A Tragédia na Virada do Ano e o Clamor Familiar
Os Últimos Momentos e a Premonição da Irmã
Os instantes que precederam o assassinato de Iago Eduardo Gomes dos Santos são marcados por um relato pungente de sua irmã, Iara Beatriz. Conforme seu depoimento, por volta das 4h20 da madrugada do dia 1º de janeiro, em meio à agitação da festa de Ano Novo em Igarapava, ela tentou convencer o irmão a retornar para casa. A preocupação se manifestava em um apelo contínuo, mas Iago, à época com 18 anos, relutava, argumentando que ainda era “cedo” e expressando que ficaria “magoado” caso fosse forçado a deixar a celebração. Essa conversa, carregada de um pressentimento não verbalizado, precede a escalada de eventos que culminaria na perda irreparável. Iara detalhou que o ambiente da festa já havia sido perturbado por outras desavenças, mas, segundo ela, Iago não estava diretamente envolvido em nenhuma delas. Ela descreveu a situação: “Já tinha tido a primeira briga, mas não tinha nada a ver com ele. E tinha outra briga, chegaram nele falando que tinham batido no meu outro irmão, mas não. Foi uma briga generalizada.”
Ainda no relato da irmã, a violência se direcionou a Iago de forma abrupta. Um indivíduo se aproximou do jovem com ameaças diretas e sombrias, proferindo as palavras: “Batata, hoje você morre”. Iara, em um ato de desespero e coragem, interveio, posicionando-se à frente do irmão e confrontando o agressor. “Eu meti o peito falando ‘aqui, não’ e nós viemos andando, andando até a hora que aconteceu”, descreveu a testemunha. Contudo, a tentativa de proteção foi em vão. No momento em que Iago deu um passo para frente, o suspeito, que o seguia, disparou à queima-roupa. As imagens capturadas por câmeras de segurança corroboram a brutalidade do ataque, mostrando o pânico generalizado e a vítima caindo ao chão. Familiares, incluindo a própria Iara e seu cunhado, correram para socorrer Iago, que foi levado às pressas à Santa Casa de Igarapava. Apesar dos esforços, o jovem não resistiu aos ferimentos, vindo a óbito. “Foi uma tristeza quando eu vi meu irmão no chão. Está sendo difícil para minha família, principalmente pro meu pai. Ontem mesmo ele disse que parece que foi um pedaço dele embora. A gente quer justiça”, expressou Iara, reverberando o lamento e o clamor por justiça que ecoa em toda a família. A dor de perder um filho e um irmão tão jovem, de forma tão violenta, permeia cada depoimento e fortalece a busca por elucidação e punição dos responsáveis.
A Fuga do Suspeito e a Dinâmica do Crime
A Identificação e o Mandado de Prisão
A investigação sobre a morte de Iago Eduardo Gomes dos Santos rapidamente identificou Jeferson Silva de Paiva, de 42 anos, como o principal suspeito do assassinato. Contra ele, foi expedido um mandado de prisão pela Justiça no dia 3 de janeiro, mas até o presente momento, Jeferson permanece foragido. A Polícia Civil de Igarapava intensifica as buscas e pede a colaboração da população para qualquer informação que possa levar à sua captura. A dinâmica do crime, conforme apurado, foi registrada por câmeras de segurança instaladas na Rua Capitão Anselmo de Barcelos, no Centro da cidade, onde a festa de Ano Novo estava acontecendo. Essas imagens são peças cruciais na elucidação do caso.
Os vídeos de segurança revelam o momento exato do ataque, documentando a confusão e a correria dos presentes instantes antes do disparo. Em um dos trechos, é possível observar Iago tentando se desvencilhar de um homem que usava um boné vermelho. Este indivíduo, posteriormente identificado como o suspeito, mira e efetua o disparo contra o jovem, que imediatamente cai com as mãos sobre o peito. A precisão e a frieza do ato, em meio à celebração, ressaltam a violência do ocorrido. As autoridades trabalham com a hipótese principal de que a motivação do crime seria uma discussão que teria envolvido a vítima e seus familiares com o autor do disparo. Contudo, a investigação não descarta outras possibilidades e busca por um entendimento completo de todos os fatores que levaram à tragédia. Jeferson Silva de Paiva possui um histórico criminal que inclui passagens pela polícia por furto e tráfico de drogas, além de ter sido preso recentemente, informações que adicionam uma camada de complexidade ao seu perfil e ao contexto da investigação em curso. A ausência do suspeito impede que sua versão dos fatos seja apresentada, tornando a coleta de depoimentos e provas ainda mais fundamental para a construção do inquérito. A comunidade de Igarapava aguarda ansiosamente por sua localização e prisão, visando a resolução do caso e o restabelecimento de um mínimo de paz para a família enlutada.
A Investigação em Curso e a Busca por Respostas
A delegada Ana Claudia Fernandes Carvalho, responsável pela investigação do caso em Igarapava, reiterou o compromisso das autoridades em elucidar completamente o assassinato de Iago Eduardo Gomes dos Santos. Em declarações recentes, ela confirmou que a linha de investigação primária aponta para uma discussão prévia envolvendo a vítima e um familiar com o autor dos disparos e possivelmente outros indivíduos. No entanto, o trabalho policial está longe de ser concluído. A delegada enfatizou a necessidade de ouvir novas testemunhas, cujos depoimentos podem ser cruciais para montar o quebra-cabeça dos eventos e confirmar ou refutar as hipóteses levantadas. A coleta de relatos adicionais visa não apenas entender a dinâmica da briga, mas também identificar todos os envolvidos e suas respectivas participações, buscando justiça plena para Iago e sua família.
Além dos depoimentos, a polícia aguarda a finalização de laudos técnicos essenciais. O laudo necroscópico, por exemplo, fornecerá detalhes precisos sobre a causa da morte e a trajetória do projétil, informações vitais para a caracterização do crime. Paralelamente, a análise de novas imagens de câmeras de segurança na região pode trazer perspectivas adicionais e reforçar as provas já existentes, ajudando a traçar um panorama mais claro dos movimentos do suspeito e da sequência dos fatos. A complexidade do caso é acentuada pelo fato de o principal suspeito, Jeferson Silva de Paiva, ter um histórico criminal conhecido, o que pode indicar um padrão de comportamento ou desafios adicionais na investigação. A comunidade de Igarapava, ainda consternada pela violência que rompeu a alegria da virada do ano, acompanha de perto o desenrolar das apurações. A busca pela verdade e pela aplicação da lei é uma prioridade, não só para a família de Iago, mas para garantir que a segurança e a ordem prevaleçam, especialmente em eventos públicos que deveriam ser momentos de celebração e congregação. A resolução deste caso é vista como um passo importante para restaurar a confiança na justiça e na capacidade das forças de segurança em proteger seus cidadãos.
Fonte: https://g1.globo.com

