Na terça-feira, 30 de dezembro, o Centro de Reabilitação e Triagem de Animais Silvestres (Cetras) do Bosque Fábio Barreto, localizado em Ribeirão Preto, São Paulo, realizou um marco significativo para a conservação da fauna local. Um grupo de 66 animais silvestres, que passaram por um intensivo processo de reabilitação, foi reintegrado ao seu habitat natural. Esta ação, executada em colaboração estratégica com a Polícia Militar Ambiental, representou a última grande soltura de 2024, coroando um ano de esforços contínuos. A iniciativa não só devolveu a liberdade a dezenas de espécimes, mas também consolidou o compromisso da instituição com a biodiversidade, fechando o ano com impressionantes 800 animais reintegrados à natureza desde janeiro.
O Processo de Reabilitação e Soltura
Critérios Rigorosos e Avaliações Detalhadas para a Reintrodução da Fauna
O sucesso na reabilitação e reintrodução de animais silvestres no ambiente natural é resultado de um trabalho meticuloso e baseado em critérios científicos rigorosos, conforme detalhado pelo biólogo Otávio Almeida, responsável técnico pelo Cetras. Desde o momento da chegada de um animal ao centro, uma série de avaliações é conduzida para garantir que apenas indivíduos plenamente aptos retornem à natureza. O processo inicia-se com uma triagem abrangente, que inclui exames físicos detalhados, coleta de amostras de sangue e fezes, todas analisadas no laboratório próprio do Bosque.
A reabilitação vai além da saúde física, englobando avaliações nutricionais e comportamentais. Somente são considerados para soltura aqueles animais que demonstram comportamento preservado, capacidade inata para buscar alimento de forma autônoma e aptidão para sobreviverem sozinhos em seu ambiente natural. A autorização do órgão ambiental estadual é a etapa final e indispensável para a liberação. Os locais de soltura são cuidadosamente selecionados, priorizando regiões onde os animais foram originalmente resgatados ou em áreas com ocorrência natural das respectivas espécies. Essa estratégia visa assegurar que os animais estejam em ambientes seguros, propícios à readaptação e com recursos adequados para sua sobrevivência a longo prazo, protegendo-os de novas capturas e favorecendo a integração.
Entre os 66 animais que recuperaram sua liberdade nesta última ação do ano, a diversidade de espécies reflete a rica fauna da região e a amplitude do trabalho do Cetras. O grupo incluiu 19 periquitos-de-encontro, 9 corujinhas-do-mato, 6 maritacas, 6 gaviões-carijó e 4 carcarás. Além desses, foram soltos 3 avoantes, 3 suindaras, 2 frangos-d’água, 2 gatos-mourisco, 2 ouriços-cacheiro, 2 pica-paus-do-campo e 2 saguis-de-tufo-preto, exemplificando a complexidade e a dedicação envolvidas no manejo de diferentes tipos de fauna. A lista se completou com um gavião-de-cauda-curta, uma galinha-d’água e um quiri-quiri, todos agora reinseridos em seu ecossistema, contribuindo para o equilíbrio ambiental e a continuidade de suas populações.
A Abrangência e Impacto do CETRAS
Referência Regional e Atendimento Abrangente na Proteção da Fauna Nativa
O Centro de Reabilitação e Triagem de Animais Silvestres, localizado no Morro do São Bento, desempenha um papel crucial no cenário de proteção da fauna em São Paulo e no Brasil. Integrando a rede de 28 centros de triagem do estado, o Cetras de Ribeirão Preto consolidou-se como uma referência regional e nacional no atendimento a animais silvestres. Sua área de atuação abrange impressionantes 61 municípios, em um raio de aproximadamente 150 quilômetros da macrorregião de Ribeirão Preto, demonstrando a vasta cobertura e a demanda pelos seus serviços essenciais.
O centro lida com uma ampla gama de ocorrências, que incluem desde resgates de animais vítimas de atropelamentos e casos de tráfico ilegal de fauna até o acolhimento de filhotes órfãos. A diversidade dos casos recebidos sublinha a importância da instituição na mitigação dos impactos da atividade humana sobre a vida selvagem. O secretário municipal de Meio Ambiente e Planejamento, Cláudio Almeida, reforçou a relevância estratégica do Cetras, enfatizando que ele é “fundamental não só para Ribeirão Preto, mas para o Brasil”, e que “poucos centros no estado de São Paulo possuem essa estrutura”. Ele destacou, ainda, que o trabalho realizado contribui diretamente para a preservação da fauna silvestre, um pilar essencial para a manutenção da biodiversidade e dos ecossistemas locais e nacionais.
Conscientização e Preservação Futura
A operação de soltura, que marca um ponto alto nos esforços de conservação, contou com o apoio indispensável da Polícia Militar Ambiental. Além de prover o transporte seguro e a logística para a reintrodução dos animais em seus habitats, a corporação desempenha um papel fundamental na conscientização pública sobre a importância da preservação ambiental. A cabo Fabiana Alves, da Polícia Ambiental, reiterou que a manutenção de animais silvestres em cativeiro é considerada um crime ambiental, sujeito a multas e outras penalidades legais. A orientação clara é acionar as autoridades ambientais ou levar o animal diretamente ao Bosque em caso de encontro com a fauna silvestre, desaconselhando terminantemente a manutenção doméstica desses espécimes.
Outra medida crucial para a proteção dos animais recém-soltos é a não divulgação dos locais exatos de reintrodução. Essa política visa evitar novas capturas por traficantes ou caçadores, garantindo que os animais tenham o tempo e a tranquilidade necessários para se readaptarem plenamente ao seu ambiente natural e restabelecerem suas rotinas. O sucesso alcançado pelo Cetras em 2024, com a reabilitação de aproximadamente 800 animais, é um testemunho da dedicação dos profissionais envolvidos e da efetividade das parcerias institucionais. Contudo, a continuidade desses resultados depende da vigilância constante e da colaboração ativa de toda a sociedade, reforçando a educação ambiental e a responsabilidade coletiva na proteção da rica biodiversidade de Ribeirão Preto e do Brasil para as futuras gerações.
Fonte: https://g1.globo.com

