Em um discurso proferido em Salvador, Bahia, durante a entrega de ambulâncias e equipamentos do Novo PAC Saúde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou temas cruciais para a agenda nacional, reconhecendo abertamente os desafios da segurança pública no Brasil. Além de cobrar celeridade na aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa redefinir o papel da União neste setor, o mandatário aproveitou a ocasião para tecer considerações pessoais sobre seu atual estado político e físico, afirmando viver o que considera seu 'melhor momento'.
A Urgência da Segurança Pública e a PEC Federal
O presidente Lula enfatizou a segurança pública como uma questão premente no país, cuja complexidade exige uma nova abordagem constitucional. Ele destacou a existência de uma PEC em tramitação no Congresso Nacional desde o ano passado, que busca atribuir responsabilidades mais amplas à União no combate à criminalidade. Atualmente, a Constituição Federal delimita as atribuições da União, principalmente à Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF), deixando a maior parte da segurança a cargo dos estados. A aprovação da medida, segundo o presidente, abriria caminho para a criação de um Ministério da Segurança Pública dedicado exclusivamente à questão, condicionada, contudo, à disponibilização de recursos financeiros robustos.
Em um apelo direto aos deputados, Lula ressaltou a importância da responsabilidade do parlamento em dar prosseguimento à votação da proposta, cuja data ainda não foi definida. A iniciativa presidencial busca uma reconfiguração do arranjo federativo na segurança, permitindo uma atuação mais coordenada e abrangente do governo central diante da escalada da violência.
Críticas à Política Armamentista e Seus Riscos
Em sua fala, Lula também direcionou críticas contundentes à política armamentista promovida por segmentos da oposição, em especial os bolsonaristas. O presidente argumentou que a apologia ao armamento indiscriminado, que disseminava a ideia de que a posse de armas por cidadãos seria a solução para a segurança, na verdade, representava um risco à sociedade. Ele lamentou um período em que parecia haver mais estímulo à venda de armas do que de livros, alertando que tais equipamentos, muitas vezes, acabam nas mãos de criminosos e organizações do crime organizado, contribuindo para o aumento da violência e da insegurança.
Otimismo Político e Vigor Pessoal
Contrastando com as preocupações sobre segurança, o presidente Lula apresentou um cenário otimista quanto à sua situação pessoal e política. Ele declarou estar vivendo seu 'melhor momento do ponto de vista político', destacando uma relação aprimorada com parlamentares de diferentes partidos. O presidente afirmou que sua postura é de não cultivar inimizades, a menos que sejam gratuitas, ressaltando a fluidez de seu diálogo com o Congresso.
Além da esfera política, Lula fez questão de sublinhar uma percepção de vigor físico superior ao de seus mandatos anteriores. Apesar de se aproximar dos 80 anos, ele comparou seu condicionamento atual com o de 2003, quando foi eleito pela primeira vez. Com um tom bem-humorado, relatou que hoje consegue manter um ritmo de caminhada e musculação mais intenso, atribuindo essa melhora a uma determinação pessoal de longevidade, com a meta de viver até os 120 anos. Essa vitalidade, segundo ele, reflete-se em sua capacidade de governar e se relacionar politicamente.
Relação com o Legislativo
A percepção de um 'melhor momento' político foi particularmente atribuída à sua interação com o poder Legislativo. Lula enfatizou a ausência de inimigos e a construção de pontes com deputados e senadores de todas as bancadas, indicando uma fase de maior estabilidade e capacidade de articulação governamental, fundamental para a aprovação de propostas como a PEC da segurança pública.
Conclusão
As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Salvador revelam um chefe de Estado engajado em pautas desafiadoras, como a reestruturação da segurança pública, ao mesmo tempo em que projeta uma imagem de liderança consolidada e revitalizada. Sua cobrança por uma ação legislativa célere na PEC da segurança pública, alinhada à crítica veemente às políticas armamentistas, e seu otimismo sobre sua capacidade política e física, desenham o perfil de um governo que busca conciliar a urgência de problemas sociais com a confiança na sua própria capacidade de gestão e articulação.
Fonte: https://jovempan.com.br

