Um grave acidente envolvendo um ônibus de viagem na madrugada da última quarta-feira, em Jaboticabal, interior de São Paulo, resultou na morte de duas pessoas, uma criança e uma mulher, e deixou dezenas de feridos. O veículo, que transportava passageiros com destino a Olímpia, tombou em uma rotatória da Rodovia Brigadeiro Faria Lima (SP-326), levantando sérias questões sobre a segurança viária. As primeiras apurações revelam que o ônibus estava operando em velocidade muito superior à permitida para o trecho e, de forma alarmante, fora de sua rota tradicional. Este sinistro mobilizou equipes de resgate e acendeu um alerta para as autoridades e para a empresa responsável, que agora enfrentam uma complexa investigação para determinar as causas exatas da tragédia.

O Acidente e as Primeiras Constatações

Detalhes do Tombamento e Vítimas

A madrugada de quarta-feira, 24 de abril, foi marcada por um cenário de desespero e tragédia na entrada de Jaboticabal, no interior paulista. Por volta das 6h, um ônibus de viagem que partiu de São Paulo às 23h55 da terça-feira, com destino final à cidade de Olímpia, tombou violentamente em uma alça de acesso à Rodovia Brigadeiro Faria Lima (SP-326). O veículo, que inicialmente transportava 46 pessoas – 44 passageiros e dois motoristas – contava com 38 passageiros e os dois condutores no momento do sinistro, após algumas paradas ao longo do trajeto. A violência do impacto ceifou a vida de uma criança e de uma mulher, cujas identidades não foram imediatamente divulgadas, e deixou todos os demais ocupantes feridos, variando de lesões leves a estados graves que demandaram transferências para unidades de saúde mais especializadas. O choque e a subsequente inclinação lateral do ônibus transformaram a rotatória em um palco de dor e pânico, exigindo uma resposta rápida e coordenada de diversas equipes de emergência e segurança pública.

A Análise da Polícia Rodoviária e do Tacógrafo

As primeiras investigações realizadas pela Polícia Militar Rodoviária (PMR) trouxeram à tona dados preocupantes que apontam para falhas graves na condução do veículo. A análise do tacógrafo, aparelho que registra informações cruciais sobre o desempenho do ônibus, indicou que o coletivo estava a uma velocidade alarmante de 100 km/h no trecho onde ocorreu o tombamento. Este dado é especialmente crítico, pois a velocidade máxima permitida para aquela alça de acesso e rotatória é de apenas 40 km/h, configurando uma transgressão significativa e um risco extremo. Tal excesso de velocidade em um ponto de inflexão de rota, que exige máxima cautela e redução drástica da velocidade, levanta imediatamente a suspeita de imprudência ou desatenção fatal. Adicionalmente, foi informado que ambos os motoristas que se revezavam na condução do veículo foram submetidos ao teste do bafômetro, com resultados negativos para o consumo de álcool, descartando essa hipótese como fator contribuinte para o acidente. A documentação do ônibus, por sua vez, estava em dia e regularizada, assim como sua manutenção, conforme atestado preliminarmente pela empresa responsável e pelas autoridades.

A Versão da Empresa e as Hipóteses em Análise

O Questionamento sobre a Rota e a Velocidade

A empresa responsável pelo ônibus expressou profunda consternação com o acidente e prontamente começou a colaborar com as autoridades para elucidar os fatos. Um supervisor de operações da companhia destacou um ponto crucial para a investigação: o trevo onde o ônibus tombou não faz parte da rota tradicional da empresa. “Esse trevo onde o ônibus tombou é paralelo à via. Não é rota da empresa. A gente não passa nesse trevo”, afirmou. Essa declaração adiciona uma camada de complexidade à investigação, pois sugere um desvio não programado, cujas razões ainda precisam ser integralmente compreendidas. A entrada em um acesso paralelo à via principal, combinada com a alta velocidade, transformou um percurso que deveria ser seguro em uma armadilha fatal. A empresa enfatizou que a elucidação desse desvio de rota é prioritária para entender o que realmente aconteceu e como o veículo se encontrou em uma área não prevista para seu itinerário. A velocidade registrada, 100 km/h, em um trecho que exige cautela máxima e uma velocidade significativamente reduzida, será um dos pontos centrais da perícia técnica para determinar as causas do tombamento.

