestações anteriores, os advogados do tenente-coronel haviam ressaltado que ele não figurava como investigado, suspeito ou indiciado no procedimento, e que tem colaborado com as autoridades desde o início das apurações. No entanto, diante das novas evidências e da reclassificação para feminicídio, fontes da Polícia Civil indicam que aumentam as chances de o caso culminar em um pedido de prisão para Geraldo Neto, evidenciando o aprofundamento e a mudança de perspectiva na condução da investigação.
A decisão da Justiça representa um marco na busca por clareza e justiça para Gisele Alves Santana. Ao ser formalmente investigado como feminicídio por um Tribunal do Júri, o caso ganha a seriedade e o rigor que a natureza das evidências e as denúncias da família demandam, prometendo um desfecho mais alinhado com a busca pela verdade real dos fatos.
Fonte: https://jovempan.com.br

