O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (6) a retirada do sigilo do laudo médico produzido pela Polícia Federal (PF) a respeito da saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento, elaborado após exame clínico, aponta diversas condições de saúde que exigem acompanhamento médico, mas conclui que nenhuma delas demanda, no momento, internação hospitalar. A divulgação do parecer é um marco importante no contexto do pedido de prisão domiciliar protocolado pela defesa do ex-presidente.

Panorama Clínico Detalhado pela Polícia Federal

A equipe médica da Polícia Federal identificou uma série de condições de saúde no ex-presidente, que incluem: pressão alta, obesidade, apneia do sono, obstruções arteriais, refluxo gastroesofágico, uma lesão cutânea causada pela exposição solar e cicatrizes internas na região abdominal. Embora essas condições não configurem uma emergência hospitalar, o laudo ressalta a importância de um monitoramento contínuo por profissionais de saúde, indicando a necessidade de uma gestão clínica cuidadosa e preventiva para evitar complicações futuras.

Desmentindo Alegações Graves da Defesa

Em contrapartida às preocupações levantadas por médicos assistentes da defesa de Bolsonaro, o exame da PF negou a existência de diagnósticos mais severos. O laudo não encontrou evidências de pneumonia bacteriana, anemia por deficiência de ferro, depressão ou sarcopenia (condição caracterizada pela perda de massa muscular). Essa constatação da PF diverge de um quadro de saúde mais debilitado que a defesa havia sugerido em seus requerimentos anteriores ao STF, afastando as alegações de deterioração grave que poderiam justificar uma mudança no regime de custódia.

Condições de Custódia e Rotina de Acompanhamento Médico

Durante a avaliação, Jair Bolsonaro forneceu seu depoimento sobre as condições de seu local de custódia, popularmente conhecido como “Papudinha”. Ele relatou uma percepção de melhora em comparação com o ambiente anterior, destacando um espaço mais amplo para circulação. Apesar das obras em andamento na unidade, o ex-presidente afirmou não se incomodar com os ruídos e considerou a limpeza do local satisfatória, inclusive contribuindo para sua manutenção. Ele também informou que recebe visitas regulares de familiares e um fisioterapeuta semanalmente, além de consultas médicas para acompanhamento das condições identificadas.

O Contexto da Solicitação do Laudo pela Justiça

A elaboração deste laudo médico da PF foi uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, em resposta a um pedido da defesa de Jair Bolsonaro para que ele fosse transferido para prisão domiciliar. A solicitação inicial da defesa ocorreu em 15 de janeiro, baseada em preocupações com a saúde do ex-presidente. Moraes condicionou a análise do pedido à apresentação de um parecer técnico da junta médica da Polícia Federal, estabelecendo um prazo de 10 dias para sua produção. Posteriormente, em 4 de abril, a defesa reiterou o pedido de prisão domiciliar, alegando uma piora no quadro clínico de Bolsonaro, com o surgimento de episódios eméticos e crise acentuada de soluços. No mesmo requerimento, a defesa mencionou que três médicos da Diretoria Técnico-Científica da PF já haviam visitado o ex-presidente em 20 de janeiro, cobrando celeridade na juntada do laudo aos autos para que a análise do pedido de custódia domiciliar pudesse prosseguir.

A divulgação deste relatório é, portanto, um elemento crucial para a decisão final do STF sobre a concessão da prisão domiciliar, ponderando as condições de saúde documentadas pela perícia oficial frente às argumentações e pedidos da defesa.

Fonte: https://jovempan.com.br

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