O Confronto Decisivo e os Números da Final

O Jogo de Ida e o Cenário para o Maracanã

O primeiro capítulo da grande final da Copa do Brasil, realizado na última quarta-feira, 17 de dezembro, na Neo Química Arena, em São Paulo, terminou com um placar inalterado de 0 a 0. Este resultado deixou a decisão completamente em aberto, sem qualquer vantagem para qualquer equipe no duelo de volta. O confronto na capital paulista foi assistido por 46.616 torcedores, gerando uma renda recorde de R$ 5.469.214,00, a maior já registrada na história do estádio corintiano. Agora, no Maracanã, a expectativa é por um espetáculo ainda maior, com o estádio completamente preenchido e uma paixão fervente vinda das arquibancadas, prometendo um caldeirão para os 90 minutos finais ou mais. O regulamento da competição é claro: uma vitória simples no tempo normal garante o título. Em caso de novo empate, independentemente do placar, a emoção se estenderá para a disputa de pênaltis, onde a frieza e a experiência dos goleiros e batedores serão testadas ao limite, definindo o grande campeão.

A Busca pelo Título e as Premiações

Para o Vasco da Gama, esta é a terceira final de Copa do Brasil em sua rica história. O clube carioca foi vice-campeão em 2006, em um clássico contra o Flamengo, mas conquistou seu único título na competição em 2011, ao superar o Coritiba. A chance de levantar o bicampeonato é um grande motivador para o Gigante da Colina, que busca reafirmar sua tradição em competições nacionais. Do outro lado, o Corinthians almeja seu quarto título. O clube paulista já ergueu a taça em 1995, 2002 e 2009, e esteve em outras quatro decisões, ficando com o vice-campeonato em 2001, 2008, 2018 e mais recentemente em 2022. A experiência em finais é um trunfo para o Timão, que busca consolidar sua posição entre os maiores campeões do torneio. Além da glória esportiva e da vaga na cobiçada Copa Libertadores, o campeão deste domingo embolsará uma premiação substancial de aproximadamente R$ 77 milhões. O vice-campeão, por sua vez, não sairá de mãos vazias, recebendo R$ 33 milhões. Ao longo da campanha, o Vasco, que participou desde a primeira fase, acumulou cerca de R$ 24 milhões em premiações. O Corinthians, por ter iniciado sua jornada na terceira fase, já garantiu cerca de R$ 20,6 milhões antes da finalíssima. Estes valores adicionam uma camada extra de importância econômica e prestígio ao confronto, elevando ainda mais as expectativas para o duelo decisivo.

As Campanhas Rumo à Glória

A Trajetória do Vasco da Gama

A jornada do Vasco da Gama até a grande final da Copa do Brasil foi marcada por momentos de superação e drama, consolidando uma campanha de resiliência. Nas duas primeiras fases, a equipe carioca demonstrou consistência e eficiência, vencendo União Rondonópolis e Nova Iguaçu por 3 a 0, ambos os jogos fora de casa, com atuações seguras e controladas. O primeiro grande desafio veio no confronto com o Operário-PR, onde o Gigante da Colina teve que suar a camisa, com dois empates por 1 a 1, e só garantiu a classificação nos pênaltis, jogando em São Januário, em uma prova de força e nervos. Nas oitavas de final, o adversário foi o CSA. Após um empate sem gols no Rei Pelé, em Maceió, o Vasco impôs seu ritmo no Rio de Janeiro, vencendo por 3 a 1 e assegurando sua vaga com autoridade. As quartas de final e a semifinal foram ainda mais eletrizantes, com o clube cruzmaltino novamente dependendo da emoção das penalidades máximas para seguir adiante. Nas quartas, eliminou o rival Botafogo, após dois empates por 1 a 1 em clássicos regionais intensos. Na semifinal, o Vasco enfrentou seu arquirrival Fluminense, e após um 2 a 1 a seu favor e uma derrota por 1 a 0, a vaga na final foi selada em mais uma tensa disputa de pênaltis, demonstrando a inabalável capacidade de decisão da equipe nos momentos cruciais do torneio. A campanha vascaína foi um verdadeiro teste de nervos e superação.

O Caminho do Corinthians

A campanha do Corinthians na Copa do Brasil teve um início igualmente promissor, com duas vitórias por 1 a 0 sobre o Novorizontino nas fases iniciais, mostrando solidez defensiva desde o começo. No entanto, o ponto alto e talvez o confronto mais emblemático da caminhada do Timão foi nas oitavas de final, quando a equipe paulista superou seu arquirrival Palmeiras. Em dois duelos intensos, que pararam o estado de São Paulo, o Corinthians venceu por 1 a 0 na Neo Química Arena e repetiu o placar no Allianz Parque, mostrando superioridade e controle sobre o rival em um dos clássicos mais importantes do futebol brasileiro. Nas quartas de final, a vítima foi o Athletico-PR. O Timão obteve uma vitória importante por 1 a 0 na Arena da Baixada, em Curitiba, e consolidou sua classificação com um 2 a 0 em casa, demonstrando a força do seu mando de campo. A semifinal colocou o Alvinegro diante do Cruzeiro. O Corinthians garantiu uma vitória por 1 a 0 no Mineirão, em Belo Horizonte, mas foi superado por 2 a 1 na capital paulista. Com o placar agregado empatado, a vaga na grande final foi decidida, mais uma vez, na emoção das cobranças de pênaltis, onde a equipe alvinegra se mostrou eficiente e garantiu sua presença no Maracanã. A trajetória corintiana é marcada pela solidez defensiva, a capacidade de decidir jogos importantes contra grandes adversários e a frieza nas disputas de pênaltis, elementos cruciais para um campeão.

