O presidente ucraniano Volodimir Zelensky fez uma declaração estratégica nesta segunda-feira (29), detalhando as condições indispensáveis para o futuro retorno à normalidade no país. Segundo o líder, a suspensão da lei marcial, imposta desde o início da invasão russa em larga escala, ocorrerá somente após o término efetivo do conflito e, crucialmente, mediante a obtenção de garantias de segurança robustas por parte de seus aliados ocidentais. Esta postura sublinha a determinação de Kiev em assegurar uma paz duradoura e protegida contra futuras agressões, reforçando que o fim das hostilidades, por si só, não é suficiente para desmobilizar as medidas emergenciais sem um arcabouço defensivo sólido que dissuada qualquer nova investida de seu vizinho. A exigência reflete uma compreensão profunda dos riscos geopolíticos e da necessidade de estabilidade a longo prazo para a nação.

A Lei Marcial e Suas Implicações na Vida Ucraniana

O Cenário Atual sob Medidas de Exceção

Desde 24 de fevereiro de 2022, data da invasão em larga escala pela Rússia, a Ucrânia opera sob um regime de lei marcial. Esta medida de exceção, essencial para a defesa nacional em tempos de guerra, concede amplos poderes ao governo e às forças armadas, restringindo significativamente as liberdades civis em prol da segurança e da mobilização de recursos. Sob a lei marcial, foram implementadas diversas diretrizes, como toques de recolher, restrições à circulação de pessoas, controle sobre a imprensa e a mídia, requisições de bens e serviços para o esforço de guerra, e a proibição de eleições. A economia, outrora em desenvolvimento, foi redirecionada para apoiar a frente de batalha, com setores estratégicos militarizados e uma forte dependência de auxílio financeiro internacional. Embora impopular em tempos de paz, a lei marcial é vista como um instrumento vital para a resistência ucraniana, permitindo uma resposta unificada e eficaz contra a agressão externa. Contudo, a sua continuidade indefinida é inviável para uma nação democrática que almeja a reconstrução e o desenvolvimento, tornando sua suspensão um marco aguardado ansiosamente pela população, mas condicionado a um ambiente de segurança genuína.

A Imperatividade das Garantias de Segurança Pós-Conflito

O Risco de Novas Agressões e a Busca por Dissuasão Efetiva

A declaração do presidente Zelensky ressalta uma verdade incontestável para a Ucrânia: o fim dos combates não significa, automaticamente, o fim da ameaça russa. Com um vizinho que demonstrou a capacidade e a vontade de violar a soberania e a integridade territorial, a Ucrânia necessita de um sistema de segurança robusto que impeça futuras agressões. As “garantias de segurança” mencionadas por Zelensky não são meras promessas diplomáticas, mas sim acordos concretos e vinculativos com potências ocidentais. Tais garantias poderiam assumir diversas formas: desde a continuidade e expansão do fornecimento de armamentos modernos e inteligência, passando por pactos de defesa mútua bilateral ou multilateral, até a integração em estruturas de segurança coletiva como a OTAN, embora esta última seja uma questão complexa e de longo prazo. A história recente da Ucrânia, especialmente após o Memorando de Budapeste de 1994, que falhou em proteger sua soberania, serve como um lembrete amargo da necessidade de mecanismos de dissuasão que sejam, de fato, exequíveis e dotados de poder militar. Sem essas garantias, a Ucrânia estaria perpetuamente vulnerável a novas investidas, o que tornaria qualquer “paz” apenas um interlúdio antes da próxima escalada. A busca por um arcabouço defensivo sólido é, portanto, uma condição não negociável para que a Ucrânia considere a guerra verdadeiramente terminada e possa focar em sua recuperação e desenvolvimento.

O Caminho para a Estabilidade e a Reconstrução Pós-Guerra

A postura do presidente Volodimir Zelensky delineia um roteiro claro, porém desafiador, para o futuro da Ucrânia. A suspensão da lei marcial representa um retorno simbólico à normalidade democrática e ao pleno exercício das liberdades civis, fundamentais para a reconstrução do país e sua integração no espaço europeu. No entanto, Zelensky enfatiza que este passo só será possível num contexto de segurança inabalável. A exigência de garantias de segurança robustas não é apenas uma salvaguarda contra futuras agressões, mas também um pilar essencial para a estabilidade econômica e social. Investidores estrangeiros, por exemplo, seriam relutantes em aplicar capital em um país que permanece sob a sombra de um conflito iminente. Assim, a arquitetura de segurança pós-guerra, com o suporte de aliados ocidentais, é intrínseca à recuperação e ao desenvolvimento sustentável da Ucrânia. Esta abordagem contextualiza a visão de Kiev para uma paz que não seja meramente a ausência de guerra, mas sim a presença de uma segurança duradoura que permita à nação florescer. A concretização dessas garantias será um teste decisivo para a solidariedade internacional e para a capacidade de construir um novo paradigma de segurança na Europa, onde a Ucrânia possa existir como uma nação soberana, livre e protegida, finalmente livre do risco de seu vizinho expansionista e focada em seu futuro próspero.

Fonte: https://jovempan.com.br

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