O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou suas redes sociais para anunciar um drástico corte no fluxo de petróleo e recursos financeiros da Venezuela para Cuba. Em uma declaração contundente, Trump afirmou neste domingo (11) que o país caribenho não terá mais acesso a esses suprimentos e que a Venezuela, por sua vez, não necessita mais dos serviços de segurança cubanos que eram oferecidos em troca. A mensagem veio acompanhada de um aviso direto a Havana: "Faça um acordo antes que seja tarde demais", sinalizando uma escalada na pressão sobre a ilha.

O Fim de um Acordo Histórico de Troca

Por muitos anos, a relação entre Cuba e Venezuela foi marcada por uma troca estratégica: a ilha recebia grandes volumes de petróleo e apoio financeiro, enquanto fornecia "serviços de segurança" essenciais para as administrações de Hugo Chávez e, posteriormente, Nicolás Maduro. Em sua postagem na plataforma Truth Social, Donald Trump enfatizou o encerramento definitivo desse pacto, declarando que essa era uma realidade que "acabou". Ele reiterou que a Venezuela não é mais um país refém, afirmando que agora conta com a proteção das "forças armadas mais poderosas do mundo", referindo-se aos Estados Unidos.

A declaração de Trump sublinha uma mudança na dinâmica regional, onde a intervenção americana se projeta como um elemento central na nova ordem geopolítica da Venezuela. O ex-presidente deixou claro que o fluxo de recursos para Cuba será "ZERO!", reforçando a urgência para que o governo cubano busque uma nova negociação antes que as consequências se tornem irreversíveis.

A Captura de Maduro e Suas Repercussões

A mais recente onda de declarações de Trump sobre Cuba e Venezuela segue-se à captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, ocorrida na madrugada de sábado (3) no Palácio de Miraflores. A operação, conduzida por forças americanas, resultou na prisão do casal, que agora aguarda julgamento em Nova York sob acusações de narcoterrorismo. Esse evento marcou um ponto de virada significativo, intensificando as discussões sobre a interferência dos EUA na política interna venezuelana e colocando Cuba, o principal aliado regional de Maduro, diretamente na mira da administração americana.

Durante a ação que levou à captura de Maduro, foi reportada a morte de 32 agentes cubanos que integravam a segurança do então presidente venezuelano. A interrupção do mandato de Maduro e sua subsequente prisão levantam sérias preocupações para Havana, uma vez que a Venezuela era responsável por fornecer cerca de 30% do petróleo consumido em Cuba. A ausência de Maduro e o colapso potencial desse fornecimento deixam a capital cubana e a ilha em uma situação econômica e energética vulnerável.

Um Padrão de Pressão e Declarações Contundentes

As recentes manifestações de Trump não são isoladas. Um dia após a retirada de Maduro da presidência, em domingo (4), o ex-presidente já havia afirmado que Cuba "está pronta para cair", sugerindo que a ilha não tinha mais uma fonte de renda viável após o corte do petróleo venezuelano. Ele chegou a declarar que "não acho que precisamos de nenhuma ação", pois "parece que está caindo" por si só, dada a ausência de sua principal fonte de sustentação econômica.

Além disso, Trump tem mantido uma presença ativa nas redes sociais com publicações sobre Cuba, incluindo referências a presidentes cubanos que resistiram à pressão de governos norte-americanos anteriores, uma imagem de IA sua fumando um charuto cubano e até mesmo uma resposta sobre Marco Rubio potencialmente se tornar presidente de Cuba. Esse padrão de comunicação reflete uma estratégia consistente de manter a pressão sobre o regime cubano, agora intensificada pela mudança no cenário político venezuelano.

A Complexa Relação Histórica e a Dependência Energética

A ilha de Cuba, localizada a apenas 145 quilômetros da costa da Flórida, vive sob sanções econômicas dos EUA desde os anos 1960. Historicamente, essa realidade de isolamento levou o país a buscar alianças estratégicas e fontes de recursos alternativas. A Venezuela, especialmente a partir da aproximação de Hugo Chávez e Nicolás Maduro com o regime de Fidel Castro, emergiu como um parceiro crucial, fornecendo recursos vitais em um contexto de bloqueio econômico internacional.

A dependência cubana do petróleo venezuelano não era apenas uma questão econômica, mas também um pilar fundamental para a estabilidade e funcionamento de diversos setores da ilha. O corte súbito e completo anunciado por Trump representa, portanto, um desafio sem precedentes para Cuba, que agora precisa reavaliar suas estratégias de sobrevivência e posicionamento geopolítico em um cenário regional em rápida transformação.

Perspectivas Futuras para Cuba

A declaração de Donald Trump sobre o fim do fornecimento de petróleo e dinheiro venezuelano a Cuba, somada à recente captura de Nicolás Maduro, sinaliza uma fase de intensa pressão sobre Havana. Com a perda de seu principal benfeitor regional e a ameaça de maiores dificuldades econômicas, o governo cubano se vê diante da urgência de buscar novas alternativas ou ceder à pressão americana por um "acordo". A comunidade internacional observa atentamente como essa nova dinâmica irá reconfigurar o futuro político e econômico da ilha caribenha.

Fonte: https://g1.globo.com

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