Marcelo Nascimento da Rocha, conhecido nacionalmente como Marcelo VIP, uma figura emblemática no cenário criminal brasileiro por sua audácia e maestria em aplicar golpes, faleceu na última terça-feira (9), aos 49 anos. Sua morte ocorreu em Joinville, Santa Catarina, onde estava a trabalho. A confirmação veio de advogados e amigos próximos, que também informaram que o enterro aconteceria em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, cidade onde residia atualmente. A trajetória de Marcelo VIP é marcada por uma série de identidades falsas, fraudes e fugas espetaculares, que culminaram na inspiração para o aclamado filme “VIPs”, estrelado por Wagner Moura. Este golpista paranaense alcançou notoriedade nacional, especialmente após um ousado esquema em 2001, no qual se fez passar por um dos fundadores da Gol Linhas Aéreas, demonstrando uma capacidade ímpar de manipular e enganar figuras públicas e a imprensa.

Morte e os últimos anos de um golpista notório

Detalhes do falecimento

A morte de Marcelo Nascimento da Rocha, o homem por trás da persona Marcelo VIP, foi atribuída a complicações decorrentes de cirrose hepática, uma condição crônica grave que leva à cicatrização e falência progressiva do fígado. Segundo seu advogado, Nilton Ribeiro, Marcelo havia passado por uma cirurgia bariátrica anteriormente, o que poderia ter impactado sua saúde. O falecimento na cidade catarinense de Joinville encerrou uma vida repleta de reviravoltas, fugas espetaculares e uma busca por redenção nos últimos anos. A notícia de sua partida reverberou rapidamente, lembrando a muitos a figura complexa de um indivíduo que desafiou as fronteiras da lei e da identidade. Seu corpo foi trasladado para São José dos Pinhais, no Paraná, para o sepultamento, marcando o fim de uma era para um dos criminosos mais midiáticos do Brasil.

Tentativas de recomeço

Nos últimos anos de sua vida, Marcelo VIP buscava ativamente se desvencilhar do passado criminoso que o tornou infame. Amigos e pessoas próximas relataram que ele estava empenhado em reconstruir sua vida, investindo em atividades lícitas e construtivas. Marcelo atuava como palestrante, compartilhando suas experiências e lições aprendidas, e também se aventurava como escritor e produtor, trabalhando com artistas e explorando novas facetas profissionais. Roberto Bona Junior, um de seus advogados e amigo íntimo, expressou publicamente que Marcelo “soube aproveitar novas oportunidades e escrever outra história”, reconhecendo os erros passados, mas também o esforço para traçar um novo caminho. Essa tentativa de ressocialização, apesar de um histórico pesado de crimes e prisões, demonstrava um desejo de deixar para trás a vida de fraudes e enganos que o acompanhou por décadas, buscando um legado diferente para seus últimos anos.

A vida de um mestre da dissimulação

Origens e primeiros golpes

Natural de Maringá, no Paraná, Marcelo Nascimento da Rocha começou sua incursão no mundo do crime de forma precoce. Segundo relatos contidos em sua biografia, lançada em 2005, ele aplicou seu primeiro golpe aos 14 anos, demonstrando desde cedo uma inclinação para a dissimulação e a manipulação. Aos 18, sua audácia o levou a atuar como piloto do narcotráfico, uma atividade de alto risco que exigia habilidades de navegação e um certo grau de destemor. Marcelo afirmava que, nos períodos em que não estava pilotando para o tráfico, dedicava-se a criar personagens e identidades falsas para circular em diferentes ambientes sociais. Essa prática permitia-lhe enganar pessoas influentes, abrindo portas e construindo uma rede de contatos que seriam úteis em seus futuros esquemas. Ele também mencionou que a mudança para Curitiba aos oito anos de idade marcou um ponto de virada, após o qual sua família “perdeu o controle” sobre seu comportamento, indicando uma infância e adolescência turbulentas que moldaram o golpista que se tornaria.

O golpe da Gol Linhas Aéreas

O episódio que cimentou a fama de Marcelo VIP ocorreu em 2001, em Recife. Em um dos seus golpes mais audaciosos e bem-sucedidos, ele se apresentou como Henrique Constantino, um dos fundadores da recém-lançada Gol Linhas Aéreas. Utilizando sua inegável capacidade de persuasão e carisma, Marcelo conseguiu enganar uma série de celebridades, figuras públicas e veículos de imprensa, concedendo entrevistas e participando de eventos como se fosse o empresário real. A farsa durou tempo suficiente para gerar manchetes e dar-lhe uma projeção nacional e até internacional, expondo a fragilidade de sistemas de verificação e a facilidade com que a imagem pode ser manipulada. Este golpe em particular destacou sua habilidade em mimetizar personas de alto poder aquisitivo e influentes, tornando-o um ícone (mesmo que negativo) de estelionato e falsidade ideológica no Brasil. A ousadia de se passar por um nome tão proeminente em uma época de grande visibilidade para a empresa aérea demonstrou a escala de suas ambições e a eficácia de suas táticas de engano.

