O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, proferiu declarações contundentes neste sábado (20), abordando questões cruciais para a capital paulista. Em um cenário de crescentes tensões políticas e desafios infraestruturais, Nunes não poupou críticas à postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusando-o de desvirtuar eventos oficiais para propósitos eleitorais, o que ele classificou como um desrespeito à democracia. Simultaneamente, o chefe do executivo municipal forneceu importantes atualizações sobre a complexa crise no fornecimento de energia elétrica que assola a cidade, reiterando a firme intenção de sua gestão de buscar o rompimento com a concessionária Enel. Além disso, Nunes detalhou os recentes desdobramentos em torno da intervenção na empresa de transporte público Transwolff e as expectativas para a tarifa de ônibus, temas de impacto direto na rotina dos milhões de habitantes da maior metrópole do país.

Críticas à Postura Presidencial e Desrespeito Institucional

Em suas declarações, o prefeito Ricardo Nunes dirigiu duras críticas ao comportamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, qualificando-o como inadequado em eventos administrativos recentes. Nunes acusou o presidente de converter atos de caráter institucional em plataformas de campanha eleitoral, um comportamento que, segundo o prefeito, fere os princípios democráticos e éticos da administração pública. “É uma falta de respeito o presidente da República ou qualquer pessoa pública usar um espaço da administração para fazer palanque político. Isso é um desrespeito com a democracia”, afirmou Nunes, expressando sua insatisfação com a mistura entre as esferas institucional e partidária.

Alegações de Uso Político da Máquina Pública

Ricardo Nunes enfatizou que o ambiente em questão deveria ser de trabalho administrativo, focado em questões de governo e não em proselitismo político. A confusão deliberada entre essas esferas, na visão do prefeito, configura um uso indevido e “vergonhoso” da máquina pública. Ele argumentou que a distinção entre um “palanque” e um “local de trabalho” é fundamental para a integridade da gestão governamental. A crítica de Nunes aponta para uma preocupação sobre a transparência e a imparcialidade do poder Executivo federal, que, ao utilizar recursos e palcos institucionais para fins eleitorais, poderia desvirtuar o propósito original de tais eventos e gerar uma vantagem indevida em futuras disputas políticas.

Reação a Declarações sobre Romeu Zema

Ainda no âmbito das críticas ao governo federal, Nunes também repudiou as declarações de Lula direcionadas ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema. As falas do presidente, que teriam sugerido o encerramento do ciclo político de Zema, foram interpretadas pelo prefeito de São Paulo como mais um exemplo de um ambiente de “agressão” desnecessário na política nacional. Em uma resposta irônica e provocativa, Nunes sugeriu que talvez fosse o momento para o próprio presidente Lula considerar o fim de seu mandato e “descansar um pouquinho com a Janja”. Essa observação, carregada de sarcasmo, reflete o desejo do prefeito por um cenário político menos beligerante e mais focado na resolução dos problemas do país, em vez de confrontos pessoais e partidários.

A Crise Energética com a Enel e a Busca por Soluções

A questão do fornecimento de energia em São Paulo, marcada por uma série de apagões recentes e prolongados, foi outro ponto central na agenda de Ricardo Nunes. O prefeito não hesitou em atribuir responsabilidade ao governo federal pela ineficiência na regulação e fiscalização do contrato de concessão da Enel. Segundo Nunes, a inércia federal deixou a capital paulista em uma situação de extrema vulnerabilidade, com a população e as autoridades municipais à mercê da concessionária e da falta de ação da União.

Falhas na Regulação e Vulnerabilidade da Capital

Nunes descreveu a situação como um “cativeiro” forçado pela Enel, agravado pela inação do governo federal. “A prefeitura e o governo do estado, nós estávamos reféns, igual vocês… refém da Enel e refém da inércia do governo federal que não agia”, declarou o prefeito, sublinhando a sensação de desamparo frente a um serviço essencial que falhava repetidamente. A administração municipal argumenta que a fiscalização deficiente por parte dos órgãos federais reguladores permitiu que a Enel operasse com um nível de serviço inadequado, sem os investimentos necessários em infraestrutura, resultando em uma rede elétrica frágil e propensa a interrupções.