O Contexto Histórico e Tático da Grande Decisão

Para a decisão no Maracanã, o técnico Fernando Diniz, do Vasco, terá de lidar com desfalques importantes que podem impactar a estratégia da equipe. O lateral-esquerdo Lucas Piton e o volante Mateus Carvalho estão lesionados. Mateus Carvalho sofreu uma grave lesão durante o aquecimento do jogo de ida, com ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA), além de lesões nos meniscos e colaterais, o que o afasta dos gramados por um longo período. Lucas Piton, por sua vez, lesionou o ligamento colateral medial (LCM) do joelho esquerdo no início do mês e tem sido substituído de forma improvisada pelo lateral-direito Puma Rodríguez, que atua na esquerda. A expectativa é que o Vasco repita a formação inicial do primeiro jogo, buscando manter a coesão, com Léo Jardim no gol; Paulo Henrique, Carlos Cuesta, Robert Renan e Pumita na linha defensiva; Cauan Barros, Thiago Mendes e Phillipe Coutinho no meio-campo; e Nuno Moreira, Andrés Gómez e Rayan no ataque. As escolhas táticas de Diniz, que preza pela posse de bola e troca de passes em um jogo ofensivo e de construção, serão fundamentais para desarmar a defesa corintiana e criar oportunidades de gol.

Do lado corintiano, o técnico Dorival Júnior tinha a preocupação de ter jogadores suspensos, já que oito atletas, incluindo sete titulares habituais, estavam pendurados com dois cartões amarelos. No entanto, todos os jogadores importantes, como o goleiro Hugo Souza, o zagueiro Gustavo Henrique e o meia Rodrigo Garro, passaram ilesos pelo jogo de ida, evitando a suspensão para a final e garantindo força máxima. A maior dúvida na provável escalação do Corinthians reside no meio-campo, entre a titularidade de Rodrigo Garro ou do volante André Carillo. Garro foi titular em São Paulo, mas vinha tendo sua minutagem controlada após se recuperar de um estiramento na panturrilha direita. O Corinthians deve entrar em campo com: Hugo Souza; Matheuzinho, André Ramalho, Gustavo Henrique e Matheus Bidu; Maycon, Raniele, Breno Bidon e Rodrigo Garro (ou André Carrillo); Memphis Depay e Yuri Alberto. A capacidade de Dorival em ajustar o time para confrontos decisivos, priorizando a solidez, a organização tática e a eficiência no contra-ataque, será um fator determinante para a equipe alvinegra.

Vasco e Corinthians se reencontram em um palco de decisão com um histórico que aponta para uma leve vantagem do Timão em confrontos eliminatórios. Esta será a sétima vez que os clubes medem forças em um duelo de caráter “mata-mata”, e em seis das ocasiões anteriores, o Corinthians levou a melhor. Um dos encontros mais marcantes foi nas quartas de final da Copa Libertadores de 2012, um jogo lembrado pela lendária defesa do goleiro Cássio em finalização de Diego Souza, que ajudou o Corinthians a avançar rumo ao seu inédito título continental. A última final entre cariocas e paulistas ocorreu há 25 anos, em 2000, também no Maracanã, e com um desfecho feliz para os corintianos. Na ocasião, as equipes empataram sem gols na decisão do Mundial de Clubes, o primeiro organizado pela FIFA. Nos pênaltis, o Timão sagrou-se campeão com um placar de 4 a 3, após o goleiro Dida defender a cobrança do lateral Gilberto e o atacante Edmundo chutar para fora a penalidade derradeira. Este retrospecto adiciona uma camada psicológica ao confronto, com o Corinthians buscando manter sua hegemonia e o Vasco querendo reescrever a história e superar um adversário tradicionalmente difícil.

No que tange ao retrospecto entre os treinadores, a balança pende para o lado paulista. A única vez que Dorival Júnior e Fernando Diniz se cruzaram em uma final foi no Campeonato Paulista de 2016. Naquela ocasião, o Santos de Dorival superou o surpreendente Audax de Diniz, time que projetou o atual técnico do Vasco no cenário nacional. Após um empate por 1 a 1 no Estádio José Liberatti, em Osasco (SP), o Peixe venceu por 1 a 0 na Vila Belmiro, em Santos (SP), garantindo o título. Esse histórico recente entre os comandantes à beira do campo adiciona uma rivalidade particular e uma perspectiva estratégica interessante ao embate, com cada um buscando impor seu estilo e experiência para guiar sua equipe à conquista da Copa do Brasil, o troféu mais democrático do país. A grande final promete um espetáculo de tática, emoção e paixão, culminando em um desfecho inesquecível para o futebol brasileiro.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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