O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, trouxe à luz, nesta segunda-feira (9), a minuciosa diligência que antecedeu a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro do ano anterior. Em um painel durante evento organizado pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Galípolo enfatizou que todo o trabalho da autoridade monetária foi embasado e criterioso, revelando as razilidades financeiras da instituição no momento da intervenção e a estratégia coordenada para a resolução.

A Situação Financeira Crítica do Banco Master

Galípolo detalhou o cenário financeiro preocupante do Banco Master no momento em que sua liquidação foi decretada. A instituição possuía apenas R$ 4 milhões em caixa, um valor insignificante diante de uma dívida de mais de R$ 120 milhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) que já não se beneficiavam da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Este desequilíbrio patente sinalizava a incapacidade do banco de honrar seus compromissos, tornando a intervenção inevitável.

A Atuação Coordenada Entre Banco Central e FGC

Para gerenciar a situação e proteger os interesses dos investidores, o Banco Central, a partir de abril do ano passado, trabalhou de forma conjunta e estratégica com o FGC. Uma série de restrições foi imposta, e o FGC começou a honrar integralmente os CDBs que venciam, sem impor custos adicionais aos seus titulares, demonstrando um esforço conjunto para estabilizar o impacto da crise.

Essa coordenação resultou em movimentos financeiros significativos, como a projeção de uma queda de R$ 9,2 bilhões na captação líquida do Master coberta pelo FGC e de R$ 2 bilhões na captação não coberta. Adicionalmente, houve um aporte dos acionistas, seja em dinheiro ou através de conversões de letras financeiras, que ultrapassou os R$ 2 bilhões. Galípolo salientou que este esforço conjunto foi fundamental para embasar tanto a rejeição da proposta de compra do banco pelo BRB Banco de Brasília quanto a decisão final de liquidação.

Desafios Regulatórios e a Defesa da Autonomia Orçamentária

O caso do Banco Master, na visão de Galípolo, ilustra as complexidades enfrentadas na regulação do sistema financeiro, mesmo em um cenário onde o Brasil não apresenta risco sistêmico generalizado. O presidente do BC apontou para um aumento notável no volume de instituições sob sua supervisão, paradoxalmente, em um período de redução no quadro de pessoal, evidenciando as pressões sobre a capacidade de fiscalização da entidade.

Aproveitando a ocasião, o banqueiro central reforçou a necessidade de uma discussão sobre a autonomia orçamentária do Banco Central. Ele fez questão de frisar o compromisso da instituição com a transparência e a responsabilidade, declarando que 'o Banco Central não quer gastar um centavo que não passe pelo escrutínio público', sublinhando a importância de recursos adequados para cumprir seu mandato sem comprometer a accountability.

Fortalecendo Mandatos e a Luta Pela Transparência na Informação

Galípolo destacou que o ano de 2023 representou um período de grandes desafios para a autoridade monetária, exigindo o reforço dos dois pilares de seu mandato central: a política monetária e a estabilidade financeira. O presidente do BC descreveu o momento como de grande prova para a instituição, que precisou demonstrar resiliência e eficácia em suas ações.

Por fim, ele enfatizou a relevância de 'não deixar vácuos' nas narrativas, especialmente em uma era digital onde boatos e desinformação podem se espalhar rapidamente. A transparência, nesse contexto, surge como um dos maiores desafios para os bancos centrais em todo o mundo. Galípolo concluiu sua participação agradecendo o apoio das associações do setor financeiro, que se manifestaram em favor do trabalho do BC nos últimos meses.

A explanação de Gabriel Galípolo sobre a liquidação do Banco Master reafirma o compromisso do Banco Central com a solidez e a integridade do sistema financeiro nacional. A ênfase na diligência, na coordenação estratégica e na transparência serve como um lembrete da vigilância contínua necessária para proteger a economia e manter a confiança do público e dos mercados.

Fonte: https://jovempan.com.br

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