Histórico criminal e o impacto cultural

Um longo registro de crimes e fugas

A vida de Marcelo Nascimento da Rocha foi um ciclo contínuo de crimes, prisões e fugas. Ao longo de sua trajetória, ele acumulou condenações por uma série de delitos graves, incluindo associação ao tráfico de drogas, roubo de avião, estelionato e falsidade ideológica. Sua ficha criminal detalhava um padrão de comportamento audacioso e uma aparente indiferença às consequências legais. Marcelo foi preso ao menos 12 vezes, o que atesta a persistência de suas atividades ilícitas. No entanto, sua reputação como um golpista hábil não se construiu apenas por suas prisões, mas também por suas impressionantes fugas. Ele protagonizou um mínimo de seis escapadas da custódia, demonstrando uma capacidade notável de eludir a vigilância e as autoridades, muitas vezes com astúcia e planejamentos meticulosos. Em 2014, após cumprir parte de sua pena na Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá, ele progrediu para o regime domiciliar devido à falta de vagas no semiaberto. Contudo, em 2018, foi novamente detido, acusado de forjar documentos na tentativa de obter benefícios penais, evidenciando a dificuldade em romper com o passado criminal que tanto o definia.

Da prisão para as telas: a biografia e os filmes

A vida extraordinária de Marcelo VIP, com seus golpes mirabolantes e sua persona magnética, não tardou a chamar a atenção de produtores e cineastas. Em 2005, sua biografia oficial foi lançada, detalhando suas façanhas e a complexidade de sua mente. Cinco anos depois, em 2010, sua história foi contada no aclamado documentário “VIPs – Histórias Reais de um Mentiroso”, que explorou a fundo os bastidores de seus golpes e a psicologia por trás de suas ações. O impacto cultural de sua trajetória se solidificou com o lançamento do filme de ficção “VIPs”, em 2011, estrelado pelo renomado ator Wagner Moura. A interpretação de Moura como Marcelo Nascimento da Rocha foi amplamente elogiada, e o filme conquistou quatro prêmios no prestigiado Festival do Rio, consolidando a figura de Marcelo VIP no imaginário popular brasileiro. Curiosamente, parte das filmagens do longa ocorreu enquanto Marcelo cumpria pena na Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá, onde permaneceu por quatro anos. A representação cinematográfica não apenas popularizou ainda mais sua história, mas também trouxe à tona questões sobre a fascinação pública por figuras que desafiam as normas sociais com inteligência e astúcia.

Um legado controverso

A morte de Marcelo Nascimento da Rocha, o Marcelo VIP, encerra um capítulo singular na crônica criminal brasileira. Sua vida foi um turbilhão de identidades falsas, golpes ousados e um constante embate com a lei, culminando em prisões e espetaculares fugas que pareciam saídas de um roteiro de cinema. Ele não foi apenas um criminoso, mas um personagem que, pela magnitude de suas façanhas e sua habilidade de manipulação, transcendeu as páginas policiais para se tornar um ícone cultural, imortalizado em livros e filmes. A dualidade de seus últimos anos, divididos entre a tentativa de um recomeço como palestrante e escritor e o pesado histórico de crimes, reflete a complexidade de sua personalidade. Marcelo VIP deixa um legado controverso: de um lado, a lembrança de um mestre do engano que expôs a ingenuidade de muitos; de outro, a imagem de um homem que, mesmo após uma vida de transgressões, buscou uma forma de redenção e reinserção, oferecendo uma rara visão sobre as possibilidades de transformação humana, mesmo diante de um passado irrevogável.

FAQ

Quem foi Marcelo VIP?
Marcelo Nascimento da Rocha, conhecido como Marcelo VIP, foi um dos maiores golpistas do Brasil, famoso por sua habilidade em criar identidades falsas e aplicar fraudes complexas, incluindo se passar por um dos fundadores da Gol Linhas Aéreas.

Qual foi o golpe mais famoso de Marcelo VIP?
Seu golpe mais famoso ocorreu em 2001, em Recife, quando se fez passar por Henrique Constantino, um dos fundadores da Gol Linhas Aéreas, enganando celebridades e a imprensa.

Qual ator interpretou Marcelo VIP no cinema?
Marcelo VIP foi interpretado pelo ator Wagner Moura no filme “VIPs”, lançado em 2011, que conquistou diversos prêmios no Festival do Rio.

Qual a causa da morte de Marcelo VIP?
Marcelo Nascimento da Rocha faleceu aos 49 anos devido a complicações de cirrose hepática, uma doença crônica do fígado, após ter passado por uma cirurgia bariátrica.

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Fonte: https://jovempan.com.br

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