A comunidade de Ribeirão Preto e o distrito de Bonfim Paulista foram tomados por profunda consternação neste domingo (4) com a trágica notícia da morte de Guilherme da Silva Maia, um menino de apenas seis anos. Ele não resistiu aos graves ferimentos causados por um atropelamento brutal ocorrido no primeiro dia do ano. O incidente, que também vitimou sua mãe, Eliene de Santana Maia, de 33 anos, ganhou contornos ainda mais dramáticos pela fuga do motorista responsável logo após o impacto. Desde o acidente, Guilherme lutava pela vida em estado gravíssimo no Centro de Terapia Intensiva Pediátrica da Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas (HC-UE). A confirmação de seu falecimento reacende o debate sobre a segurança no trânsito e a responsabilidade dos condutores, enquanto as autoridades prosseguem com a investigação para elucidar completamente os fatos e garantir que a justiça seja feita diante de tamanha perda.
O Acidente Fatal e Suas Consequências Imediatas
O atropelamento que resultou na morte de Guilherme e nos sérios ferimentos de sua mãe ocorreu em um trecho crucial de Bonfim Paulista. O incidente foi capturado por câmeras de segurança, fornecendo evidências visuais perturbadoras da dinâmica dos fatos. A gravação mostra claramente o momento em que um veículo, inexplicavelmente, desviou de sua rota e atingiu violentamente Eliene e Guilherme, que caminhavam tranquilamente pelo acostamento da Rua Professor Felisberto Almada, uma via de acesso à Rodovia José Fregonezi, em direção a Ribeirão Preto. A natureza inesperada e súbita do impacto, vindo pelas costas, impediu qualquer reação das vítimas, tornando o acidente ainda mais trágico.
Testemunhas que estavam nas proximidades, em um posto de combustíveis, relataram às autoridades que tentaram alertar o motorista imediatamente após o atropelamento. No entanto, o condutor optou por não prestar socorro, evadindo-se do local em direção a Ribeirão Preto, agravando a situação e configurando uma das principais vertentes da investigação policial. A cena do acidente, marcada pelos chinelos da mãe e do filho deixados no asfalto, simbolizava a abrupta interrupção de um passeio rotineiro e a brutalidade do ocorrido. A comoção inicial transformou-se em indignação com a fuga do responsável, que só se apresentaria à polícia dias depois.
A Dinâmica do Atropelamento e o Estado das Vítimas
O fatídico 1º de janeiro de 2024 amanheceu com a tragédia na Rua Professor Felisberto Almada. As imagens das câmeras de segurança revelam o exato instante em que o carro, ao invés de seguir pela pista, invadiu o acostamento e colidiu impiedosamente com Eliene e Guilherme. A violência do impacto foi tamanha que ambos foram arremessados, sofrendo múltiplas lesões. Equipes de resgate foram acionadas e prontamente socorreram as vítimas, que foram encaminhadas em estado grave à Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas (HC-UE), em Ribeirão Preto.
O quadro clínico de Eliene de Santana Maia, de 33 anos, era sério, com fraturas complexas nas pernas, na bacia, em um dos braços e também no rosto, exigindo múltiplos procedimentos e um longo período de recuperação. Contudo, a situação de Guilherme da Silva Maia era ainda mais crítica. O menino foi internado no Centro de Terapia Intensiva Pediátrica (CTI) em estado gravíssimo, lutando bravamente pela vida. Durante dias, a esperança por sua recuperação mobilizou orações e pensamentos positivos de toda a comunidade. Infelizmente, apesar de todos os esforços da equipe médica, o pequeno Guilherme não resistiu aos extensos ferimentos, tendo sua morte confirmada neste domingo (4), transformando o acidente em um homicídio culposo, e adicionando uma camada de complexidade e tristeza ao desdobramento do caso. Seu corpo foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) para os procedimentos cabíveis antes de ser liberado para o velório e sepultamento, um desfecho doloroso para a família e para todos que acompanhavam o drama.
