Uma reunião fechada entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), cujo conteúdo completo foi posteriormente divulgado pelo jornal digital Poder360, provocou um profundo descontentamento na corte. O encontro, realizado para discutir a relatoria do processo envolvendo o Banco Master, culminou com a decisão do ministro Dias Toffoli de se afastar do caso, gerando uma onda de irritação e desconfiança sobre a origem e a seletividade das informações vazadas.
Os Bastidores da Decisão e a Irritação Ministerial
A pauta central do encontro, ocorrido após a sessão desta quinta-feira (12) e que se estendeu a portas fechadas até por volta das 20h30, era a posição do ministro Dias Toffoli na relatoria do processo do Banco Master. Fontes internas indicam que, apesar de Toffoli inicialmente defender sua permanência, ele se viu isolado diante da avaliação de seus pares de que sua atuação estava causando um desgaste desnecessário à imagem do Supremo. Essa pressão interna foi um fator decisivo para sua eventual cedência.
O vazamento da íntegra da conversa, primeiramente noticiado pela jornalista Mônica Bérgamo e confirmado pela Jovem Pan, exacerbou o clima de tensão. Colegas de Toffoli expressaram forte desconfiança, suspeitando que a divulgação foi orquestrada para apresentar uma versão dos fatos que favorecesse a narrativa do ministro. A percepção é de que apenas trechos que corroboravam essa perspectiva foram tornados públicos, o que intensificou a irritação entre os magistrados. Toffoli, por sua vez, negou ter gravado ou divulgado o conteúdo da reunião.
Versões Divergentes sobre o Diálogo Interno
Enquanto relatos internos apontavam para um cenário de Toffoli cedendo após se sentir isolado, a reportagem do Poder360 apresentou uma perspectiva distinta. Segundo o jornal digital, o diálogo teria mostrado sete ministros a favor da manutenção de Toffoli na relatoria, contra apenas dois votos dissidentes, de Cármen Lúcia e Edson Fachin. A mesma publicação atribuiu ao ministro Flávio Dino o papel de mediador, que teria convencido Toffoli a se afastar do processo. Essas diferentes narrativas sublinham a complexidade e a polarização em torno da questão.
O Posicionamento Oficial do STF e a Redistribuição
Diante da repercussão, os dez ministros do STF assinaram uma nota conjunta que buscou pacificar a situação e reforçar a integridade da corte. No comunicado, eles declararam que as acusações que motivaram a discussão não configuravam "caso de cabimento para a arguição de suspeição" e, crucialmente, reconheceram a validade de todos os atos praticados por Dias Toffoli durante sua condução anterior do processo.
Ainda assim, a nota formalizou o desfecho da controvérsia ao informar que, em virtude da decisão do magistrado, a Presidência do Tribunal adotaria "as providências processuais necessárias, para a extinção da ação de suspeição e para remessa dos autos ao novo relator". A redistribuição do caso para um novo relator, que ocorreria por sorteio, estava prevista para ser efetuada ainda na noite daquela quinta-feira, visando uma rápida resolução processual.
O Contexto da Arguição de Suspeição do Caso Master
A pressão pela saída de Toffoli da relatoria do Banco Master não surgiu do nada. Na segunda-feira anterior (9), a Polícia Federal (PF) havia encaminhado um relatório ao ministro Edson Fachin, revelando a descoberta de diversas menções a Toffoli no celular de José Carlos Bumlai, ligado ao empresário Nelson Tanure, figura central no caso Banco Master. Com base nessas descobertas, a PF solicitou a arguição de suspeição do ministro, pedindo que ele fosse declarado impedido de atuar no processo.
É importante notar que, legalmente, a solicitação de arguição de suspeição só pode ser feita pelo Procurador-Geral da República, Paulo Gonet. Em resposta à solicitação da PF, Toffoli havia emitido uma nota na quarta-feira (11), classificando o pedido como "ilações" e argumentando, com base no artigo 145 do Código de Processo Civil, que a corporação não possuía legitimidade para fazer tal solicitação. Na ocasião, o ministro também afirmou que uma resposta mais detalhada seria apresentada diretamente ao presidente da Corte.
Conclusão: Impacto e Próximos Passos no STF
O episódio do vazamento da reunião secreta do STF e a consequente alteração na relatoria do caso Banco Master expõem a fragilidade e a sensibilidade dos diálogos internos na mais alta corte do país. A rápida ação de Dias Toffoli em ceder à pressão e a subsequente nota conjunta dos ministros demonstram um esforço para conter o "desgaste desnecessário" e reafirmar a unidade e a autoridade institucional. Contudo, a controvérsia sobre a origem do vazamento e as divergências nas versões dos fatos podem deixar marcas na dinâmica interna do Supremo, enquanto a redistribuição do processo abre um novo capítulo para a complexa questão do Banco Master.
Fonte: https://jovempan.com.br

