A indústria brasileira de óleo e gás registrou um desempenho notável em novembro de 2025, com a produção total de petróleo e gás natural alcançando 4,921 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d). Este volume representa um crescimento substancial de 13,9% na extração de petróleo e 15,7% na de gás natural em comparação com o mesmo período do ano anterior, indicando uma robusta recuperação e expansão do setor. Apesar da elevação anual expressiva, o mês de novembro apresentou uma leve retração frente a outubro do mesmo ano, com quedas de 6,4% na produção de petróleo e 6,3% na de gás natural. Os dados, compilados e divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), reforçam a posição estratégica do Brasil no cenário energético global, impulsionado, principalmente, pela vitalidade das reservas do pré-sal, que continuam a ser o motor da produção nacional.

Cenário Geral da Produção Nacional

Variação Mensal e Anual

Os resultados de novembro de 2025 consolidam um cenário de expansão na produção de hidrocarbonetos no Brasil, especialmente quando analisada a trajetória anual. A marca de 3,773 milhões de barris de petróleo por dia (bbl/d) extraídos representa um salto significativo de 13,9% em relação a novembro de 2024. Tal incremento reflete investimentos contínuos e o amadurecimento de projetos exploratórios e de produção, principalmente nas camadas mais profundas do oceano. Contudo, a análise mensal revela uma dinâmica de ajuste. A redução de 6,4% na produção de petróleo em comparação com outubro de 2025 pode ser atribuída a fatores operacionais típicos do setor, como paradas programadas para manutenção em plataformas ou ajustes em poços, que são comuns para garantir a eficiência e a segurança das operações a longo prazo. Essas flutuações mensais, embora notáveis, não ofuscam a tendência de crescimento vigoroso observada na comparação anual, que é um indicador mais sólido da performance do setor.

O Papel do Gás Natural

O gás natural segue uma trajetória similar ao petróleo, com sua produção atingindo 182,57 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d) em novembro de 2025. Este volume representa um aumento expressivo de 15,7% em relação a novembro de 2024, superando inclusive a taxa de crescimento anual do petróleo. A importância crescente do gás natural na matriz energética brasileira e global impulsiona a exploração e a infraestrutura para seu aproveitamento. Assim como o petróleo, o gás natural também registrou uma diminuição mensal de 6,3% em relação a outubro. O aproveitamento do gás natural, um indicador crucial de eficiência, manteve-se em um patamar elevado de 96,9% em novembro. Desse total, 61,87 milhões de m³/d foram direcionados ao mercado, demonstrando a capacidade de suprimento para as demandas industriais e energéticas do país. A queima de gás, um resíduo indesejado que reflete a impossibilidade de aproveitamento, foi de 5,71 milhões de m³/d. Apesar de ter aumentado 5,0% em relação ao mês anterior, houve uma redução de 8,1% em comparação com novembro de 2024, sinalizando esforços para minimizar o desperdício e reduzir as emissões de carbono, um aspecto ambiental e econômico de grande relevância para a indústria.

Destaque do Pré-Sal e Operações Marítimas

A Força do Pré-Sal

O pré-sal continua a ser a espinha dorsal da produção brasileira de óleo e gás, evidenciando sua importância estratégica. Em novembro de 2025, a produção proveniente dessa camada geológica profunda alcançou 3,913 milhões de boe/d, o que corresponde a impressionantes 79,6% do total nacional. Esse domínio demonstra a excelência tecnológica e os investimentos massivos que transformaram o pré-sal em um dos pilares da economia brasileira. A produção do pré-sal também exibiu um robusto crescimento de 15,6% na comparação com novembro de 2024, superando a média nacional. No entanto, acompanhando a tendência geral, houve uma retração de 8,5% em relação a outubro de 2025. A produção específica do pré-sal compreendeu 3,024 milhões de bbl/d de petróleo e 141,27 milhões de m³/d de gás natural, volumes extraídos por meio de 178 poços. Esses números sublinham não apenas a quantidade, mas também a eficiência e a alta produtividade dos campos situados nessa área.

O Cenário Offshore

A predominância do ambiente marítimo nas operações de exploração e produção é inegável, sendo responsável pela vasta maioria da produção nacional. Os campos marítimos geraram 97,7% de todo o petróleo e 85,7% do gás natural produzidos no país em novembro. Esse dado ilustra a concentração dos maiores e mais produtivos reservatórios em águas profundas e ultraprofundas, exigindo tecnologias avançadas e infraestrutura robusta. O Campo de Búzios, localizado no pré-sal da Bacia de Santos, destacou-se como o maior produtor de petróleo, com 744,30 mil bbl/d. Para o gás natural, o Campo de Mero, também na Bacia de Santos, liderou com 40,80 milhões de m³/d. Essas cifras evidenciam a Bacia de Santos como o epicentro da produção brasileira, abrigando alguns dos ativos mais valiosos do país. As instalações flutuantes de produção, armazenamento e transferência (FPSOs) são cruciais para essa logística. O FPSO Almirante Tamandaré, no Campo de Búzios, foi a instalação com maior produção de petróleo, registrando 239.453 bbl/d. Já para o gás, o FPSO Marechal Duque de Caxias, no Campo de Mero, liderou com 12,83 milhões de m³/d, consolidando a infraestrutura de ponta necessária para operar nessas complexas regiões.

Liderança da Petrobras e Perspectivas do Setor

A Petrobras, como operadora, mantém sua posição de liderança inquestionável no setor de óleo e gás brasileiro. Em novembro de 2025, os campos operados pela estatal, seja de forma autônoma ou em consórcio com outras empresas, foram responsáveis por expressivos 89,35% do total de hidrocarbonetos produzidos no país. Essa dominância reflete não apenas o histórico da companhia, mas também sua expertise técnica, capacidade de investimento e a amplitude de seu portfólio de ativos, especialmente nas áreas mais estratégicas como o pré-sal. A produção total do Brasil provém de 6.082 poços, sendo a maioria (5.543) terrestres, mas com os 539 poços marítimos respondendo pela esmagadora parte do volume extraído, evidenciando a elevada produtividade dos campos offshore. O cenário de crescimento anual robusto, apesar das flutuações mensais, projeta um futuro promissor para a indústria brasileira de petróleo e gás. Os investimentos contínuos em tecnologia, exploração de novas fronteiras e otimização das operações existentes são fundamentais para sustentar essa trajetória. A manutenção da alta taxa de aproveitamento do gás natural e a busca por práticas mais sustentáveis são aspectos que também deverão nortear o desenvolvimento do setor, contribuindo não apenas para a segurança energética nacional, mas também para a transição para uma economia de baixo carbono.

Fonte: https://jovempan.com.br

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