A Investigação Policial e a Versão do Motorista
A fuga do motorista após o atropelamento inicial deflagrou uma intensa busca por parte das autoridades e gerou grande clamor público em Ribeirão Preto. A identificação do veículo e do condutor tornou-se prioridade para a Polícia Civil. O motorista, um jovem de 25 anos, após a repercussão do caso e a pressão da investigação, decidiu se apresentar às autoridades no fim da tarde da sexta-feira, 2 de janeiro, dois dias após o trágico incidente. Sua apresentação à Polícia Civil, acompanhado de seu advogado, foi um passo crucial para o avanço da apuração, embora suas justificativas tenham levantado uma série de questionamentos sobre sua conduta e responsabilidade no trânsito.
Ao se apresentar na 7ª Distrito Policial de Ribeirão Preto, o motorista prestou depoimento ao delegado Ariovaldo Torrieri, responsável pelo caso. Durante o interrogatório, ele negou veementemente ter consumido bebida alcoólica antes de dirigir, buscando afastar a imputação de embriaguez ao volante. Contudo, suas alegações para explicar a perda de controle do veículo e, principalmente, a fuga do local sem prestar socorro, foram recebidas com ceticismo e necessitam de uma análise aprofundada pelas autoridades. A Polícia Civil segue com a investigação, coletando todas as provas e depoimentos para reconstruir os fatos e determinar a exata responsabilidade do condutor.
A Apresentação do Suspeito e as Justificativas Apresentadas
Conforme o depoimento prestado ao delegado Ariovaldo Torrieri, o motorista alegou que a causa do desvio da pista foi uma distração. Ele afirmou que estava manuseando a central multimídia de seu veículo no momento do acidente, o que o levou a perder o controle da direção e invadir o acostamento onde mãe e filho caminhavam. Uma justificativa que, se comprovada, aponta para uma conduta de negligência grave ao volante, especialmente considerando as trvasas e as consequências fatais. Mais controversa ainda foi sua explicação para a fuga: o condutor declarou que, após o impacto, pensou ter atingido um guard-rail, e por essa razão, teria deixado o local sem prestar socorro às vítimas, sem sequer verificar o que realmente havia ocorrido.
Apesar da gravidade das acusações e da fuga do local de um acidente com vítimas, o motorista foi liberado após prestar depoimento. Segundo o delegado, a decisão de não prendê-lo em flagrante se deu pela ausência de requisitos legais para uma prisão imediata, considerando que ele se apresentou voluntariamente e colocou-se à disposição para colaborar com as investigações. Tal decisão é comum em casos onde o suspeito se apresenta e não há flagrante delito. No entanto, o motorista continua sendo investigado por homicídio culposo e lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, agravados pela omissão de socorro e pela fuga do local do acidente. A liberação do suspeito não significa o fim da apuração, mas sim a continuidade dos procedimentos investigativos, que incluirão perícias e a análise de todas as evidências, para que ele possa responder criminalmente por seus atos.
Justiça para Guilherme e o Debate sobre Segurança no Trânsito
A morte de Guilherme da Silva Maia, com apenas seis anos, em decorrência de um atropelamento e da subsequente fuga do motorista em Bonfim Paulista, se tornou um símbolo doloroso da vulnerabilidade de pedestres e da irresponsabilidade que muitas vezes assola as vias urbanas. O caso transcende a tragédia individual, lançando luz sobre questões críticas de segurança no trânsito, a cultura da impunidade e a necessidade urgente de motoristas mais conscientes e atentos. A família do menino, agora, busca por justiça, e a comunidade exige respostas e responsabilização plena do condutor, cujo relato sobre distração com central multimídia e a alegação de ter confundido pessoas com um guard-rail geram profunda revolta e descrença.
A investigação policial continua seu curso, e a expectativa é que todas as circunstâncias do acidente sejam minuciosamente esclarecidas. A análise das imagens de segurança, dos depoimentos das testemunhas e da perícia do veículo serão fundamentais para desmentir ou confirmar as alegações do motorista. A possível negligência ao usar a central multimídia e a omissão de socorro, uma infração grave por si só, agravam significativamente a situação jurídica do condutor, que poderá enfrentar consequências severas. Este lamentável incidente em Ribeirão Preto serve como um alerta contundente sobre os perigos da desatenção ao volante e a imperativa necessidade de respeito às leis de trânsito, reforçando o clamor por um ambiente rodoviário mais seguro para todos, especialmente para os mais frágeis, como crianças e pedestres, garantindo que a memória de Guilherme impulsione mudanças duradouras.
Fonte: https://g1.globo.com

