A Polícia Civil de Franca, São Paulo, mobilizou esforços nesta quinta-feira (28) em uma operação para capturar quatro indivíduos suspeitos de um violento ataque. O grupo é acusado de agredir e roubar o carro de um ex-advogado durante uma festa no último fim de semana. Até o momento, os alvos da ação policial não foram localizados e são considerados foragidos, intensificando a busca por esses indivíduos já conhecidos por envolvimento em crimes de extorsão e agiotagem.
Agressão e Roubo em Festa: O Ataque ao Ex-Advogado
O incidente que motivou a recente operação ocorreu em uma festa, onde a vítima, um advogado, foi brutalmente abordada. Segundo o delegado Gabriel Fernando, responsável pelo caso, o ataque foi perpetrado por Ronny Hernandes Alves dos Santos, Matheus Carrijo Machado, Leonardo Carrijo Machado e Caio Faleiros Perez. A agressão envolveu múltiplos socos, chutes e até mesmo uma mordida na orelha da vítima, que foi arrastada até o estacionamento. Após o espancamento, os suspeitos subtraíram as chaves do carro e fugiram no veículo, alegando que o roubo serviria para quitar uma dívida que o advogado supostamente tinha com eles. O automóvel já foi recuperado e devolvido à vítima.
Além das tentativas de prisão, a Polícia Civil cumpriu oito mandados de busca e apreensão na cidade, buscando evidências que possam consolidar o inquérito e levar à captura dos foragidos. A complexidade do caso é agravada pelo histórico criminal de alguns dos envolvidos, que já figuram em investigações de grande porte.
Histórico Criminal: O Envolvimento na Operação Castelo de Areia
A periculosidade dos suspeitos é reforçada pelo seu histórico. Ronny Hernandes Alves dos Santos, Matheus Carrijo Machado e Leonardo Carrijo Machado são nomes já conhecidos e investigados por seu envolvimento em uma quadrilha especializada em extorsão, foco da Operação Castelo de Areia. Este grupo criminoso é responsável por movimentar milhões de reais por meio de práticas ilegais, utilizando a violência como ferramenta de cobrança.
Ronny Hernandes, em particular, possui um registro recente de confrontos com a lei. Ele havia sido detido em março deste ano sob suspeita de agredir uma mulher em frente à sua residência, também em Franca, por uma dívida de apenas R$ 1 mil. A ironia reside no fato de que Ronny havia sido libertado da prisão no início de maio, pouco antes do ataque ao ex-advogado, evidenciando um padrão de reincidência e violência associada à cobrança de dívidas.
A Teia da Agiotagem: Milhões em Ameaças e Extorsão
A Operação Castelo de Areia desvendou uma complexa rede de agiotagem e extorsão. A primeira fase da operação, realizada entre novembro de 2023 e janeiro de 2024, resultou na prisão de sete indivíduos, incluindo o ex-policial civil Rogério Camillo Requel. Os criminosos foram condenados a 20 anos de prisão, após as investigações revelarem a movimentação inicial de R$ 36 milhões provenientes de juros exorbitantes e ameaças severas. Rogério, por exemplo, recebeu cerca de R$ 340 mil em apenas três meses do esquema, conforme denúncia do Ministério Público (MP).
O método da quadrilha consistia em emprestar dinheiro a juros abusivos e, posteriormente, utilizar graves ameaças para forçar os pagamentos. A violência empregada pela organização criminosa para reaver os valores era comprovada por cópias de conversas anexadas às denúncias pelo MP. Ronny Hernandes, um dos atuais foragidos, era um dos membros ativos que proferia ameaças de morte contra inadimplentes e seus familiares, demonstrando o nível de intimidação utilizado pelo grupo.
Mesmo após as prisões da primeira fase, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) constatou que outros integrantes mantiveram a quadrilha em atividade, com conversas interceptadas revelando a crença dos criminosos de que “nada os intimidaria” e “jamais seriam punidos”. Essa ousadia motivou a deflagração da segunda fase da operação em junho deste ano, que descobriu uma nova movimentação de aproximadamente R$ 31 milhões, reiterando a persistência e a escala das atividades ilícitas da organização.
Conclusão: A Busca Continua
A Polícia Civil de Franca mantém o compromisso de localizar e prender os quatro foragidos, especialmente Ronny Hernandes Alves dos Santos, Matheus Carrijo Machado, Leonardo Carrijo Machado e Caio Faleiros Perez, cujas ações recentes demonstram a continuidade de um padrão de violência e desrespeito às leis. A Operação Castelo de Areia, em suas duas fases, expõe a complexidade e a periculosidade das redes de agiotagem que operam na região, cujos tentáculos se estendem e continuam a ameaçar a segurança pública. A caçada pelos criminosos segue intensificada, visando desarticular completamente essa organização e trazer justiça às vítimas de seus crimes.
Fonte: https://g1.globo.com

