O influenciador digital Hytalo Santos e seu marido, Israel Nata Vicente, permanecerão sob custódia, conforme decisão unânime da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) nesta terça-feira (24), que negou o pedido de habeas corpus para o casal. A medida reafirma a prisão preventiva de ambos, que já haviam sido condenados em primeira instância dias antes, por crimes relacionados à exploração sexual de menores. A deliberação do TJPB representa mais um capítulo no processo judicial que investiga as práticas do influenciador nas redes sociais.

Reafirmação da Prisão Preventiva por Unanimidade

A sessão da Câmara Criminal do TJPB culminou na rejeição total do recurso impetrado pela defesa de Hytalo Santos e Israel Vicente. Inicialmente, o placar indicava uma divisão de 2 a 1 pela manutenção da prisão, com os desembargadores Ricardo Vital e Carlos Beltrão votando contra a soltura. Contudo, em uma reviravolta durante o julgamento, o desembargador João Benedito reviu sua posição anterior, que favorecia a concessão da liberdade, e alinhou-se aos votos dos colegas. Essa mudança resultou na decisão unânime de manter o casal no sistema prisional, solidificando a determinação judicial pela permanência de ambos detidos.

A Condenação em Primeira Instância e as Penas Impostas

A recente negativa do habeas corpus pelo TJPB sucede a sentença de primeira instância, proferida no último sábado (21). Na ocasião, o casal foi condenado por crimes de exploração sexual envolvendo menores de idade. Hytalo Santos recebeu uma pena de reclusão de 11 anos e 4 meses, enquanto seu marido, Israel Vicente, foi sentenciado a 8 anos e 10 meses. Essas condenações estabelecem a base para a manutenção da prisão preventiva, uma vez que as acusações são consideradas graves e as penas significativas, indicando o entendimento da justiça sobre a necessidade da custódia.

Início das Investigações e Detenção Cautelar

Hytalo Santos e Israel Vicente estão presos preventivamente desde agosto do ano passado. A detenção ocorreu em Carapicuíba, na região metropolitana de São Paulo, em cumprimento a mandados expedidos pela 2ª Vara da Comarca de Bayeux, na Paraíba. As investigações, conduzidas pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), tiveram como foco inicial suspeitas de tráfico humano e exploração sexual infantil. As acusações se fundamentam na exposição de crianças e adolescentes em plataformas digitais e na produção de conteúdo considerado impróprio, caracterizando um complexo esquema de abuso e vulnerabilização de jovens.

O Esquema de Conteúdo e a Repercussão Midiática

O influenciador Hytalo Santos ganhou notoriedade por vídeos em que aparecia com menores de idade, muitas vezes em situações com pouca roupa, gerando renda com a divulgação desses materiais. Com o tempo, ele criou uma residência apelidada de “mansão”, onde acolhia crianças e adolescentes, com a permissão dos pais. Esse grupo era chamado por ele de “filhos”, e majoritariamente composto por jovens em situação de vulnerabilidade social. Em troca de moradia, alimentação, educação e suporte financeiro, esses jovens apareciam em seus conteúdos nas redes. O caso ganhou grande repercussão após um vídeo do criador de conteúdo Felca, que abordou a adultização de crianças e criticou veementemente as práticas de Hytalo, descrevendo seu conteúdo como um “circo macabro”. A visibilidade negativa levou ao banimento de Hytalo e, posteriormente, de Israel Vicente, do Instagram, evidenciando o impacto da denúncia pública.

Ostentação e Vulnerabilidade

Paralelamente à produção de conteúdo, Hytalo Santos era conhecido pela ostentação em suas redes sociais. Ele exibia a distribuição de celulares de última geração, a doação de carros e casas, e o financiamento de cirurgias plásticas para as adolescentes que se referia como “filhas”. Essa faceta de generosidade, no entanto, é vista pela investigação como parte de um método para manter os jovens sob sua influência e garantir a continuidade da participação deles em seus vídeos, explorando a condição de vulnerabilidade social em troca de benefícios materiais.

Com a manutenção da prisão preventiva e as sentenças de primeira instância já proferidas, o caso de Hytalo Santos e Israel Vicente segue seu curso na justiça, reafirmando o compromisso do sistema legal em combater crimes de exploração infantil e tráfico humano. A unanimidade na decisão do TJPB reforça a gravidade das acusações e a necessidade de prosseguimento da pena, enviando um claro sinal sobre a postura judicial diante de práticas que vulnerabilizam crianças e adolescentes nas plataformas digitais.

Fonte: https://jovempan.com.br

Share.

Comments are closed.