Contestação da Versão da Concessionária

O prefeito refutou veementemente a narrativa da Enel de que a queda de árvores seria a principal causa dos apagões que afetaram milhões de imóveis. Nunes apresentou dados que desmentem essa versão, apontando para uma discrepância gritante entre o número de imóveis afetados e as ocorrências de quedas de árvores. Ele mencionou que, em mais de 80% dos locais onde houve falta de energia, não havia relação com árvores caídas. Para ilustrar a dimensão do problema, o prefeito citou que 2,2 milhões de imóveis ficaram sem luz, enquanto apenas 119 quedas de árvores foram registradas. Essa argumentação reforça a tese de que a raiz da crise está na falta de manutenção e investimento na rede por parte da concessionária, e não em eventos climáticos isolados.

Objetivo de Rompimento Contratual

Diante da recorrente insatisfação e dos prejuízos causados pelos apagões, Ricardo Nunes reiterou o objetivo intransigente da administração municipal de buscar o rompimento com a Enel. “Nós não vamos sossegar enquanto o governo federal não fizer aquilo que é obrigação deles. […] Nós não queremos mais a Enel”, afirmou o prefeito, demonstrando a determinação de sua gestão em encontrar uma solução definitiva para o problema energético da cidade. A postura da prefeitura sinaliza que a saída da Enel é vista como a única forma de garantir um serviço de energia elétrica confiável e de qualidade para os paulistanos, pressionando o governo federal a agir na revisão do contrato de concessão e na busca por alternativas viáveis.

Desafios na Gestão de Transportes e Tarifas

Além das questões políticas e energéticas, o prefeito Ricardo Nunes também abordou temas críticos relacionados ao transporte público de São Paulo, destacando a complexa situação jurídica envolvendo a empresa Transwolff e as expectativas em torno do reajuste da tarifa de ônibus.

A intervenção na Transwolff, uma das operadoras do sistema de transporte da capital, gerou intensos debates e batalhas judiciais. A empresa foi alvo de investigações por supostas ligações com o crime organizado, o que levou a prefeitura a iniciar um processo de caducidade do contrato. Nunes criticou uma decisão liminar cível inicial que suspendeu temporariamente esse processo, classificando-a como “inusitada, inesperada e que a gente não compreende”, dado o contexto e a gravidade das acusações contra a empresa. Contudo, o prefeito assegurou que uma decisão judicial posterior, desta vez na esfera criminal, impede definitivamente o retorno da Transwolff às operações. “Passa a ser zero, absolutamente zero a possibilidade da Transwolff querer reassumir os serviços. Portanto, ela não vai reassumir os serviços”, garantiu Nunes, reiterando a firmeza da administração em afastar a empresa do sistema de transporte público.

Em relação ao valor da tarifa de ônibus, um assunto sempre sensível para a população, a prefeitura aguarda a conclusão dos estudos técnicos da São Paulo Transporte (SPTrans). O prefeito explicou que a decisão sobre o reajuste tarifário costuma ser alinhada com o governo estadual e é anunciada, tradicionalmente, na última semana de dezembro. O objetivo da gestão municipal, segundo Nunes, é aplicar o “mínimo possível” de aumento, buscando que o valor não ultrapasse a inflação acumulada, de modo a preservar o poder de compra dos usuários e minimizar o impacto no orçamento das famílias paulistanas. Essa abordagem reflete a busca por um equilíbrio entre a necessidade de reajuste para a manutenção do sistema e a preocupação com o acesso universal ao transporte público na metrópole. As diversas frentes de atuação do prefeito Ricardo Nunes, desde a confrontação política até a resolução de problemas essenciais de infraestrutura e serviços, delineiam um panorama de desafios multifacetados e de uma gestão ativa em São Paulo.

Fonte: https://jovempan.com.br

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