O motorista de <b>Fernando Haddad</b>, candidato ao governo de São Paulo, compareceu à delegacia nesta segunda-feira (17) para prestar depoimento sobre uma suposta perseguição policial. <b>Alessandro Caseri</b> reiterou sua versão dos fatos, descrevendo uma abordagem intimidatória por policiais militares. No entanto, a equipe de investigação apontou contradições significativas entre o relato do motorista e os horários registrados por câmeras de segurança analisadas, intensificando o mistério em torno do incidente.

A Versão do Motorista e a Cronologia dos Eventos

Alessandro Caseri narrou que o incidente teria ocorrido na noite do último dia 11 de novembro, após deixar o candidato Haddad em sua residência. Segundo seu depoimento, ele decidiu se dirigir a um hotel na Rua Joinville, na Vila Mariana, zona sul da capital, por considerá-lo um local seguro. Antes mesmo de chegar ao estabelecimento, Caseri afirmou que PMs já haviam apontado lanternas para o interior de seu veículo em duas ocasiões distintas, em um curto intervalo de tempo. Na frente do hotel, a abordagem teria se intensificado: uma viatura da Força Tática teria emparelhado com seu carro, um dos policiais teria proferido “olha o carro”, e, na sequência, a equipe teria estacionado à sua frente, desembarcado, fixado o olhar no interior do veículo e um dos PMs teria ordenado “vaza”.

O episódio, classificado por Fernando Haddad como uma “abordagem fora do padrão”, foi tornado público na manhã do dia seguinte ao ocorrido. O candidato mencionou a jornalistas que seu motorista havia sido seguido por uma viatura da corporação, configurando o que ele considerou uma “perseguição”. O depoimento de Caseri corroborou a preocupação inicial de Haddad, mantendo a consistência de sua narrativa sobre a sequência dos eventos.

As Contradições Apontadas pelas Câmeras de Segurança

A análise das imagens de segurança, contudo, introduz pontos de discórdia cruciais na investigação. Conforme revelado inicialmente pelo Estadão, uma câmera de segurança captou o momento em que uma viatura da Polícia Militar passa por Haddad no instante em que ele entra em casa. Outra câmera, instalada em frente ao hotel onde Caseri alegou ter sido abordado, mostra-o estacionando o carro e permanecendo no local por aproximadamente 20 minutos. A filmagem também registra uma viatura da PM emparelhando com o veículo, desacelerando até sair do enquadramento, como descrito pelo motorista.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) já havia se manifestado, indicando que as imagens das câmeras não condizem integralmente com a versão apresentada pelo candidato. O governador <b>Tarcísio de Freitas</b>, por sua vez, foi mais enfático, afirmando no domingo anterior ao depoimento que as imagens “não mostram nada” e que o caso poderia ser classificado como uma “falsa comunicação”. O principal ponto de divergência apontado pela equipe de investigação reside nos horários de deslocamento do motorista: enquanto Caseri declarou ter deixado o local do hotel por volta das 23h09, outras câmeras de segurança o flagraram em pontos distantes bem antes, como às 22h34 na Avenida 23 de Maio e, no mesmo horário, na Radial Leste. Esse lapso temporal constitui a maior contradição entre o depoimento e as evidências visuais.

Desdobramentos e Decisões do Motorista Pós-Incidente

Minutos após a suposta abordagem em frente ao hotel, às 22h41, Alessandro Caseri enviou uma mensagem a um assessor de Fernando Haddad, expressando sua preocupação e a sensação de estar sendo monitorado. O conteúdo da mensagem, revelado pelo site Metrópoles, dizia: “Não quero deixar vocês preocupados e nem quero esticar esse assunto até o chefe, mas fui seguido por uma viatura da PM”. Esta comunicação imediata reforça a versão de Caseri sobre o sentimento de intimidação.

Apesar de manter sua versão, o motorista afirmou durante o depoimento que não pretende acusar os policiais militares de abuso de poder e decidiu não registrar um boletim de ocorrência formal sobre o episódio. Ele, contudo, se comprometeu a apresentar à polícia os prints das conversas com o assessor do candidato, reforçando a validade de seu relato. Além disso, Caseri solicitou que a investigação verificasse outra câmera de segurança, localizada na Rua Victor Brecheret, que, segundo ele, também poderia ter captado parte da abordagem, potencialmente adicionando novas evidências ao caso.

Conclusão

O caso do motorista de Fernando Haddad permanece envolto em controvérsia, com o depoimento persistente de Alessandro Caseri confrontando diretamente as análises temporais das câmeras de segurança apresentadas pela polícia. A investigação agora se debruça sobre a tarefa de conciliar estas narrativas divergentes, especialmente os horários de deslocamento que se mostram inconclusivos. O desfecho da apuração determinará a veracidade dos fatos em um episódio que gerou considerável repercussão e coloca em xeque a interpretação dos eventos por diferentes partes envolvidas.

Fonte: https://jovempan.com.br

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