O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, foi detido nesta sexta-feira (26) no Paraguai, em uma operação que interceptou seus planos de fuga internacional. As investigações, conduzidas pelas autoridades paraguaias em estreita colaboração com a Polícia Federal brasileira, revelaram que Vasques pretendia utilizar uma complexa rota com escala na Cidade do Panamá, visando El Salvador como destino final. A tentativa de evasão se deu após o rompimento de sua tornozeleira eletrônica em Santa Catarina, colocando-o na lista de procurados internacionalmente e culminando na sua interceptação no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, antes de embarcar em um voo para o Panamá. A prisão sublinha a gravidade das acusações que pesam contra ele, incluindo uma recente condenação do Supremo Tribunal Federal.
A Complexa Rota de Fuga Interceptada
A Descoberta no Aeroporto e o Plano de Fuga
A tentativa de evasão de Silvinei Vasques foi abruptamente interrompida no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, na capital paraguaia, Assunção. Ao se apresentar para o controle migratório, agentes de fronteira identificaram inconsistências evidentes no documento de viagem apresentado pelo ex-diretor. Vasques portava um passaporte paraguaio que, embora original em sua confecção, continha dados falsos inseridos para ocultar sua verdadeira identidade. A verificação biométrica subsequente confirmou as suspeitas, revelando que as informações contidas no passaporte não correspondiam ao portador. Esta falha na tentativa de disfarce levou à sua imediata prisão pelas autoridades paraguaias, sob a acusação de uso de documento falso. A operação de interceptação é fruto de uma eficiente cooperação internacional, demonstrando a prontidão das forças policiais para atuar além das fronteiras.
As investigações conjuntas entre a Polícia Federal brasileira e as autoridades paraguaias detalharam que o destino final de Silvinei Vasques era El Salvador, na América Central, país atualmente sob a presidência de Nayib Bukele. A rota planejada incluía uma escala estratégica na Cidade do Panamá, antes de prosseguir para o objetivo final. Fontes ligadas à apuração indicam que a escolha de El Salvador como um possível refúgio não foi aleatória, embora as razões exatas por trás dessa decisão estratégica permaneçam sob investigação. A defesa do ex-diretor, até o momento da publicação, não se pronunciou sobre o itinerário detalhado ou sobre as circunstâncias de sua detenção no país vizinho, mantendo silêncio sobre os pormenores da interceptada jornada.
Histórico Judicial e Quebra de Medidas Cautelares
A Condenação por Atos Antidemocráticos e suas Consequências
A tentativa de fuga de Silvinei Vasques ocorre em um momento crítico de sua trajetória jurídica, apenas dez dias após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) proferir uma severa condenação contra ele. Em 16 de dezembro de 2025, o ex-diretor-geral da PRF foi sentenciado a 24 anos e 6 meses de prisão. A pena foi imposta por crimes relacionados à tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, um dos mais graves delitos contra a ordem constitucional. As acusações centravam-se no uso da estrutura e dos recursos da Polícia Rodoviária Federal para orquestrar e realizar blitze policiais que tiveram como objetivo dificultar o trânsito de eleitores em diversas regiões do Nordeste brasileiro durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Esta conduta foi interpretada como uma clara instrumentalização da máquina pública para interferir no processo eleitoral e minar os fundamentos democráticos do país, configurando um grave atentado contra a soberania popular e a lisura do pleito.
Monitoramento Eletrônico, Ruptura e Alerta Internacional
Silvinei Vasques já havia sido preso preventivamente em agosto de 2023, no âmbito da Operação Constituição Cidadã, que investigava as ações da PRF durante as eleições de 2022. Posteriormente, ele obteve liberdade provisória, condicionada ao uso de uma tornozeleira eletrônica, uma medida cautelar destinada a monitorar seus deslocamentos e garantir sua permanência à disposição da justiça brasileira. Contudo, o dispositivo de monitoramento foi rompido nesta semana em Santa Catarina, ato que configurou uma grave quebra das condições impostas pela justiça e acionou imediatamente o alerta vermelho da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal). A notificação internacional foi crucial, permitindo que as autoridades paraguaias fossem alertadas em tempo hábil para interceptar Silvinei Vasques no aeroporto de Assunção, impedindo assim seu embarque para o Panamá e a subsequente continuação da fuga para El Salvador. A ativação do sistema de alerta internacional demonstra a eficácia da cooperação entre agências de segurança na prevenção de fugas de indivíduos procurados pela justiça.
Próximos Passos e Repercussões da Detenção
Com sua prisão confirmada em Assunção, Silvinei Vasques permanece sob custódia das autoridades paraguaias. Os procedimentos legais indicam que o ex-diretor-geral da PRF deverá ser expulso do Paraguai nas próximas horas. A expectativa é que ele seja entregue à Polícia Federal brasileira na fronteira de Foz do Iguaçu, no Paraná, onde será formalmente recebido e reintegrado ao sistema prisional brasileiro. Esta extradição informal, comum em casos de indivíduos flagrados com documentação irregular e quebra de medidas cautelares em países vizinhos, agiliza seu retorno para enfrentar as consequências de suas ações no Brasil.
A detenção de Vasques no Paraguai não apenas encerra uma tentativa audaciosa de fuga, mas também reforça a capacidade das instituições de justiça e segurança de atuarem de forma coordenada em nível internacional. O caso serve como um lembrete da seriedade com que crimes contra o Estado Democrático de Direito são tratados e da determinação em garantir que condenações sejam cumpridas. A repercussão deste evento é significativa, sublinhando a impossibilidade de indivíduos condenados por graves infrações se evadirem da justiça, mesmo buscando refúgios em outras nações. A cadeia de eventos, desde a condenação pelo STF até o rompimento da tornozeleira e a prisão no exterior, destaca a vigilância contínua e a importância da cooperação policial para a manutenção da ordem jurídica e a integridade da democracia.
Fonte: https://jovempan.com.br