A Teoria do Mal Súbito e a Posição Oficial da Viação

Diante do cenário de alta velocidade e desvio de rota sem aparente frenagem, a empresa levantou a hipótese de que o motorista que conduzia o veículo no momento do acidente possa ter sofrido um mal súbito. Segundo o supervisor de operações, as marcas deixadas no asfalto reforçam essa teoria. “A perícia vai mostrar que a velocidade do ônibus acabou se excedendo, e ali pelas marcas que têm no asfalto, tem marcas de derrapagem, não de frenagem, isso pode levar a crer que o motorista tenha tido um mal súbito”, explicou. A ausência de marcas de frenagem, que indicariam uma tentativa deliberada de parar o veículo, e a presença de apenas marcas de derrapagem, corroboram a ideia de uma perda súbita de controle, seja por desmaio, ataque cardíaco ou outra condição médica imprevista. A empresa, por meio de nota oficial, lamentou profundamente o ocorrido e assegurou que suas equipes de apoio estão prestando todo o suporte necessário aos passageiros e familiares, desde assistência médica até apoio logístico. A Viação reforçou que o veículo estava com a manutenção em dia e que a viagem ocorria com todas as licenças exigidas pelos órgãos reguladores, garantindo seu compromisso com a segurança e a conformidade. A prioridade, segundo a companhia, é o atendimento médico aos feridos e o acolhimento aos familiares, reiterando a disposição em colaborar integralmente com as autoridades para todos os esclarecimentos necessários.

Impacto e Continuidade da Investigação

O acidente em Jaboticabal não foi apenas uma estatística de trânsito, mas um evento que alterou vidas e ressaltou a fragilidade da segurança nas estradas. Os relatos dos sobreviventes pintam um quadro vívido do terror e do caos que se seguiram ao tombamento. “Ainda não assimilei o que aconteceu porque precisei ajudar as pessoas que estavam presas nas ferragens. Acho que depois a conta vai vir. Muito sangue, pessoas gritando, pessoal tentando sobreviver e entender o que estava acontecendo”, desabafou um analista de sistemas que conseguiu sobreviver. Outro passageiro descreveu: “Acordei, o ônibus já estava tombando, não sei muito bem, mas acho que derrapou. Acordei e já tinha gente gritando. Foi horrível.” Essas narrativas sublinham o impacto psicológico duradouro que a tragédia terá sobre os envolvidos, exigindo atenção não apenas física, mas também emocional.

A resposta ao desastre foi imediata e coordenada. As equipes de resgate atuaram rapidamente, prestando os primeiros socorros às vítimas e encaminhando-as para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Jaboticabal. Dada a gravidade de alguns casos, cinco feridos em estado grave foram transferidos para hospitais de referência na região, buscando garantir o melhor atendimento especializado: dois para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, dois para o Hospital Santa Isabel em Jaboticabal, e um para a Santa Casa de Sertãozinho. Outros passageiros com ferimentos leves também receberam atendimento e permanecem em observação na UPA, acompanhados de perto pelas equipes médicas. A alça de acesso onde o acidente ocorreu permaneceu interditada por algumas horas para facilitar o trabalho de resgate e perícia, sendo liberada por volta das 10h13, enquanto o fluxo na rodovia principal seguiu normalizado. O ônibus já foi destombado e removido do local para dar continuidade aos trabalhos periciais.

A investigação para determinar as causas exatas do tombamento prossegue em múltiplas frentes e com o envolvimento de diversos órgãos. A perícia técnica é fundamental para consolidar as informações sobre velocidade, dinâmica do acidente, análise das marcas no asfalto e, se possível, a condição de saúde do motorista. A apuração da razão para o desvio de rota, que é um dos pontos mais críticos levantados pela própria empresa, será essencial para compreender as decisões que levaram o veículo a uma área não prevista. Este lamentável episódio serve como um doloroso lembrete da necessidade contínua de vigilância rigorosa sobre as operações de transporte de passageiros, a fiscalização constante de rotas e velocidades, e a atenção à saúde e bem-estar dos motoristas. As conclusões desta investigação não apenas trarão respostas às famílias das vítimas e aos sobreviventes, mas também deverão contribuir para aprimorar as políticas de segurança viária, visando evitar que tragédias semelhantes se repitam no futuro e garantindo maior proteção a todos que utilizam as estradas brasileiras.

Fonte: https://g1.globo.com

Share.

Comments are closed.